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22 de janeiro de 2014

Nós, escritores brasileiros, paramos nos anos 70? ou "A grande mentira do Mostre, não Conte"


N
a esteira do crescimento econômico pós-guerra, nos Estados Unidos dos anos 50, apareceram diversos fenômenos como o baby-boom, a caça aos comunistas e os cursos graduação em Storytelling (que poderia ser traduzido livremente como "contação de estórias".  Estes últimos, obviamente, são os que nos interessam.
No Brasil, se você deseja se profissionalizar como pintor ou escultor, busca uma universidade ou um curso técnico de formação em Artes Plásticas.  Se você deseja ser músico, há uma universidade de Música, bem como cursos de graduação em Artes Cênicas para quem deseja ser ator ou atriz.  E se você deseja ser escritor? Não, não me fale em cursos de Letras, que tem obviamente seu valor, mas cujo objetivo nunca foi formar escritores! Estes cursos de Storytelling são justamente isso: formação acadêmica e profissional para quem deseja se tornar um escritor; com toda a bagagem que isso implica, desde a formação em história da literatura até técnicas de produção de textos, as mais variadas.  Desde então, lá se vão cerca de 60 anos de aperfeiçoamento destes cursos, e isto se reflete na qualidade de muitas obras internacionais de ficção, que dominam as vendas nas prateleiras das livrarias brasileiras.
E no Brasil?
No Brasil, as oficinas de criação literária começaram a aparecer a partir do fim da década de 1970, quando Raimundo Carrero voltou dos Estados Unidos e trouxe uma série de conceitos inéditos para os escritores daqui, ampliando horizontes de todos os alunos de suas excelentes oficinas.
Nos anos 80 e 90 a coisa foi se popularizando, e hoje toda grande cidade tem pelo menos um escritor que apresenta estas “oficinas”, algumas excepcionalmente boas, outras (eu sei, já vi, não adianta mentir...) sofríveis, cheias de clichês de auto-ajuda para escritores e com muito pouco conteúdo técnico, que possa realmente ser utilizado para profissionalizar a escrita.
Além disso, houve diversas iniciativas para criação de cursos de graduação para formação de escritores, algumas com sucesso, outras que infelizmente desapareceram no tempo.
“Eu digo f$%@-se o velho ditado 'Mostre, não conte'. Isso é chamado de CONTAÇÃO de estórias por uma razão, e vou me ater a ela!”
Ashly Lorenzana, escritora americana de livros adultos
Mas estou realizando digressões. O que queria falar hoje é justamente sobre o mantra "mostrar, não contar" que muitos de vocês já devem ter esbarrado em oficinas e palestras por aí.
O problema é que o “mostrar x contar”, que era um dos motes dos anos 70, uma “novidade” trazida à época para cá, tornou-se meramente uma frase de efeito, um clichê que foi tão repetido que perdeu seu significado original.