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22 de fevereiro de 2010

Oficinas Literárias, Oficinas de Escrita Criativa, Oficinas de Criação de Texto, Oficinas...

O Brasil viu, nos últimos anos, o crescimento da oferta e do número de pessoas interessadas em participar de oficinas de escrita criativa.Para entender um pouco deste movimento, precisamos estudar as suas origens, no movimento similar que ocorreu nos Estados Unidos e que ganhou força na segunda metade do século passado. Estas oficinas, nos Estados Unidos, desembocaram na criação de diversos cursos universitários com aulas práticas de literatura, e se tomaram tal vulto que Mark McGurl, em “The Program Era”, chega a dizer que é impossível comprender a literatura norte-americana do pós-guerra sem conhecer os programas universitários de escrita criativa.Diversos autores nacionais foram beber desta fonte, como Affonso Romano de SantAnna, Raimundo Carrero e Charles Kiefer, que estudaram na universidade de Iowa e se tornaram destacados escritores e renomados divulgadores da arte da escrita. Raimundo Carrero conduz oficinas de escrita criativa de altíssima qualidade em Pernambuco, e reuniu as experiências de 15 anos de oficinas no livro “Os segredos da Ficção”, publicado em 2005 pela editora Agir. Charles Keifer apresenta oficinas semelhantes há vinte anos no Rio Grande do Sul, e além de uma vasta bibliografia traduziu para o português alguns livros sobre técnias de escrita, como “Como aprendi a escrever” de Máximo Gorki e “Assim se escreve um conto”, de Mempo Giardinelli, e outros. Affonso Romano de SantAnna, já nos anos 70, uniu-se a Silviano Santiago e realizou as primeiras oficinas dentro de universidades brasileiras (no caso, a PUC-RJ), lançando livros como “Por um novo conceito de literatura brasileira" e “O que aprendemos até agora”, relatando suas experiências nos cursos de letras. Depois destes pioneiros, muitos outros escritores abriram caminho e estabeleceram oficinas que já se tornaram referência de qualidade, em diversos estados. É o caso, por exemplo, de Marcelino Freire, que apresenta oficinas (sempre lotadas) na Casa das Rosas e no espaço Barco, em São Paulo; das quase cem oficinas realizadas para a Fábrica de Textos pela escritora Sônia Belloto (autora de “Você já pensou em escrever um livro”, com múltiplas edições); do “Laboratório do Escritor”, que acontece na Realejo Livros, em Santos; das oficinas oferecidas pela Casa do Saber; das oficinas de produção de texto de Luiz Antonio de Assis Brasil e Luís Augusto Fischer no Rio Grande do Sul; das oficinas de Oswaldo Pullen em Brasília (uma delas começando agora em março - inscrições abertas), e muitas outras. Os exemplos das oficinas são muitos – com certeza esqueci de mencionar diversas delas. No entanto, o objetivo destas oficinas é um só: mostrar que escrever não é (apenas) um dom e mais, mostrar que existem técnicas que ajudam a vencer o medo de escrever, organizar seu texto e produzir trabalhos de melhor qualidade. Além disso, a troca de experiências nestas oficinas ajuda a estimular tanto a imaginação quanto o lado crítico dos participantes, dando a eles instrumentos para melhor entender os trabalhos de outros escritores e, com isso, também aprimorarem os seus. Recomendo fortemente a todos os leitores realmente interessados em escrever um romance que participem de oficinas literárias, mais de uma, se possível. A cada oficina aprendemos mais um pouco, e aprendemos que o que faz um bom escritor é tudo que ele aprendeu, e mais, como ele sabe transpor isso para sua obra.

9 de fevereiro de 2010

Clareza e Concisão, dois dos melhores aliados de um escritor

Todo texto literário precisa ser conciso e claro, em especial aquele que pretende estar entre os poucos escolhidos por uma editora para publicação. Os conceitos de clareza e concisão, e a discussão sobre como, quando e porque utilizá-los, dariam para encher um livro, pelo que vamos apresentar aqui apenas uma visão geral sobre estes assuntos. Grosso modo, podemos dizer que clareza é a capacidade de um texto de ser facilmente entendido pelo leitor. Vamos a um contra-exemplo bastante conhecido, dois versos de nosso hino nacional:
"Ouviram do Ipiranga as margens plácidas, de um povo heróico o brado retumbante".
O trecho não chega a ser confuso, mas o uso excessivo da ordem indireta torna a frase bem menos clara para o leitor comum. Colocando na ordem direta, o sentido da frase fica bem claro:
"As margens plácidas do (rio) Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico".
Outro problema comum que gera falta de clareza é o uso excessivo de palavras pouco comuns. Um contra-exemplo excepcional é o divertido texto "Conforme o combinado", conto escrito com o objetivo de ser pouco claro, pelo colega André Luiz de Viana Barcellos: "Urge a necessidade que grassa pelo globo de uma posição ideológica neutra. Todavia, mediante as circunstâncias crônicas em que vive o mundo, torna-se inconcebível tal candura cotidiana. É deveras auferível a assaz impregnação do odor fétido-feérico que colide com tais coisas. É o odor metafórico que exalam os pecadores militantes e juramentados. Estes mambembes recalcitrantes aludem a tal situação... " etc. As palavras da abertura do conto, vistas uma a uma, não tornariam um texto incompreensível, mas quando unidas tornam o trecho difícil de ser apreendido com uma leitura rápida.
Já a concisão refere-se à capacidade do texto de dizer o que apenas precisa ser dito, apenas o que agrega valor à narrativa, e apenas isso. Um bom texto deve ser conciso em diversos níveis, começando por evitar palavras e explicações desnecessárias, e chegando às tramas, onde ações que não contribuem para a evolução da história ou para uma melhor compreensão dos personagens devem ser evitadas. Passemos a um exemplo simples, começando pela versão concisa: "Com o coração pesado, Percival viu o sol se pôr." Agora, uma versão prolixa incluiria adjetivos, apostos e digressões: "Com o coração pesado como uma pedra, sentado em uma cadeira cuja palha gasta por muitos sóis já começava a ceder, Percival, com os ombros doridos pelo esforço descomunal que fizera na construção da barraca viu o sol se por no horizonte, em matizes de dourado e rosa." Apesar de ser um consenso entre escritores que os textos devem sempre buscar a clareza e a concisão, como em tudo na literatura não existe uma regra de ouro que indique qual é o equilíbrio ideal para estas características – afinal, a poesia de um texto pode estar justamente em ferir algumas regras. Cabe a cada autor experimentar, exercitar e descobrir o seu próprio “ponto ideal”.

4 de fevereiro de 2010

Oficina de Escritores em Brasília

Amigos! Segue a chamada para a Oficina de Escritores em Brasília, coordenada pelo premiado escritor Oswaldo Pullen. Da minha parte, posso dizer que conheço o Oswaldo e sei que é extremamente competente no que faz, e sempre dedicado a se melhorar. Talvez eu atue como monitor nesta oficina; estou ainda buscando abrir um espaço na agenda! Em breve, um novo post.
“Eu quero escrever um livro. Só não sei como começar...” “Parece que a folha em branco cresce, e eu fico completamente paralisada!” “Comecei a escrever meu livro, mas logo no início senti que seria uma tarefa impossível, pois não sabia como estruturá-lo ou como dar vida a meus personagens.” “As ideias surgem, mas na hora de colocá-las no papel, se embrulham, se escondem e não sei como agarrá-las” O aficionado pela escrita, nos primeiros passos de seu caminho, sente-se assim mesmo. O sentimento de admiração pelos autores de sucesso se mescla com a angústia de não saber nem por onde começar. No entanto, as técnicas para a criação literária existem, e estão disponíveis, como em outra arte qualquer. A escrita de ficção se baseia em dois eixos, em volta dos quais a estória acontece: a trama e os personagens. Na Oficina, o que fazemos é ir a fundo no exame e na prática destes dois elementos que compõem a narrativa. Sem personagens, não existe a estória. Mas sem a trama, não há nem o eixo, nem o gancho que prenderá o leitor ao seu conto ou romance. Produzir ideias, desenvolver e analisar enredos, personagens, pontos de vista, emoção, conflito. Participar do processo de crítica dos textos gerados , ter seus textos analisados, em grupo e individualmente, É esta a atividade da Oficina para Escritores de Oswaldo Pullen. Quem é o Tutor Oswaldo Pullen é escritor, tendo já publicado “Alípio Doidão”, “22 poemas” e organizado a antologia “No tempo em que cobra tinha asas”. Ministra suas oficinas desde 2006, e participou de diversos workshops sobre criação literária, como o Write in Rio, em novembro de 2009, ministrado por James McSill, coach internacional para autores de língua portuguesa. Em 2009 ganhou os prêmios do XL Concurso Nacional de Contos Abdala Mameri (Araguari – 1º lugar), V Prêmio Maximiano Campos de Literatura (Fliporto – 2º lugar), VII Concurso Francisco Beltrão de Literatura (Paraná, 3º lugar), VII Concurso de Contos Luis Jardim (Recife, 1º Lugar – dividido com os outros dois premiados) e XIX Concurso Nacional de Contos José Cândido de Carvalho (Campos, RJ, 5º lugar). A oficina A Oficina de Escritores tem início previsto para 03 de março de 2010 com uma duração prevista de 12 sessões semanais. O investimento é de três cheques de R$160,00 a serem entregues no ato da inscrição e com vencimentos em 03 de março, de abril e maio. Mais informações Fones (61)3344-2596 e (61)8138-7998 com Oswaldo Pullen

20 de janeiro de 2010

Perca o medo de escrever agora - pergunte-me como!

Escrever é uma atividade, por natureza, solitária. No entanto, aprender a escrever não precisa ser - na verdade, não deve ser! E quando falo "aprender a escrever", na verdade quero dizer "aprender a escrever algo que outras pessoas apreciem ler". Troque experiências, converse, leia, esteja sempre em contato com outros escritores – pode ter certeza de que isso não irá “ferir a sua arte particular”, pelo contrário, irá apenas dar mais instrumentos para que você possa melhor expressá-la. Existem muitas oficinas, livros e blogs com conselhos sobre como escrever bem, mas a verdade é uma só: você só aprende a escrever escrevendo! Nada justifica não escrever AGORA se você tem vontade; deixe as desculpas de lado e comece logo. O que você escrever vai ser, provavelmente, aquém do que você gostaria - mas muitos grandes escritores descartam a maior parte do que escrevem; e isso faz parte do ofício: se você não escreve muitas ‘ostras’, não terá onde achar suas pérolas! Obviamente, para escrever um escritor precisa de "bagagem". Ele precisa não apenas ter conteúdo, ter o que dizer, mas principalmente precisa saber COMO dizer - e isso só se aprende lendo. Diversas vezes escutei novos escritores dizerem o total contrasenso (agora sem hífen...) “gosto de escrever, mas não gosto de ler”. É como se um músico dissesse “gosto de compor músicas, mas não gosto de ouvir música”! Continuando a receita: Além de ler muito, aprenda a observar, no sentido que Conan Doyle, através do seu (pouco amado pelo autor...) “Sherlock Holmes” , dava à palavra. Não apenas ver, mas OBSERVAR. Por exemplo: se você mora ou trabalha em um prédio, quantos degraus há entre um andar e outro? Estes degraus têm faixa antiderrapante para evitar escorregões? Usualmente eles estão limpos, ou têm alguma sujeira? Que tipo de sujeira? Se você já viu os degraus diversas vezes mas não sabe responder estas perguntas, é porque nunca os observou, efetivamente. A observação é a chave ativar a imaginação e a memória de um bom escritor, permitindo que ele crie histórias mais interessantes. E não basta a observação pela TV, são os pequenos detalhes que fazem a diferença. Qual o ruído de fundo de seu local de trabalho? Como são os cheiros em uma feira, em um mercado, em um parque, em um cemitério? Como são os olhares das pessoas que cruzam por você na rua? Um escritor precisa ser um leitor; precisa saber observar a realidade, e precisa saber misturar sua imaginação com sua memória para dar consistência aos mundos que criar. Mas acima de tudo ele precisa escrever – pois só se aprende a escrever escrevendo!

6 de janeiro de 2010

Divulgação - palestras do James McSill

Amigos! Seguem os convites para novas palestras do James McSill. Quem não o conhece, dê uma conferida em seu site, http://www.mcsill.net/. Vale à pena, especialmente para quem precisa de um "chá de realidade" sobre o mercado livreiro.
Caro autor, Está pensando em vender aquele manuscrito há muito descansando na gaveta? Inscreva-se para a série de três palestras patrocinadas pela Steps2. James McSill falando com autores que querem ser publicados: * Palestra 1: A estrutura básica (6 de Janeiro de 2010 - 10h00 Lisboa / 08h00 Rio de Janeiro) * Palestra 2: A estratégia (23 de Janeiro de 2010 - 21h00 Lisboa / 19h00 Rio de Janeiro) * Palestra 3: Preparação, planejamento e produção (6 de Fevereiro de 2010 - 21h00 Lisboa / 19h00 Rio de Janeiro) Para obter informações, clique no link abaixo. http://www.steps2.net/ Abraços, Jamie

4 de janeiro de 2010

O Sucesso ainda é uma questão de escrever boas histórias...

A
ntes de mais nada, Feliz Ano Novo para todos! Já escreveram suas metas para este ano?
As minhas incluem divulgar melhor meus livros, inclusive um sobre criação de jogos de computador (que sai no final de janeiro), escrever artigos para revistas literárias e culturais (como a Bravo!, Piauí, Nós, Discutindo Literatura, o jornal Rascunho, Entre Livros, Língua Portuguesa e outras), manter e divulgar mais este blog (é claro), com postagens a cada 15 dias; e terminar e conseguir editoras para os dois livros que comecei a escrever ano passado, além de participar de algumas feiras literárias de que tradicionalmente participo.
Para atingir estas metas, estou preparando uma agenda com as metas a realizar a cada mês, para poder focar as energias em objetivos de curto prazo, sem perder de vista os objetivos de longo prazo. Sugiro que vocês façam o mesmo. Lembrem-se que a persistência é tudo (uma página por dia leva a 365 páginas ao fim do ano); e que para escrever bem é necessário, antes de tudo, treinar! Então, o que estão esperando? Eu estou em dia com minhas páginas!

Mas não é sobre isso que eu queria falar. Comentei em postagens anteriores que o mercado livreiro é justamente isto: um mercado. Em outras palavras, o escritor precisa se preparar para encarar sua obra de arte como um produto, que só será atrativo para as editoras se tiver um potencial real de venda ou, em outras palavras, um público-alvo bem definido e de tamanho significativo.
Para poder enfrentar com sucesso o desafio de conseguir uma editora e, mais que isso, chegar aos leitores, o escritor precisa muitas vezes se desdobrar para conhecer o mercado, o esquema de distribuição, as livrarias, e muito mais.

E se o mercado nacional é assim, imaginem como é o mercado americano, que é ainda mais competitivo, mais voltado para números; um mercado onde um pequeno escorregão pode colocar uma carreira ascendente por terra. Qual não foi minha surpresa, então, ao ler um texto (dentre os materiais de estudo que comprei quando fui a Los Angeles) de um dos maiores agentes literários dos Estados Unidos, onde por diversas páginas ele disse e reforçou que o sucesso para qualquer escritor “ainda é uma questão de escrever boas histórias”.
Falando com propriedade, ele reconheceu os desafios e dificuldades de novos autores, e as barreiras que o próprio mercado erige por conta do excesso de profissionalização e enrijecimento dos processos de trabalho em editoras e agentes.
Mas ele reconhece, neste texto, que o editor e o agente literário, com raras exceções, são pessoas que entraram para o mercado livreiro justamente por causa de sua paixão por livros; e que estas pessoas, ao se depararem com um bom texto, farão de tudo para conseguirem publicá-lo.
Corroborando estas declarações, li diversos depoimentos de outros agentes literários que dizem se sentir como crianças à procura de tesouros escondidos quando iniciam a leitura de cada original, e que este sentimento de busca pelos textos de qualidade é o que os motiva a continuarem na profissão.
A meu ver, o autor precisa, sim, saber mais do que “só” escrever boas histórias para conseguir um espaço ao sol. Mas estes conhecimentos a mais são adquiridos com a experiência, com o passar dos anos e o contato com outros profissionais da área.

Então, agora sim, segue minha sugestão para o ano que inicia: Continuem escrevendo, não desanimem, e procure sempre que possível o contato com outros profissionais do mercado do livro!

 “Podem me chamar de sonhador, mas eu não sou o único” (John Lennon): Se você tem boas idéias, não está fechado para aprender, e tem persistência para continuar em frente, o sucesso é apenas uma questão de tempo.

16 de dezembro de 2009

Dicas para começar a escrever - e continuar escrevendo!

Como última postagem do ano, vou publicar algumas questões levantadas pelo colega Rafael Morgan (http://www.rafaelmorgan.com/) e, a seguir, as minhas respostas. Acredito que serão úteis para diversas pessoas. Estou saindo de férias, em janeiro volto com novidades! Abraços e obrigado a todos os que me acompanham!
Sempre tive minha criatividade, que carrego comigo desde criança, focada nas artes plásticas e visuais, no entanto, nesses últimos dias, senti um desejo tremendo de escrever. Comecei a esboçar alguns parágrafos, os quais pensava que acabariam por fundir-se em um conto. Me enganei. A minha idéia central, ou como você mesmo disse, o cerne da trama, foi crescendo de forma incontrolável, até o ponto em que eu acordei, no meio da noite, com uma trama longa e complexa, com começo, meio e fim. Acredito ser uma ótima história que pode, eventualmente, se tornar um bom livro. O enredo é, de certa forma, um pouco auto-biográfico mas estou tentando me desapegar dessa idéia, tanto para conseguir criar um personagem mais livre, quanto para que o desenvolvimento do livro seja mais leve e não embrenhe muito em meus medos, anseios e conflitos pessoais. Bom, se me permite, gostaria de fazer algumas algumas perguntas, já que, pela própria existência do seu blog, acredito que se sente motivado a ajudar novos escritores. Sempre que escrevo um novo capítulo ( estou no terceiro, quase no quarto) volto nos capítulos anteriores e modifico algumas ( ou muitas) coisas, com o objetivo de criar uma obra mais concisa. Isso, de algum modo, é um processo um tanto quanto desgastante. Esse tipo de atitude é comum entre os escritores ou apenas reflete minha falta de experiência na área? De qualquer forma, como sou muito perfeccionista, tentarei "polir" essa obra ao máximo. Existe alguma técnica específica que possa ajudar a evitar esse tipo de vai e vem? Às vezes, também sinto que falta alguma cola, liga entre os parágrafos? Existem expressões ou técnicas que ajudem a criar uma fluidez maior e, consequentemente, um andamento mais suave? Se conhecer algum livro que possa me ajudar, que cubra algumas dessas técnicas e que possa me auxiliar tecnicamente na construção dessa trama, poderia me indicar?
1) É normal voltar e reescrever, não se preocupe. À medida em que a trama for evoluindo, provavelmente você vai ter menos modificações estruturais, ficando apenas ajustes, digamos, "cosméticos". É bom ser perfeccionista, ou pelo menos é o que eu acredito, até porque também sou assim. Só cuidado para que isso não o canse e acabe desanimando. 2) Quanto à técnica, não existe uma forma única de escrever, mas quando estou escrevendo um livro onde a trama é sofisticada, o que ajuda é escrever apenas um ou dois parágrafos por capítulo, com a idéia central do capítulo, organizando com isso o "esqueleto" da trama. Com isso, ao fim deste trabalho você terá uma visão bem melhor do livro, diminuindo a reescrita quando for escrever os capítulos. Obviamente, estes poucos parágrafos por capítulo serão jogados fora depois, mas isso ajuda o livro a ser mais coeso desde o princípio, e dá um certo ânimo porque "vemos a coisa evoluir", se é que você me entende. 3) Quanto à "liga entre os parágrafos", isso já é mais difícil. O ideal é fazer o chamado "close reading" em textos de outros autores. Leia o livro "Para ler como um escritor", de Francine Prose, que você vai ver diversas dicas de como fazer isso. 4) Quanto à estrutura da trama, sugiro ler o "Você já pensou em escrever um livro?", da Sônia Belloto. Ela fala bastante bem desta questão. E espero terminar, daqui até o fim do ano, o "Como Escrever um Romance pronto para o Sucesso" (título provisório), que vai abordar estas e outras questões. :)

5 de outubro de 2009

"Para ler como um Escritor" - ou - Sobre a profissionalização do escritor

Amigos! Descoberto o mistério - por engano, publiquei este post em outro blog, da Casa de Autores (visitem!), grupo de escritores do qual faço parte. Segue o post, como deveria ter sido publicado na sexta passada. Até o fim da semana tem mais!
Como já falei aqui, estou lançando um livro ("Uhuru") depois de amanhã, neste sábado. Quem já passou por isso sabe como é: uma correria louca nos últimos dias, para deixar todos os detalhes certos, convidar a todos que devam ser convidados e muito mais; tudo isso regado a muito stress no estilo "pré-dentista", aquela agonia de ficar esperando pelo inevitável, que todos conhecem bem. Em suma: eu tinha tudo para adiar as postagens no blog, mas não resisti: Eu simplesmente PRECISO falar com todos que puder do livro que estou lendo, "Para ler como um escritor - um guia para quem gosta de livros e para quem quer escrevê-los", de Francine Prose, da editora Zahar. O livro é denso, por vezes até um pouco difícil de ler, no sentido que você quer reler o que acabou de ler para ter certeza de que entendeu bem, que apreendeu tudo o que podia. Mas é um dos livros mais gratificantes que li nos últimos anos! Vejam bem: Se você quer ser artista plástico, você ingressa em uma graduação de Artes Plásticas. Idem se você quer ser músico. No entanto, se você deseja ser um escritor, não há cursos superiores para isso. Ou melhor: Não havia cursos superiores para isso no Brasil. Não "havia", porque agora temos cursos na PUC-Rio e na Unisinos, no Rio Grande do Sul. E "no Brasil" porque, em outros países, cursos como estes são tão tradicionais quanto cursos de graduação para artes plásticas e música. E Francine Prose foi mestra nestes cursos em universidades como Harvard, Columbia e Iowa por mais de duas décadas, além de ser escritora. "Para ler como um escritor" é um curso para escritores desde a primeira página; e meu coração salta excitado cada vez que leio Francine formalizando aspectos da leitura e da escrita que sempre segui, de maneira intuitiva! Se você realmente deseja ser um escritor, a regra geral sempre foi ler muito, o tempo todo, e aprender com os erros e os acertos de outros escritores, ilustres ou nem tanto. Mas de todas as leituras que você pode realizar, acredito o livro de Francine provavelmente é a mais importante de todas!

21 de setembro de 2009

Como escrever diálogos

Acredito que uma das coisas mais difíceis para o autor iniciante é escrever bons diálogos. Na verdade, confesso que recentemente li alguns autores já reconhecidos que tem problemas com isso. Portanto, esqueçamos o "iniciante" na frase anterior. Há diversos "crimes" que podem ser cometidos contra um bom diálogo. Assim, de cabeça, vou tentar lembrar de alguns que realmente me incomodam quando estou lendo um livro:

  • Lecturing: Perdoem o estrangeirismo, mas é que a palavra mais próxima em português para isso seria "lecionar", e ela não representa bem o sentido original, quando falando de diálogos, que é algo mais perto de "apresentar palestra" ou, quem sabe, "panfletar". Fico bastante incomodado quando um personagem fica apresentando explicações que não se enquadram no texto! Se você sente necessidade de colocar um personagem explicando alguma coisa (seja a resolução de um mistério, um dado técnico de alguma coisa ou uma lição de moral), tome cuidado: há uma grande chance de seu texto estar com algum furo, pois de forma ideal o leitor entende um livro sem necessidade de palestras! Por vezes, uma ou outra explicação pode ser necessária, mas cuidado, evite colocar um personagem perguntando mil coisas para o outro, que vai explicando, explicando, por páginas a fio, apenas interrompido pelo indagador, que volta e meia faz alguma pergunta para permitir que a explicação continue. Além de quebrar o ritmo da narrativa, esta abordagem passa a impressão de que o personagem que pergunta é um tolo ou um chato...
  • Monólogos a dois: Nada é pior que um diálogo onde todos os personagens tem a mesma “voz”! Defina bem o background de seus personagens, tenha sempre em mente quem cada um deles é, seu passado, sua forma de agir. Há duas formas para estes monólogos: Quanto ao conteúdo, quando um personagem fala uma coisa, e o seguinte continua a idéia, e assim por diante, mostrando uma homogeneidade muito grande de idéia; e quanto à forma, onde todos os personagens “soam” iguais, mesmo com idéias diferentes. Uma criança usa palavras diferentes que um idoso, e pessoas do Nordeste vão usar termos diferentes de um sulista, atenção para estes detalhes!
  • Clichês, jargões e outros bichos: Cuidado ao escrever os diálogos! Evite colocar seus vícios de linguagem, ou pior, de escrita, na boca dos personagens. Advogados, médicos e analistas de informática são célebres por utilizarem uma “linguagem própria” no seu dia a dia; e isso não se restringe a estas profissões. Lembre-se: um personagem só deve utilizar jargões e clichês ou um vocabulário pouco usual em um diálogo se isto fizer sentido na história!
  • Ninguém é um só: Uma última dica: ninguém é um só! Uma pessoa gozadora tem seus momentos de tristeza e seriedade, e mesmo uma pessoa com depressão patológica se permite alguns momentos de felicidade e esperança. Não transforme seus personagens em estereótipos – exceto, talvez, se você desejar dar-lhes um efeito cômico!


Para fechar: Sábado passado estive com os autores da “Casa de Autores” em Unaí, MG, apresentando a palestra “Formando os escritores de amanhã”, sobre como formar leitores, formando escritores. Sábado que vem, estarei com a “Casa de Autores” falando com leitores em um evento no Shopping de Valparaíso, GO. Como já falei antes, “o gado só engorda sob o olhar do dono”.

Mais sobre isso em futuros posts!

13 de julho de 2009

Profissionalização do autor brasileiro

Olhando para o mercado americano, encontramos algumas dezenas de livros cujo público-alvo são os escritores; além de pelo menos duas revistas de circulação nacional. A realidade no Brasil é ainda bastante diferente, mas aos poucos as editoras vão percebendo que este é um nicho importante. Já li uns quatro livros a este respeito (todos que conheci no mercado nacional...), de cabeça lembro de dois deles: "Você já pensou em escrever um livro?", Sônia Belloto - http://www.ediouro.com.br/vocejapensou, Ediouro Com uma linguagem dinâmica e cativante, Você já pensou em escrever um livro? é um trabalho para quem lida com a escrita no dia-a-dia e para quem deseja se tornar um escritor de sucesso. O livro ensina métodos valiosos para romper bloqueios e produzir textos originais. Ensina também como arranjar tempo para escrever, os estilos pessoais, como dar vida aos textos e como desenvolver o potencial criativo de cada um, além de trazer orientações especiais sobre criação de personagens, diálogos e cenas que cativam os leitores. "Guia para Autores", Andrey do Amaral - http://www.andreydoamaral.com, ed. Ciência Moderna. Depis de terminar o original é que o escritor se dá conta das dificuldades da publicação. Entrar no mercado editorial é possível! Basta conhecer os segredos deste universo. Neste livro, você diminuirá os caminhos da tão sonhada publicação. Descrevemos os erros mais comuns e a forma correta de enviar sua obra para a editora certa. Há ainda os endereços das principais agências literárias do Brasil e do exterior, além das melhores editoras com a linha editorial definida. Facilitar é a nossa proposta. Este manual é bastante eficaz para quem deseja se destacar no concorrido mundo dos livros. E você irá conseguir! E para quem está começando, toda ajuda é boa. Então, dê uma pesquisada também na internet, que há muitos sites interessantes. Por exemplo:

Material não falta para quem deseja se profissionalizar. E não adianta ficar reclamando que o mercado é difícil, que não oferece condições para iniciantes, ou coisas do gênero.

Sobre isso, sempre lembro da resposta da Lya Luft a uma pergunta da platéia, em um evento literário aqui em Brasília (tirado de memória, com certeza as palavras dela não foram estas, mas a idéia sim):

"Como você conseguiu fazer sucesso tão rápido?"

"Trabalho com traduções, escrevo artigos e colunas para jornais e revistas e escrevo livros a 28 anos. De repente, o meu trabalho atingiu uma massa crítica, e meu livros começaram a ser lidos em todo o Brasil. Para quem só me conheceu quando cheguei à grande mídia, foi rápido. Para mim, foi a consequência de uma vida dedicada à escrita."

Resumindo, mais uma vez: não há fórmula mágica, nem caminho garantido para o sucesso. O que existe é o mercado, um ecossistema onde os mais fortes e persistentes conseguem se destacar.

Ou, em outras palavras: da próxima vez que for reclamar, não reclame: aja! Continue escrevendo e trabalhando para melhorar as condições de quem está começando, que todos juntos somos mais fortes!

29 de junho de 2009

Frequência, rotina e disposição

Depois de passar tanto tempo sem atualizar o Blog, o assunto só poderia ser este: Frequência, rotina e disposição. Um dos maiores inimigos de um escritor, a meu ver, é a preguiça. É o "amanhã eu faço". Muitos amigos meus me perguntam como consigo levar a rotina que levo e ainda conseguir um tempo para escrever.Minha resposta é sempre a mesma: O segredo está todo na frequência com que se escreve. Escreva uma página por dia, e ao fim do ano você terá 365 páginas escritas - isso se o ano não for bissexto! A matemática é simples; se escrever meia página, são ainda 182,5 páginas, um livro por ano. Agora, quando você escreve uma página hoje; outra daqui a uma semana, vai ter que contentar com 52 páginas no final do ano. Estabeleça uma rotina, aproveitando pequenos espaços em sua agenda. Eu acordo cedo todo dia, e antes do trabalho sempre sobra uma hora, às vezes meia, para adiantar um pouco mais meu próximo livro. Se não consigo escrever de manhã, durmo meia hora mais tarde, e o problema da falta de tempo está resolvido. Uma coisa que ajuda muito é escrever mentalmente, especialmente se você vive em uma cidade que tem muito trânsito. Ao invés de ficar escutando noticiários com as mesmas notícias do dia, ou ouvindo as 10 músicas da moda, que as rádios tocam à exaustão, pense como se estivesse escrevendo. Elabore o texto, vá descobrindo falhas, formas melhores de dizer as coisas, vá elaborando a história. Não precisa se incomodar em gravar sua voz ou escrever algo; mais tarde, quando você sentar para escrever, as melhores idéias retornaram, e com certeza as piores serão substituídas por algo que seu inconsciente elaborou no processo de esperar o momento de escrever. Esta rotina de "escrever mentalmente" ajuda em muito a resolver o último problema: a falta de disposição para escrever. Quando estamos sintonizados com um livro, com as idéias circulando na mente, pedindo para serem escritas, sempre conseguimos um espaço em nossa agenda! Um notebook, obviamente, ajuda muito nisso, pois permite que possamos escrever em qualquer lugar. Creio que já mencionei isso anteriormente, mas Isaac Asimov, um dos mais prolíficos escritores de Ficcção Científica, começou a escrever quando trabalhava na pequena loja do pai, anotando suas histórias no espaço que sobrava entre atender um cliente e outro. Siga este exemplo e revise sua agenda, você irá se surpreender com a quantidade de tempo que é possível dedicar à Nobre Arte! Ou vai dizer que aqueles 15 minutinhos que você retorna mais cedo ao trabalho, depois do almoço, são melhor gastos fazendo seu chefe um pouco mais rico? ;)

28 de maio de 2009

13 dicas para quem quer - de verdade - ser escritor

Aos amigos que acompanham o Blog, seguem minhas desculpas pela demora deste post. Minha expectativa atual é atualizar o blog duas vezes por mês, até porque estou na correria de acompanhar meus livros já lançados enquanto escrevo o próximo, que tem o título provisório de "As incríveis memórias de Samael Duncan". Mais sobre isso um outro dia... Para hoje, pensei em listar, de maneira solta, algumas "boas práticas" para quem quer ser escritor.
1. Leia, sempre e muito. Já ouvi alguns escritores famosos dizendo que quanto mais escreviam e se tornavam conhecidos, menos liam, por falta de tempo. Espere, portanto, ser rico e famoso para parar de ler - antes disso, você precisa de conteúdo!
2. Escreva todo dia, nem que seja meia página. Meia página por dia significa, ao final do ano, cento e oitenta e três páginas - pense nisso!
3. Não tenha medo de jogar fora o que você escreveu. Só guarde o que você realmente gostou! Lembre-se que você será avaliado sempre pela qualidade do que escreveu, e não pela quantidade!
4. Releia o que você escreveu, rabisque e escreva de novo. Eu tinha um certo preconceito quanto ler meus escritos depois de terminados, mas depois descobri que raramente o que escrevemos fica bom na primeira tentativa!
5. Quando tiver uma boa idéia, escreva desordenamente, o que vier à mente, em frases soltas. O que importa é não perder a idéia.
6. Aprenda a ser interrompido e continuar seu trabalho depois. Isaac Asimov, o mais prolífico dos escritores de Ficção Científica, começou sua carreira enquanto ajudava o pai no balcão de sua loja; sendo interrompido a cada cliente. Ele dizia ser capaz de parar uma frase no meio de uma palavra, e depois retornar exatamente ao mesmo ponto.
7. Deixe um pequeno bloco ao lado da cama, e anote seus sonhos imediatamente após acordar. Tenha certeza que você os esquecerá cinco minutos depois - assim funciona nosso cérebro -; e os sonhos são uma fonte riquíssima de idéias!
8. Leve este bloquinho com você, e anote as idéias quando aparecerem.
9. Organize seus pensamentos e anotações em listas ou mapas mentais (se não sabe o que é isso, procure na internet...). Esta é a forma mais prática de transformar pensamentos soltos em histórias coesas.
10. Escreva com a mente. Sempre que possível, imagine as continuações possíveis daquela história que você está escrevendo; pode ter certeza que isso ajudará muito na hora de efetivamente colocar as idéias no papel.
11. Interaja com outros escritores, pintores, artistas de teatro, pessoas criativas em geral. Criatividade é uma arte que se aprende, e que cresce em contato com outras criatividades!
12. Faça uma lista do que você acha importante para ajudar em sua carreira de escritor, priorize e pendure em sua mesa de trabalho. Trabalhe mentalmente e oriente seus esforços em direção aos pontos de sua lista.
13. Divulgue sua lista em nosso blog! :)
Forte Abraço, espero seus comentários e sugestões!

12 de maio de 2009

Pós-Publicação, ou "O gado só engorda sob o olhar do dono"

Uma das maiores dificuldades para o escritor, após conseguir uma editora que publique seu original, é a distribuição dos livros e a venda do que foi distribuído. "Mas isso é preocupação da editora", certo? Errado! Se você publicou por uma pequena editora, pode ter certeza que será distribuído, com sorte, apenas às pequenas livrarias, e apenas em sua cidade. Neste caso, a atuação do escritor é fundamental! Apenas para citar alguns exemplos, conheço três escritores que publicam apenas localmente (em Brasília) e que vivem de suas obras - justamente porque sabem que este esforço de divulgação é necessário. Dois deles vendem seus livros em bares, restaurantes e eventos culturais da cidade; sendo que um destes já montou uma livraria apenas com o rendimento de suas obras! O terceiro circula dioturnamente pelas livrarias da cidade, negociando consignações e apresentando seu livro para gerentes, vendedores e leitores que porventura estejam na loja no momento... Parece um esforço que tem pouco a ver com o perfil de escritor, e há muitos escritores que não gostam de, ou não têm perfil para, atuar como "vendedores". Mas há outras formas de divulgar seu trabalho! Se você conseguiu publicar por uma editora de médio ou grande porte, seu livro chegará às livrarias de duas formas: Ou através de uma distribuidora, ou diretamente pelos canais de distribuição das grandes livrarias. De qualquer forma, sua presença ainda é necessária. As grandes redes de livrarias e os distribuidores dão destaque aos livros que estão vendendo mais e, especialmente, aos livros que estão na grande mídia. Qualquer importância que sua editora tenha dado ao livro se perde no meio do caminho, pois raramente qualquer material promocional chega às livrarias.E é neste ponto que o autor deve atuar: tornar as livrarias cientes de seu livro existe. Os caminhos para isso são muitos, e passam por:
  • sensibilizar a livraria: lançamentos e tardes de autógrafos, palestras em eventos organizados pela livraria.
  • sensibilizar a mídia: escrever artigos para jornais ou revistas, buscar espaço em programas dedicados à literatura na TV e rádio, etc
  • entrar em contato com seu público leitor: postar comentários no twitter, dar palestras em escolas e cursos superiores, criar vídeos no YouTube, participar de eventos literários, criar um site para entrar em contato com leitores, participar de grupos de leitura, reais ou virtuais, escrever um blog...

Formas de divulgar seu trabalho há muitas, e todas são válidas. Enviem seus comentários - aceito sugestões!

13 de abril de 2009

Escrevendo seu primeiro romance

Um romance não é um conto comprido! Joaquim Nabuco disse, certa vez, que o “Romance é a imaginação abrangendo e modelando a vida”. Já M. Paulo Nunes falou que “A função do romance é ser a expressão maior e diríamos homérica, ou seja, épica, da vida contemporânea” Indepenente de sua definição, o romance é a sua oportunidade para explorar melhor personagens, locais, tramas, tempo, formas narrativas, e tudo aquilo que não pode ser explorado em um conto, que em sua essência é uma narrativa de tamanho mínimo e impacto máximo. Vários autores com quem conversei começam a escrever seus romances da mesma forma como escrevem contos: sabem como a história começa, tem um idéia, mais ou menos precisa, de onde ela levará e qual o fio condutor de cada trama e personagem, e simplesmente saem escrevendo, da primeira à última página. O detalhe importante, aqui, é que todos com que conversei sempre sabem como a história irá terminar, ou pelo menos tem uma idéia vaga sobre isso. O que acontece na verdade é que este final pode, eventualmente, ser modificado conforme a narrativa vai se desenrolando, mas sempre se inicia com um final em mente.Saber onde a história termina é o que dá rumo a cada um de seus passos! Dito assim, isso pode até parecer óbvio, mas começar a escrever sem saber o final é um erro comum entre autores iniciantes.Já fui consultado algumas vezes por escritores que têm uma excelente idéia sobre como começar uma determinada história, mas pedem sugestões sobre como terminá-la. A questão é que, se você não sabe onde a história termina, você não sabe se ela é boa! Existem dicas que ajudam a desenvolver a história e facilitam ao próprio autor "descobrir" como sua história termina, para poder escrevê-la!Falaremos disso no próximo post!

7 de abril de 2009

O que é leitura crítica?

Antes de entrarmos no processo de produção e organização das tramas do livro, após a etapa de gestação que validou que sua idéia "merece ser escrita", faremos uma pequena pausa para falar sobre Leitura Crítica, seguindo a sugestão de um colega escritor.
O que é a Leitura Crítica

Avaliar um original, seja um quadro, uma composição musical ou um livro, é sempre uma tarefa subjetiva. Por mais que tentemos objetivar a análise, dividindo a obra e analisando-a sobre diferentes aspectos, ainda assim sempre resta uma grande dose de subjetividade, sendo portanto o resultado, em última instância, uma visão pessoal do avaliador. O que torna uma leitura crítica valiosa é ter uma posição de um leitor que não dará sua opinião simplesmente para agradar o autor, pelo contrário, ele estará procurando falhas que possam comprometer original. Obviamente, as opiniões do leitor crítico se baseiam em sua experiência como leitor e, inevitavelmente, podem ser influenciadas por seu gosto pessoal; de forma que sua opinião não é um atestado de qualidade (ou de falta desta); mas sim pontos de partida para que o autor veja sua obra por outros olhos e possa, caso desejado, burilá-la para torná-la mais palatável ao leitor.

Como funciona a Leitura Crítica

1 de abril de 2009

O valor e o conteúdo da pesquisa...

  senso (mais ou menos) comum que uma pesquisa de qualidade pode fazer toda a diferença quando produzindo um romance, uma vez que permite ao autor dar densidade à obra e profundidade aos fatos e personagens.
O que gera polêmica, muitas vezes, é o que pesquisar, ou melhor, o que efetivamente utilizar do resultado de suas pesquisas.
Por exemplo: em "O Código Da Vinci", o cerne da história é a possibilidade de Jesus Cristo ter tido filhos com Maria Madalena. Creio que posso falar isso sem problemas de "estragar a surpresa" de ninguém, uma vez que cerca de 10% da população leitora do país (segundo a pesquisa do institudo "Viva Leitura") já leu o livro... Por absurdo que pareça, este ponto tem uma base "factual": um fragmento de um evangelho apócrifo que diz que “Jesus Maria de Madalena”, onde , em hebraico, é um termo que significa ser amigo, irmão, esposo, companheiro ou qualquer outro relacionamento. Como o hebraico antigo era uma língua muito pobre, este tipo de "termo amplo" é bastante comum. Ora, há diversas correntes de historiadores e curiosos se debruçando sobre textos antigos, e é inevitável que um deles chegasse à "brilhante" conclusão, mesmo que sem outros fatos para apoiar a tese, de que este fragmento indica que Jesus era casado com Maria de Madalena. O que o autor fez foi simplesmente escolher a versão que melhor embasava sua história fictícia.
Um outro exemplo, de autor brasileiro, é "O Nome da Águia". O "Rolo da Guerra", um dos manuscritos encontrados na região de Quram (próximo ao Mar Morto) em 1947, conta a história da luta dos Kedoshim, chamados de "filhos da Luz", contra os Kittim, "os filhos das Trevas". Os Kittim, 'cujo símbolo é a águia', são 'seres terríveis, crianças e mulheres se escondem de medo quando eles se aproximam', e etc. Há diversas correntes de historiadores que defendem que os Kittim são os romanos; outras que defendem que eles seriam um povo rival dos hebreus, e outros ainda dizem que eles seriam, apenas, uma outra seita judaica, rival dos Kedoshim. No livro, escolhi a versão mais adequada à história. Da mesma forma, no livro é mencionado que o símbolo do partido Republicano americano, quando foi fundado, era uma águia. O símbolo atual é um elefante, mas como isso não é relevante para a história, o fato não merece destaque! Resumindo: Pesquise de tudo, e muito. Ao fim, selecione os fatos que melhor embasem sua história - desde que sejam verdadeiros, não precisam ser os mais conhecidos ou reconhecido academicamente. E para concluir uma dica mais óbvia, com foco no mercado: As versões mais polêmicas sempre geram histórias melhores, mais instigantes e com mais possibilidade de despertarem o interesse dos leitores e da mídia. Fuja do escândalo, mas aproxime-se sempre que possível do polêmico - desde que isso não fira sua arte!

24 de março de 2009

Uma questão de estilo...

E
stilo, segundo entendo, é a alma do escritor, é a forma única e inconfundível como ele escreve seus textos. É como uma impressão digital: você pode até achar semelhanças entre dois estilos, mas nunca encontrará dois iguais.
Dito isto, vale ressaltar que todo escritor, principalmente os iniciantes, pode se beneficiar e evoluir seu estilo "apreendendo" o estilo de outros. Vejam que falei apreendendo, prestando atenção, e não "aprendendo", pois suponho que o estilo não é algo a ser aprendido, mas sim desenvolvido.

Apenas para dar alguns exemplos, vou tentar "simular" aqui o estilo de dois escritores que admiro bastante: Stephen King e Neil Gaiman.

A situação: À noite, um homem (que chamaremos de Neil King) dá um beijo na esposa, sai de casa e encontra um gato morto.

Versão Stephen King: Neil aproximou-se da esposa e envolveu sua cintura com o braço, dando um beijo caloroso. O beijo deixou-lhe um estranho gosto de despedida na boca, como se aquela fosse a última vez que a veria. E realmente era. O rangido da porta soou como um gemido agudo de alguma casa abandonada, embora ele tivesse novamente colocado grafite nas dobradiças no dia anterior. Do lado de fora, a lua o encarou como um olho amarelo e doentio, enquanto ele cruzava a distância que o separava da calçada. A noite estava impossivelmente silenciosa, como se o ar estivesse tão pesado que o próprio som de suas passadas não conseguisse chegar aos ouvidos. Na calçada, seus olhos foram desviados para um estranho montículo, que não estava ali quando chegara, poucas horas antes. Sua nuca se arrepiou quando viu o gato morto. Não porque estivesse morto, desde criança Neil estava acostumado a ver animais mortos na rua em frente à sua casa; mas algo estava definitivamente errado com aquele gato, algo que ele não sabia precisar. Seu estômago pesou e suas mãos começaram a suar, quando ele se aproximou do animal e descobriu que...

Versão Neil Gaiman: Neil – ou King, como seus amigos o chamavam – se moveu fluidamente pela casa, quase como uma dança, enquanto pegava suas coisas e se aproximava da esposa, na cozinha. Ela retribuiu seu beijo com aquele sorriso entre maroto e ingênuo que sempre o deixava imaginando como uma mulher como aquela havia se interessado por um cara como ele. Ainda dançando, Neil abriu a porta e saiu para a noite. Enquanto vencia a distância até a calçada, ele sentiu sobre si os olhares de mil deuses antigos, espiando o mundo dos homens através de suas estrelas particulares. Seu olhar foi atraído por um gato morto, no canto da calçada. Sem saber exatamente porque, o gato lhe lembrou Bubastis, deusa-gato que ele havia conhecido anos antes em um documentário sobre o Egito antigo. Neste momento, uma das estrelas que o espiavam brilhou mais intensamente, apenas por meio segundo, tempo suficiente para que...

Tamanho das frases, uso de metáforas, uso de palavras e referências mais ou menos usuais, voz passiva ou ativa, forma de narração, inclusão de mais ou menos detalhes, quebra dos parágrafos, concentração mais nos sentimentos e personagens ou mais nos detalhes que os envolvem... São mil os detalhes que compõe um estilo.
Releia os textos acima e tente decifrar estes elementos. Semana que vem conversamos mais! :)

2 de março de 2009

Escolhendo uma (boa) idéia para seu livro

Como saber se uma idéia é "boa"? Desnecessário dizer que "boa" é um conceito altamente discutível, mas vamos nos ater aqui a um "boa" que significa "boa o suficiente para criar um livro que seja mais facilmente aceito pela público leitor". E mesmo isso é discutível, uma vez que não há uma fórmula certa para o sucesso... Mas deixemos a filosofia de lado e vamos em frente! Comece avaliando sua "idéia candidata" com duas perguntas simples: Esta idéia é única? Por que vale a pena contá-la? Uma idéia só vale à pena ser contada, a meu ver, se tiver um "quê" de original. Se vou escrever uma cópia do Harry Porter, por que as pessoas comprarão meu livro, ao invés do livro original? Detalhe: o diferencial de sua idéia pode ser, por exemplo, o ponto de vista do personagem ou a forma de contar a história. Por exemplo, se quero escrever um livro sobre um homem que vira uma barata (como em "A Metamorfose", de Franz Kafka), posso ser original se minha idéia for escrever a história do ponto de vista das baratas... ;) Quanto à segunda pergunta, ela se refere a avaliarmos o cerne a idéia, a mensagem que a idéia passa, e não apenas a história em si. Voltando ao nosso exemplo, "A Metamorfose" não é na verdade uma história sobre um homem que vira barata, mas sim uma história sobre a desumanização das pessoas frente a uma sociedade industrial e um sistema burocrático e opressor. Assim, volte àquela sua idéia para escrever um romance e se pergunte: O que eu quero dizer com isso? Esta idéia é realmente original? Por vezes, ajuda pensar no que os leitores dirão quando alguém lhes perguntar "sobre o que é a história?" e "a história se parece com o quê?". Se você está confortável com as respostas, e acha que sua idéia vale à pena, não se afobe que há um longo caminho a percorrer antes da idéia "virar uma história"; começando pela pesquisa. Semana que vem falamos sobre isso!

30 de janeiro de 2009

Artigo na revista "Conhecimento Prático - Literatura"

Pablo Neruda disse, certa vez, que “Escrever é fácil: Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca idéias.”. No entanto, eu acredito mais nas palavras de Samuel Johnson: “O que é escrito sem esforço, geralmente é lido sem prazer”. Ora, o escritor, como artista, deve ter toda a liberdade para expressar suas idéias. Mas como todo bom artista sabe, o corpo e a mente são feras a serem domadas, sob a pena de o artista não conseguir expressar aquilo que realmente desejou expressar. Aí é que entra a técnica, que dentro de cada arte orienta a liberdade do artista. Não há uma única técnica, nem uma única forma de organizar as diversas técnicas... Mas na próxima semana falaremos sobre isso! Esta semana, gostaria de convidá-los a comprar a revista "Conhecimento Prático - Literatura" (anteriormente conhecida como "Discutindo Literatura"), da editora Escala, onde foi publicado meu artigo "Como Escrever um Romance de Sucesso". O artigo ficou muito bom, e apresenta uma boa visão geral sobre as técnicas envolvidas na criação de um romance "blockbuster"! Comentários, dúvidas e críticas sobre o artigo são bem vindos aqui no Blog!

22 de janeiro de 2009

Como Escrever um Romance de Sucesso

O romancista, contista e autor de peças teatrais William Somerset Maugham (1874-1965) disse certa vez que “Existem três regras para saber escrever ficção. Infelizmente ninguém sabe quais são elas”. Provavelmente ele estava certo – pergunte a dez escritores sobre seus processos de escrita, e você ouvirá dez respostas diferentes – mas ainda assim é possível perceber determinados padrões em romances de leitura rápida e que tiveram grande aceitação pelo público. Os americanos têm um nome para este tipo de romance: “page-flippers” ou “page-turners”, literalmente, “viradores de páginas”. E embora o mercado americano seja abundante em obras que analisam as técnicas usadas pelos autores destes romances, o Brasil ainda carece de livros que detalhem mais profundamente este assunto. Vale destacar uma motivação adicional para analisar estes romances: enquanto um romance que vende entre 15.000 e 20.000 unidades já pode ser considerado um “best-seller” no Brasil, segundo a CBL (Câmara Brasileira do Livro), o “Código da Vinci” de Dan Brown passou da marca de oito milhões de cópias vendidas. Portanto, seja por mera curiosidade, seja por um desejo de entender e quem sabe aproveitar-se das técnicas deste tipo de romance, vale o estudo de algumas de suas características comuns.Teve sua curiosidade despertada?Semana que vem começamos a explorar estas características, começando pelo ponto mais básico: como escolher uma idéia que vale à pena.Até lá!