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5 de janeiro de 2015

Dúvidas de Escritores: Liberdade e fórmulas de escrita


F

eliz início de ano para todos!
Este é mais um post da série Dúvidas de Escritores, aqui no Vida de Escritor - e ainda teremos mais alguns, abrindo o ano de 2015!  Culpa minha, que passei muito tempo respondendo por e-mail e em comentários, e só agora tive tempo para compilar as respostas aqui.
De qualquer forma, se apesar disso você não achar a resposta que precisa neste post ou nos posts anteriores da série, já sabe: basta perguntar!

Nesta edição, falo sobre a liberdade das editoras de alterar seu livro, e sobre o uso de "fórmulas" na cena de abertura.
Questão: Estou escrevendo um livro e queria me informar se a editora pode mudar nome ou coisa parecida. ... (O livro) está ficando legal, só falta encontrar uma pessoa para fazer a capa ou eu mesmo fazer."Termine o que você está escrevendo. O que quer que você precise fazer para terminar, faça, e termine"
Neil Gaiman, escritor inglês, roteirista e sonhador
Resposta: Um bom editor conhece bem o mercado e pode sugerir mudança não só no nome do livro, mas mesmo no próprio conteúdo, para fazer o livro ficar mais interessante para os leitores. Vale destacar que normalmente esta mudança no conteúdo só acontece se o resto livro é bom o suficiente para "convencer" o editor (por exemplo, se apenas o final não está bom), o que não é muito comum.  Mas trocar um capítulo ou outro, tirar alguma cena considerada mais forte para o público-alvo do livro, isto é razoavelmente comum, pelo menos conforme minha experência.
Quanto à capa, se você vai procurar uma editora, ela mesmo fará a capa, então não precisa se preocupar com este detalhe. Se não, aconselho a procurar um profissional - a capa é o que vai captar a atenção do leitor em primeiro lugar, e uma capa pouco profissional grita "falta de qualidade" para o leitor, não se arrisque!

Questão: Fico pensando se ter uma cena muito forte logo no início, não é muito forçado. Quer dizer, todo mundo escreve exatamente assim, meio que seguindo uma fórmula. Sei lá, será que funciona para qualquer história que se queira contar?
Resposta: A resposta sincera é: TALVEZ. Hehehe.

Explico: Acredito que SIM, toda história pode funcionar com uma cena forte. MAS digo que NÃO é algo obrigatório, há excelentes histórias que começam com cenas menos fortes.

O importante é que sua prosa conquiste o leitor, que ele se sinta compelido a continuar lendo desde as primeiras páginas, desde os primeiros parágrafos, se possível. Não precisa ser uma cena forte, mas precisa ser algo instigante; como um personagem cativante, ou um local ou época ou mundo curioso, algo que o leitor leia e fique curioso para saber onde aquilo vai levar.

Quanto a parecer forçado, nós escritores somos bem mais críticos: como você já sabe como funciona escrever um livro, você vê esta “fórmula” em todos os livros; mas o leitor não atenta para isso. E, no fundo, nem bem é uma fórmula, é praticamente algo inerente às histórias: logo de início, você precisa saber qual o desafio proposto aos personagens, que será resolvido no final do livro. Ou, alternativamente, precisa se encantar com o personagem ou com o cenário de fundo da história. Se o leitor lê dez páginas e nem este desafio é claro, nem os personagens nem a prosa o envolvem, ele simplesmente abandona a obra.

Uma boa dica, caso você queira fazer uma cena forte logo de início, é usar a técnica do in media res, “começar pelo meio”. Comece com uma cena mais para frente, que seja bem empolgante, misteriosa ou aflitiva, e depois corte antes do fim e inicie o livro. Por exemplo, você mostra o protagonista à ponto de cometer um grande erro, ou sofrer um grande revés, e depois corta para ele em casa, tomando café da manhã – o leitor entende, na hora, que você está “voltando no tempo” para mostrar como ele chegou àquele ponto.

E você, tem alguma dúvida que incomoda seu processo de escrita, venda ou divulgação? Pergunte!

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10 de setembro de 2014

Dicas para criar melhores aberturas em seus livros


Há muitas formas de se iniciar - e se terminar - uma história.
As histórias de Neil Gaiman, eventualmente, começam com uma música e terminam com uma pequena dança à beira-mar.
Markus Zusak já começou - e terminou - uma história com uma cor.
Suponho que as histórias de Jean Angelles comecem com um sonho, e terminem com um sorriso.
E que as de André Vianco comecem com um pesadelo, e terminem com um nó na garganta ou um grito de triunfo.
Já as histórias de Felipe Colbert começam com uma desafio à imaginação, e terminam com um suspiro de alívio.
Como disse, há muitas formas para se iniciar e terminar histórias.
O curioso é que todo escritor sabe o final de sua história antes mesmo de começá-la.

Curioso, mas verdadeiro:
saber o fim do caminho dá a direção do primeiro passo.
Minhas histórias, normalmente, começam com imaginação regada a fatos e ideias, e terminam após muita pesquisa e paixão.
"Não acredite no que vê em filmes hollywoodianos: a maioria dos escritores só escreve a primeira linha após ter uma boa noção de qual será a última"
O ponto importante é que a abertura de seu livro é o que "vende" o livro para seu leitor - às vezes literalmente, pois é a partir dela que você pode ganhar (ou perder) o leitor, ainda na livraria.
Para isso, é importante que você tome especial cuidado com o primeiro parágrafo do livro, de forma a trabalhá-lo para garantir o máximo de impacto possível.  Alguns exemplos muito bons:
  • “No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às cinco e meia da manhã para esperar o navio em que chegaria o bispo." ("Crônica de uma Morte Anunciada", de Gabriel Garcia Marques)
  • "É muito difícil – ou inútil – datar o início desta história. Ela está começando hoje, aqui e agora, talvez só comece realmente amanhã, mais tarde ainda, ou nunca, talvez. Sei que esta história existe, está escrita e inscrita em minha carne, mas creio que ela não teve um início preciso, nem mesmo no dia em que resolvi dar nome ao meu pau.” ("Pilatos", de Carlos Heitor Cony)
  • “Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.” ("Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis)
O segredo é o autor colocar uma cena de impacto já nas primeiras linhas, de forma a provocar a curiosidade do leitor de maneira imediata. 
Mas e quando seu livro começa, digamos, "meio devagar"? O que fazer se você precisa apresentar os personagens e seu status quo, para que sua posterior destruição provoque um maior impacto no leitor.
Nestes casos, há dois truques que podem ajudar.
O primeiro tem o sofisticado nome em latim "en media res", que basicamente significa "começar pelo meio": ao invés de começar se livro pelo primeiro capítulo, coloque uma cena de alto impacto em primeiro lugar, para depois iniciar a história.  Por exemplo, ao invés de iniciar a história com o casal feliz tomando café da manhã, comece pela cena que vai acontecer dez capítulos depois, quando ele entra em casa e encontra uma frase escrita em sangue na parede mais próxima.  O leitor levará um choque, e quando começar a ler o próximo capítulo, com a adrenalina a mil, vai entender que ela se passa algum tempo antes do capítulo anterior, uma vez que a vida ainda está normal.
O segundo truque é, simplesmente, incluir um spoiler do que virá para gerar tensão no leitor.  Por exemplo:
  • Sem spoiler: "Beijou sua esposa e saiu para o dia belo e ensolarado. Antes de entrar no carro, olhou para ela com carinho e acenou, com um sorriso."
  • Com spoiler:: "Beijou sua esposa e saiu para o dia belo e ensolarado. Antes de entrar no carro, olhou para ela com carinho, como se fosse a última vez que a veria. E realmente era."
Os exemplos obviamente são simplistas e um pouco forçados, mas deixam bem claro o ponto: comece com uma abertura de impacto, e garanta o engajamento imediato leitor - especialmente se sua história não inicia de maneira muito empolgante.
E, obviamente, a partir daí garanta a tensão crescente na obra - cuidado com as quebras de ritmo que derrubam o leitor! - e conclua sua obra de forma retumbante!
Mas isso é assunto para um próximo post...

E você, alguma dica sobre aberturas? Alguma outra dúvida? Pode perguntar!

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8 de setembro de 2010

O dom e a maldição dos escritores


oje quero falar um pouco sobre o que é "ser escritor".
O dom de um escritor, do meu ponto de vista, é a sua capacidade de absorver informações de fontes variadas, e criar algo a partir delas.
As palavras-chave aqui são duas: "absorver" e "criar"
"Absorver" é essencial porque é impossível (assim mesmo, de forma absoluta) produzir algo sem o insumo apropriado. Semente sem luz, terra, sol e ar não germina. Da mesma forma, é absurdo supor que alguém pode escrever algo sem que tenha 'absorvido' algo antes. Já avaliei muitas histórias de escritores iniciantes que "não gostam de ler livros", e por mais que as idéias sejam boas - a maioria das vezes não o são - a falta de familiaridade com a linguagem dos livros sempre gerou resultados aquém do mínimo esperado. "Escrever é fácil: Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca idéias." Pablo Neruda
"Criar" é o coração da escrita. Se vou escrever algo, é obrigatório que seja algo original. Por mais que escrever seja apenas começar com uma letra maiúscula e terminar com um ponto final, se você não tem idéias para colocar no meio, não adianta. Para que escrever mais um livro sobre vampiros, ou com elfos, anões e feiticeiros malignos? Se a idéia não for criativa, não tiver pelo menos um ângulo inovador, não perca seu tempo escrevendo. De novo: Leia sempre, pois a leitura não é só necessária para o conteúdo, mas amplia os horizontes das idéias!
Curiosamente,