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ntes de atender a alguns pedidos para falar sobre assuntos específicos, como cliffhangers e jumpcuts, gostaria de compartilhar com vocês alguns trechos de uma mensagem que troquei com um colega escritor, a respeito de um trabalho de leitura crítica que fiz para ele. Como algumas de suas dúvidas são muito comuns, acredito que muitos autores se beneficiarão desta "espiada" na conversa! Detalhe: Para não dar detalhes da história avaliada, alterei os trechos que mencionavam nomes ou situações específicas. Tenho umas dúvidas sobre o ponto de vista. Entendo que é necessário manter o ponto de vista que foi definido. Mas até onde devemos ir com isso? Você disse que o <personagem> não veria suas próprias bochechas. Verdade. Quem viu foi o narrador. Mas ele existe, não? O narrador enquanto “criatura” desvinculada do <personagem>. Ele poderia “ver” as bochechas e comentar, não poderia? Ou essa coisa de ponto de vista deve ser levada ao extremo? No caso, ele, o narrador, está preso dentro do <personagem>? Resposta: Vamos lá: se você quiser escrever para o mercado Americano, os cuidados com o PDV (ponto de vista) devem ser levados “ao extremo”, como você colocou. Lá, boa parte, talvez a maioria dos agentes e editores simplesmente abandona seu livro se você “erra” no PDV, pois essa é uma indicação clara de que o escritor não é profissional. Sendo mais claro: O PDV de cada cena é uma câmera presa na testa do protagonista daquela cena; e esta câmera só tem acesso ao mundo pelos 6 sentidos do personagem: os 5 usuais + suas impressões e percepções. | |
| Assim, em uma cena com PDV do < personagem>, não posso falar das bochechas dele, a menos que ele se olhe no espelho, mas posso falar da dor das bochechas e dela imaginando que elas estariam mais vermelhas que o usual, por exemplo. O “narrador” como “figura independente” pode existir sim, como, digamos, uma “mosquinha na parede” que vê tudo através daquele PDV; mas neste caso ele não poderia falar sobre sentimentos ou impressões de nenhum dos personagens. Também existe um “narrador onisciente”, mas é muito raro e quase todo escritor o evita, pois é fácil deixar a história confusa com este artifício. | “O valor da leitura crítica para o autor é ouvir a posição de um leitor que não tenta agradá-lo - pelo contrário, procura falhas que possam comprometer seu original" |
| Agora, como falei, isso é “se você quiser escrever para o mercado americano”. O mercado nacional é cheio de livros de sucesso, publicados por grandes editoras, que não seguem este padrão – o que não necessariamente quer dizer que alguma coisa, apenas que nosso mercado, por enquanto, é menos exigente que o americano, e que nossos editores são menos críticos, orientam menos os autores quanto a isso. O problema é que o leitor cada vez mais vai desenvolvendo um sendo crítico, então coisas que eram aceitas a 50 anos aos poucos vão sendo vistas como impropriedades, pelo que sugiro que você tente seguir a regra do PDV quanto puder. E uma coisa que não podemos falar para novos autores, mas vou falar assim mesmo: | |
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6 de junho de 2012
Dúvidas de Escritores: Ponto de vista, cenas, cliffhangers...
13 de outubro de 2011
Mudança de ponto de vista nas narrativas - parte II
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ontinuando o assunto de "mudança das narrativas" (ou de pontos de vista), vamos agora a uma explicação mais profunda sobre o assunto. O grande segredo por trás das mudanças de ponto de vista é que a forma ideal de escrever um livro não é na ordem que o trabalho final será apresentado ao leitor. A explicação para isso é simples: por menos que você demore para escrever um livro, quando você termina o seu estilo já é diferente de quando você começou. Obviamente que os diferentes tratamentos por que passa o livro diminuem esta diferença, mas ainda assim ela pode ficar perceptível se você escrever na ordem sequencial de leitura. Como evitar isso? Como é possível escrever um livro fora da ordem sequencial de leitura? | |
| Aí é que está outro "grande segredo", muito pouco conhecido dos escritores nacionais mas amplamente usado no mundo anglo-saxão: a abordagem top-down, que guia o autor desde uma frase estruturada (a premissa) até a obra completa (vejam mais detalhes nos links no post anterior sobre este assunto). Bem, uma vez definida a premissa do livro, montada a estrutura da narrativa, escolhidas as cenas principais, escrito um "resumão" (toda sua história em menos de 10 páginas) e produzida a lista de cenas (apenas uma curta descrição no que vai acontecer em cada cena), é o momento de detalhar cada cena do livro. | "Uma cena só pode ter um objetivo, precisa acontecer em apenas local, e deve ser descrita por apenas um ponto de vista." |
| As cenas do livro devem possuir uma estrutura bem definida. De maneira simplificada, uma cena deve ter um protagonista (da cena, não do livro), um objetivo a ser atingido por ele, um obstáculo, e uma solução - que até a parte final do livro geralmente coloca o protagonista em uma situação pior que antes, apesar de superar aquele obstáculo específico. Uma segunda parte da cena é a "sequela", o aprendizado do personagem com aquele obstáculo, que geralmente tem uma reflexão, uma decisão a ser tomada e o encaminhamento da decisão - que leva à próxima cena. (Parece abstrato ou irreal demais? Bom, podem acreditar, mas | |
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