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19 de maio de 2010

Convite - Encontro com a Casa de Autores

Prezados(as) A Arco Iris Distribuidora de livros, em parceria com a associação das editoras Berlendis&Vertecchia, Biruta, Mercuryo Jovem, Nova Alexandria, Panda e Peirópolis. Convida sua escola (coordenadores, professores, alunos, adultos em geral) para participar do 1º encontro dos autores do Grupo. Após as palestras um bate-papo descontraído e troca de experiências entre público e escritores. Segue o convite abaixo. Para confirmar sua presença você pode responder por e-mail. Informações: (61) 3244-0940 – (61) 9966-0441 – (61) 9966-0523 – (61) 8473-6816 Vagas limitadas. Os livros dos autores estarão à venda no local. Até lá !!!

5 de maio de 2010

As incríveis memórias de Samael Duncan - Cila, Parte II

Continuando com a pausa nas dicas para escritores, segue a segunda parte do capítulo 2 do livro em que estou trabalhando. Vou publicar trechos maiores, então teremos apenas mais 2 partes depois desta. Aceito críticas e comentários! :)
Veneza, Itália, verão de 1927. Caminho maravilhado pelos passeios da cidade. Meus olhos procuram detalhes, indo bem além da Piazza San Marco e da catedral de San Giorgio Maggiore, perdendo-se em becos estreitos e alamedas meio submersas, onde gôndolas e caponeras colorem as ruas outrora povoadas por cavalos e carruagens. Admirava-me o fato de os andares térreos de todos os prédios encontrarem-se parcialmente submersos, sendo o acesso realizado pelo primeiro andar; nível no qual se encontram as atuais calçadas e pontes. Em alguns pontos da cidade, mesmo o primeiro andar perigosamente se aproximava da água. O fim do longo dia me surpreende andando pela periferia da cidade, na Via de San Lorenzo, onde uma pequena feira que se estende até a Via Borgolocco vende peixes e frutas, além de delicados artesanatos em vidro criados por caprichosos sopradores e tecidos crus bordados por gordas matronas sorridentes. Procurando o caminho à hospedaria onde estava passando as noites, passei por uma casa abandonada e, ao cruzar uma estreita ponte sobre o que outrora provavelmente fora uma rua comercial, um ponto de luz me chamou a atenção. De cima da ponte, pude reparar que a luz bruxuleante de uma vela iluminava as vidraças meio cobertas pela água do andar térreo da antiga habitação. Movido por um estranho sentimento, como se algo me levasse a tal, retrocedi sobre meus passos e sem muita dificuldade adentrei na construção abandonada, cuja porta havia sido substituída por duas tábuas pregadas no batente, em um grande xis. O chão antigo rangeu perigosamente sob meus pés quando, buscando as partes mais sólidas, aproximei-me de uma escada de pedra que descia para o andar inferior. Com meu italiano arrastado, aprendido anos antes nos parreirais do sul da Itália, perguntei se havia alguém por ali. A resposta atingiu-me com uma força que não posso descrever, pois antes mesmo que meu cérebro entendesse a ordem para sair dali; minhas pernas já haviam começado a se mexer, como se tivessem vontade própria. Foi quase na porta de saída, com o coração aos saltos, que finalmente comecei a decifrar o que havia sido falado. Era um som estranho, conflituoso, que apesar de claramente ter sido dito apenas por uma pessoa, chegara a meus ouvidos como se duas vozes houvessem ordenado simultaneamente que eu saísse. No entanto, apesar de nenhuma palavra ter sido dita, eu sentia como se uma terceira voz tivesse me sussurrado aos ouvidos: “Ajude-me”. Foi esta terceira voz, apenas pressentida, que me fez cautelosamente retornar, parando novamente à beira da escada e falando, agora com um tom mais gentil, que eu não queria incomodar, mas oferecer ajuda. Novamente, a estranha voz veio do andar inferior, meio coberto de água. Mas desta vez pude perceber claramente que apenas uma voz falava, num tom quase rouco de velhice, mas que deixava entrever tratar-se de uma mulher: “Saia daqui! Não quero ajuda!”. E, embora as palavras fossem inequívocas, o tom de desespero na voz era agora ainda maior do que antes. Pedi licença e desci os negros degraus.

26 de março de 2010

Entrevista na TV Senado sobre criação literária

CONVITE: Amigos, Convido todos a assistirem minha entrevista na TV Senado, onde falo sobre criação literária, oficinas e, obviamente, sobre meus livros, especialmente "O Nome da Águia" (www.oNomeDaAguia.com). Agradeço a quem puder divulgar! Horários:
  • Domingo 28/03, às 08:00h e novamente às 20:30h;
  • Sábado 03/04, às 09:30h e às 20:00h.

22 de fevereiro de 2010

Oficinas Literárias, Oficinas de Escrita Criativa, Oficinas de Criação de Texto, Oficinas...

O Brasil viu, nos últimos anos, o crescimento da oferta e do número de pessoas interessadas em participar de oficinas de escrita criativa.Para entender um pouco deste movimento, precisamos estudar as suas origens, no movimento similar que ocorreu nos Estados Unidos e que ganhou força na segunda metade do século passado. Estas oficinas, nos Estados Unidos, desembocaram na criação de diversos cursos universitários com aulas práticas de literatura, e se tomaram tal vulto que Mark McGurl, em “The Program Era”, chega a dizer que é impossível comprender a literatura norte-americana do pós-guerra sem conhecer os programas universitários de escrita criativa.Diversos autores nacionais foram beber desta fonte, como Affonso Romano de SantAnna, Raimundo Carrero e Charles Kiefer, que estudaram na universidade de Iowa e se tornaram destacados escritores e renomados divulgadores da arte da escrita. Raimundo Carrero conduz oficinas de escrita criativa de altíssima qualidade em Pernambuco, e reuniu as experiências de 15 anos de oficinas no livro “Os segredos da Ficção”, publicado em 2005 pela editora Agir. Charles Keifer apresenta oficinas semelhantes há vinte anos no Rio Grande do Sul, e além de uma vasta bibliografia traduziu para o português alguns livros sobre técnias de escrita, como “Como aprendi a escrever” de Máximo Gorki e “Assim se escreve um conto”, de Mempo Giardinelli, e outros. Affonso Romano de SantAnna, já nos anos 70, uniu-se a Silviano Santiago e realizou as primeiras oficinas dentro de universidades brasileiras (no caso, a PUC-RJ), lançando livros como “Por um novo conceito de literatura brasileira" e “O que aprendemos até agora”, relatando suas experiências nos cursos de letras. Depois destes pioneiros, muitos outros escritores abriram caminho e estabeleceram oficinas que já se tornaram referência de qualidade, em diversos estados. É o caso, por exemplo, de Marcelino Freire, que apresenta oficinas (sempre lotadas) na Casa das Rosas e no espaço Barco, em São Paulo; das quase cem oficinas realizadas para a Fábrica de Textos pela escritora Sônia Belloto (autora de “Você já pensou em escrever um livro”, com múltiplas edições); do “Laboratório do Escritor”, que acontece na Realejo Livros, em Santos; das oficinas oferecidas pela Casa do Saber; das oficinas de produção de texto de Luiz Antonio de Assis Brasil e Luís Augusto Fischer no Rio Grande do Sul; das oficinas de Oswaldo Pullen em Brasília (uma delas começando agora em março - inscrições abertas), e muitas outras. Os exemplos das oficinas são muitos – com certeza esqueci de mencionar diversas delas. No entanto, o objetivo destas oficinas é um só: mostrar que escrever não é (apenas) um dom e mais, mostrar que existem técnicas que ajudam a vencer o medo de escrever, organizar seu texto e produzir trabalhos de melhor qualidade. Além disso, a troca de experiências nestas oficinas ajuda a estimular tanto a imaginação quanto o lado crítico dos participantes, dando a eles instrumentos para melhor entender os trabalhos de outros escritores e, com isso, também aprimorarem os seus. Recomendo fortemente a todos os leitores realmente interessados em escrever um romance que participem de oficinas literárias, mais de uma, se possível. A cada oficina aprendemos mais um pouco, e aprendemos que o que faz um bom escritor é tudo que ele aprendeu, e mais, como ele sabe transpor isso para sua obra.

9 de fevereiro de 2010

Clareza e Concisão, dois dos melhores aliados de um escritor

Todo texto literário precisa ser conciso e claro, em especial aquele que pretende estar entre os poucos escolhidos por uma editora para publicação. Os conceitos de clareza e concisão, e a discussão sobre como, quando e porque utilizá-los, dariam para encher um livro, pelo que vamos apresentar aqui apenas uma visão geral sobre estes assuntos. Grosso modo, podemos dizer que clareza é a capacidade de um texto de ser facilmente entendido pelo leitor. Vamos a um contra-exemplo bastante conhecido, dois versos de nosso hino nacional:
"Ouviram do Ipiranga as margens plácidas, de um povo heróico o brado retumbante".
O trecho não chega a ser confuso, mas o uso excessivo da ordem indireta torna a frase bem menos clara para o leitor comum. Colocando na ordem direta, o sentido da frase fica bem claro:
"As margens plácidas do (rio) Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico".
Outro problema comum que gera falta de clareza é o uso excessivo de palavras pouco comuns. Um contra-exemplo excepcional é o divertido texto "Conforme o combinado", conto escrito com o objetivo de ser pouco claro, pelo colega André Luiz de Viana Barcellos: "Urge a necessidade que grassa pelo globo de uma posição ideológica neutra. Todavia, mediante as circunstâncias crônicas em que vive o mundo, torna-se inconcebível tal candura cotidiana. É deveras auferível a assaz impregnação do odor fétido-feérico que colide com tais coisas. É o odor metafórico que exalam os pecadores militantes e juramentados. Estes mambembes recalcitrantes aludem a tal situação... " etc. As palavras da abertura do conto, vistas uma a uma, não tornariam um texto incompreensível, mas quando unidas tornam o trecho difícil de ser apreendido com uma leitura rápida.
Já a concisão refere-se à capacidade do texto de dizer o que apenas precisa ser dito, apenas o que agrega valor à narrativa, e apenas isso. Um bom texto deve ser conciso em diversos níveis, começando por evitar palavras e explicações desnecessárias, e chegando às tramas, onde ações que não contribuem para a evolução da história ou para uma melhor compreensão dos personagens devem ser evitadas. Passemos a um exemplo simples, começando pela versão concisa: "Com o coração pesado, Percival viu o sol se pôr." Agora, uma versão prolixa incluiria adjetivos, apostos e digressões: "Com o coração pesado como uma pedra, sentado em uma cadeira cuja palha gasta por muitos sóis já começava a ceder, Percival, com os ombros doridos pelo esforço descomunal que fizera na construção da barraca viu o sol se por no horizonte, em matizes de dourado e rosa." Apesar de ser um consenso entre escritores que os textos devem sempre buscar a clareza e a concisão, como em tudo na literatura não existe uma regra de ouro que indique qual é o equilíbrio ideal para estas características – afinal, a poesia de um texto pode estar justamente em ferir algumas regras. Cabe a cada autor experimentar, exercitar e descobrir o seu próprio “ponto ideal”.

20 de janeiro de 2010

Perca o medo de escrever agora - pergunte-me como!

Escrever é uma atividade, por natureza, solitária. No entanto, aprender a escrever não precisa ser - na verdade, não deve ser! E quando falo "aprender a escrever", na verdade quero dizer "aprender a escrever algo que outras pessoas apreciem ler". Troque experiências, converse, leia, esteja sempre em contato com outros escritores – pode ter certeza de que isso não irá “ferir a sua arte particular”, pelo contrário, irá apenas dar mais instrumentos para que você possa melhor expressá-la. Existem muitas oficinas, livros e blogs com conselhos sobre como escrever bem, mas a verdade é uma só: você só aprende a escrever escrevendo! Nada justifica não escrever AGORA se você tem vontade; deixe as desculpas de lado e comece logo. O que você escrever vai ser, provavelmente, aquém do que você gostaria - mas muitos grandes escritores descartam a maior parte do que escrevem; e isso faz parte do ofício: se você não escreve muitas ‘ostras’, não terá onde achar suas pérolas! Obviamente, para escrever um escritor precisa de "bagagem". Ele precisa não apenas ter conteúdo, ter o que dizer, mas principalmente precisa saber COMO dizer - e isso só se aprende lendo. Diversas vezes escutei novos escritores dizerem o total contrasenso (agora sem hífen...) “gosto de escrever, mas não gosto de ler”. É como se um músico dissesse “gosto de compor músicas, mas não gosto de ouvir música”! Continuando a receita: Além de ler muito, aprenda a observar, no sentido que Conan Doyle, através do seu (pouco amado pelo autor...) “Sherlock Holmes” , dava à palavra. Não apenas ver, mas OBSERVAR. Por exemplo: se você mora ou trabalha em um prédio, quantos degraus há entre um andar e outro? Estes degraus têm faixa antiderrapante para evitar escorregões? Usualmente eles estão limpos, ou têm alguma sujeira? Que tipo de sujeira? Se você já viu os degraus diversas vezes mas não sabe responder estas perguntas, é porque nunca os observou, efetivamente. A observação é a chave ativar a imaginação e a memória de um bom escritor, permitindo que ele crie histórias mais interessantes. E não basta a observação pela TV, são os pequenos detalhes que fazem a diferença. Qual o ruído de fundo de seu local de trabalho? Como são os cheiros em uma feira, em um mercado, em um parque, em um cemitério? Como são os olhares das pessoas que cruzam por você na rua? Um escritor precisa ser um leitor; precisa saber observar a realidade, e precisa saber misturar sua imaginação com sua memória para dar consistência aos mundos que criar. Mas acima de tudo ele precisa escrever – pois só se aprende a escrever escrevendo!

6 de janeiro de 2010

Divulgação - palestras do James McSill

Amigos! Seguem os convites para novas palestras do James McSill. Quem não o conhece, dê uma conferida em seu site, http://www.mcsill.net/. Vale à pena, especialmente para quem precisa de um "chá de realidade" sobre o mercado livreiro.
Caro autor, Está pensando em vender aquele manuscrito há muito descansando na gaveta? Inscreva-se para a série de três palestras patrocinadas pela Steps2. James McSill falando com autores que querem ser publicados: * Palestra 1: A estrutura básica (6 de Janeiro de 2010 - 10h00 Lisboa / 08h00 Rio de Janeiro) * Palestra 2: A estratégia (23 de Janeiro de 2010 - 21h00 Lisboa / 19h00 Rio de Janeiro) * Palestra 3: Preparação, planejamento e produção (6 de Fevereiro de 2010 - 21h00 Lisboa / 19h00 Rio de Janeiro) Para obter informações, clique no link abaixo. http://www.steps2.net/ Abraços, Jamie

4 de janeiro de 2010

O Sucesso ainda é uma questão de escrever boas histórias...

A
ntes de mais nada, Feliz Ano Novo para todos! Já escreveram suas metas para este ano?
As minhas incluem divulgar melhor meus livros, inclusive um sobre criação de jogos de computador (que sai no final de janeiro), escrever artigos para revistas literárias e culturais (como a Bravo!, Piauí, Nós, Discutindo Literatura, o jornal Rascunho, Entre Livros, Língua Portuguesa e outras), manter e divulgar mais este blog (é claro), com postagens a cada 15 dias; e terminar e conseguir editoras para os dois livros que comecei a escrever ano passado, além de participar de algumas feiras literárias de que tradicionalmente participo.
Para atingir estas metas, estou preparando uma agenda com as metas a realizar a cada mês, para poder focar as energias em objetivos de curto prazo, sem perder de vista os objetivos de longo prazo. Sugiro que vocês façam o mesmo. Lembrem-se que a persistência é tudo (uma página por dia leva a 365 páginas ao fim do ano); e que para escrever bem é necessário, antes de tudo, treinar! Então, o que estão esperando? Eu estou em dia com minhas páginas!

Mas não é sobre isso que eu queria falar. Comentei em postagens anteriores que o mercado livreiro é justamente isto: um mercado. Em outras palavras, o escritor precisa se preparar para encarar sua obra de arte como um produto, que só será atrativo para as editoras se tiver um potencial real de venda ou, em outras palavras, um público-alvo bem definido e de tamanho significativo.
Para poder enfrentar com sucesso o desafio de conseguir uma editora e, mais que isso, chegar aos leitores, o escritor precisa muitas vezes se desdobrar para conhecer o mercado, o esquema de distribuição, as livrarias, e muito mais.

E se o mercado nacional é assim, imaginem como é o mercado americano, que é ainda mais competitivo, mais voltado para números; um mercado onde um pequeno escorregão pode colocar uma carreira ascendente por terra. Qual não foi minha surpresa, então, ao ler um texto (dentre os materiais de estudo que comprei quando fui a Los Angeles) de um dos maiores agentes literários dos Estados Unidos, onde por diversas páginas ele disse e reforçou que o sucesso para qualquer escritor “ainda é uma questão de escrever boas histórias”.
Falando com propriedade, ele reconheceu os desafios e dificuldades de novos autores, e as barreiras que o próprio mercado erige por conta do excesso de profissionalização e enrijecimento dos processos de trabalho em editoras e agentes.
Mas ele reconhece, neste texto, que o editor e o agente literário, com raras exceções, são pessoas que entraram para o mercado livreiro justamente por causa de sua paixão por livros; e que estas pessoas, ao se depararem com um bom texto, farão de tudo para conseguirem publicá-lo.
Corroborando estas declarações, li diversos depoimentos de outros agentes literários que dizem se sentir como crianças à procura de tesouros escondidos quando iniciam a leitura de cada original, e que este sentimento de busca pelos textos de qualidade é o que os motiva a continuarem na profissão.
A meu ver, o autor precisa, sim, saber mais do que “só” escrever boas histórias para conseguir um espaço ao sol. Mas estes conhecimentos a mais são adquiridos com a experiência, com o passar dos anos e o contato com outros profissionais da área.

Então, agora sim, segue minha sugestão para o ano que inicia: Continuem escrevendo, não desanimem, e procure sempre que possível o contato com outros profissionais do mercado do livro!

 “Podem me chamar de sonhador, mas eu não sou o único” (John Lennon): Se você tem boas idéias, não está fechado para aprender, e tem persistência para continuar em frente, o sucesso é apenas uma questão de tempo.

16 de dezembro de 2009

Dicas para começar a escrever - e continuar escrevendo!

Como última postagem do ano, vou publicar algumas questões levantadas pelo colega Rafael Morgan (http://www.rafaelmorgan.com/) e, a seguir, as minhas respostas. Acredito que serão úteis para diversas pessoas. Estou saindo de férias, em janeiro volto com novidades! Abraços e obrigado a todos os que me acompanham!
Sempre tive minha criatividade, que carrego comigo desde criança, focada nas artes plásticas e visuais, no entanto, nesses últimos dias, senti um desejo tremendo de escrever. Comecei a esboçar alguns parágrafos, os quais pensava que acabariam por fundir-se em um conto. Me enganei. A minha idéia central, ou como você mesmo disse, o cerne da trama, foi crescendo de forma incontrolável, até o ponto em que eu acordei, no meio da noite, com uma trama longa e complexa, com começo, meio e fim. Acredito ser uma ótima história que pode, eventualmente, se tornar um bom livro. O enredo é, de certa forma, um pouco auto-biográfico mas estou tentando me desapegar dessa idéia, tanto para conseguir criar um personagem mais livre, quanto para que o desenvolvimento do livro seja mais leve e não embrenhe muito em meus medos, anseios e conflitos pessoais. Bom, se me permite, gostaria de fazer algumas algumas perguntas, já que, pela própria existência do seu blog, acredito que se sente motivado a ajudar novos escritores. Sempre que escrevo um novo capítulo ( estou no terceiro, quase no quarto) volto nos capítulos anteriores e modifico algumas ( ou muitas) coisas, com o objetivo de criar uma obra mais concisa. Isso, de algum modo, é um processo um tanto quanto desgastante. Esse tipo de atitude é comum entre os escritores ou apenas reflete minha falta de experiência na área? De qualquer forma, como sou muito perfeccionista, tentarei "polir" essa obra ao máximo. Existe alguma técnica específica que possa ajudar a evitar esse tipo de vai e vem? Às vezes, também sinto que falta alguma cola, liga entre os parágrafos? Existem expressões ou técnicas que ajudem a criar uma fluidez maior e, consequentemente, um andamento mais suave? Se conhecer algum livro que possa me ajudar, que cubra algumas dessas técnicas e que possa me auxiliar tecnicamente na construção dessa trama, poderia me indicar?
1) É normal voltar e reescrever, não se preocupe. À medida em que a trama for evoluindo, provavelmente você vai ter menos modificações estruturais, ficando apenas ajustes, digamos, "cosméticos". É bom ser perfeccionista, ou pelo menos é o que eu acredito, até porque também sou assim. Só cuidado para que isso não o canse e acabe desanimando. 2) Quanto à técnica, não existe uma forma única de escrever, mas quando estou escrevendo um livro onde a trama é sofisticada, o que ajuda é escrever apenas um ou dois parágrafos por capítulo, com a idéia central do capítulo, organizando com isso o "esqueleto" da trama. Com isso, ao fim deste trabalho você terá uma visão bem melhor do livro, diminuindo a reescrita quando for escrever os capítulos. Obviamente, estes poucos parágrafos por capítulo serão jogados fora depois, mas isso ajuda o livro a ser mais coeso desde o princípio, e dá um certo ânimo porque "vemos a coisa evoluir", se é que você me entende. 3) Quanto à "liga entre os parágrafos", isso já é mais difícil. O ideal é fazer o chamado "close reading" em textos de outros autores. Leia o livro "Para ler como um escritor", de Francine Prose, que você vai ver diversas dicas de como fazer isso. 4) Quanto à estrutura da trama, sugiro ler o "Você já pensou em escrever um livro?", da Sônia Belloto. Ela fala bastante bem desta questão. E espero terminar, daqui até o fim do ano, o "Como Escrever um Romance pronto para o Sucesso" (título provisório), que vai abordar estas e outras questões. :)

5 de outubro de 2009

"Para ler como um Escritor" - ou - Sobre a profissionalização do escritor

Amigos! Descoberto o mistério - por engano, publiquei este post em outro blog, da Casa de Autores (visitem!), grupo de escritores do qual faço parte. Segue o post, como deveria ter sido publicado na sexta passada. Até o fim da semana tem mais!
Como já falei aqui, estou lançando um livro ("Uhuru") depois de amanhã, neste sábado. Quem já passou por isso sabe como é: uma correria louca nos últimos dias, para deixar todos os detalhes certos, convidar a todos que devam ser convidados e muito mais; tudo isso regado a muito stress no estilo "pré-dentista", aquela agonia de ficar esperando pelo inevitável, que todos conhecem bem. Em suma: eu tinha tudo para adiar as postagens no blog, mas não resisti: Eu simplesmente PRECISO falar com todos que puder do livro que estou lendo, "Para ler como um escritor - um guia para quem gosta de livros e para quem quer escrevê-los", de Francine Prose, da editora Zahar. O livro é denso, por vezes até um pouco difícil de ler, no sentido que você quer reler o que acabou de ler para ter certeza de que entendeu bem, que apreendeu tudo o que podia. Mas é um dos livros mais gratificantes que li nos últimos anos! Vejam bem: Se você quer ser artista plástico, você ingressa em uma graduação de Artes Plásticas. Idem se você quer ser músico. No entanto, se você deseja ser um escritor, não há cursos superiores para isso. Ou melhor: Não havia cursos superiores para isso no Brasil. Não "havia", porque agora temos cursos na PUC-Rio e na Unisinos, no Rio Grande do Sul. E "no Brasil" porque, em outros países, cursos como estes são tão tradicionais quanto cursos de graduação para artes plásticas e música. E Francine Prose foi mestra nestes cursos em universidades como Harvard, Columbia e Iowa por mais de duas décadas, além de ser escritora. "Para ler como um escritor" é um curso para escritores desde a primeira página; e meu coração salta excitado cada vez que leio Francine formalizando aspectos da leitura e da escrita que sempre segui, de maneira intuitiva! Se você realmente deseja ser um escritor, a regra geral sempre foi ler muito, o tempo todo, e aprender com os erros e os acertos de outros escritores, ilustres ou nem tanto. Mas de todas as leituras que você pode realizar, acredito o livro de Francine provavelmente é a mais importante de todas!

14 de setembro de 2009

Agora no twitter...

Dois dias depois da postagem abaixo, fui "forçado" a entrar no twitter, levado pelos comentários de uma nova agente literária com quem troquei idéias... Pois bem: estou no twitter agora, acompanhando algumas coisas interessantes. Não devo piar muito (os "problemas técnicos" continuam...), mas quem desejar me seguir, o meu endereço é http://twitter.com/AlexandreLobao. Volto aqui em breve, com alguns comentários interessantes sobre o mercado editorial nacional...

11 de setembro de 2009

Vida de escritor... e Uhuru!

Se eu estivesse no twitter - ainda não estou por alguns problemas técnicos e, confesso, pura falta de vergonha na cara... - ficaria fácil explicar a demora desta nova postagem. Nas últimas semanas, praticamente terminei de escrever o livro "Como escrever um romance de sucesso" (título provisório), conversei por horas com três agentes literários, dois editores, diversos gerentes e coordenadores de livrarias, muitos escritores - alguns famosos e outros que ainda chegarão lá - distribuidores de livros, soube que "Uhuru", meu novo livro, será lançado em breve, e vários etc. Além de tudo isso, Ed, meu mini-schnauzer, faleceu, modificando toda a rotina da família com bastante tristeza. Como disse, se eu estivesse no twitter, estaria piando a cada cinco minutos. De todas as conversas que levei nestes dias , restaram muitas páginas de anotações, e muitos questionamentos e respostas que devo postar por aqui eventualmente, principalmente em torno da questão: Como fazer sucesso no Brasil, dada a nossa (falta de) política editorial de incluir uma verba para marketing no orçamento de cada livro?

Enquanto não organizo e passo a limpo estes novos pensamentos e opiniões, segue uma "avant-première" do lançamento de meu novo livro, "Uhuru". O convite oficial vai acontecer em breve! "Uhuru" é um menino magrelo, bom de bola e com um nome estranho, que à medida que cresce e enfrenta problemas na sua rotina de pré-adolescente, descobre aos poucos a história de seus antepassados e o segredo por trás de seu nome. Apesar do foco ser o público jovem, Uhuru é uma história para todos, que fala sobre superação, amor e coragem, e sobre o verdadeiro valor dos seres humanos, que transcende nomes ou raças. Vale o destaque para a bela arte de E.C.Nickel, ilustrador e desenhista de quadrinhos, que completou de maneira brilhante a emoção do livro! E tudo isso no estilo de "O Nome da Águia", com muita pesquisa histórica, ação e emoção! O livro estará em breve nas redes de livrarias Siciliano/Saraiva e Leitura, além do site da editora http://www.lgeeditora.com.br/. O lançamento será na livraria Cultura de Brasília, a partir das 16:00h do dia 03 de outubro. Vejo vocês lá!

28 de julho de 2009

Rodrigo Capella prepara lançamento virtual

Amigos! Hoje farei uma pequena pausa para divulgar o trabalho de Rodrigo Capella, escritor e incentivador da arte da escrita. O Rodrigo tem uma comunidade no Orkut com dicas para autores, e um de seus próximos lançamentos é justamente uma coletânea de dicas sobre o mercado editorial. Fiquem de olho no o lançamento (virtual)! Data e hora: 04 de agosto, das 18h30 às 20h00 Local: http://www.ustream.tv/clubedeautores! Forte Abraço, segue o convite oficial do Rodrigo!
O escritor e poeta Rodrigo Capella, 28 anos e autor de seis livros, entre eles “Transroca, o navio proibido”, que está sendo adaptado para o cinema pelo diretor Ricardo Zimmer, prepara o lançamento virtual de mais três obras inéditas, publicadas pelo Clube de Autores. São elas: “@ntologia online” (reúne textos dos escritores que participam da comunidade do Orkut “Dicas para publicar um livro”, criada por Capella); “Loucuras de um escritor” (traz textos sobre a viagem do escritor a Europa); e “Dicas para escrever, publicar e vender um livro” (com cinquenta orientações para quem quer entrar no mercado editorial). O lançamento virtual será no dia 04 de agosto, das 18h30 às 20h00, com chat, power point e vídeo, no endereço
http://www.ustream.tv/clubedeautores

13 de julho de 2009

Profissionalização do autor brasileiro

Olhando para o mercado americano, encontramos algumas dezenas de livros cujo público-alvo são os escritores; além de pelo menos duas revistas de circulação nacional. A realidade no Brasil é ainda bastante diferente, mas aos poucos as editoras vão percebendo que este é um nicho importante. Já li uns quatro livros a este respeito (todos que conheci no mercado nacional...), de cabeça lembro de dois deles: "Você já pensou em escrever um livro?", Sônia Belloto - http://www.ediouro.com.br/vocejapensou, Ediouro Com uma linguagem dinâmica e cativante, Você já pensou em escrever um livro? é um trabalho para quem lida com a escrita no dia-a-dia e para quem deseja se tornar um escritor de sucesso. O livro ensina métodos valiosos para romper bloqueios e produzir textos originais. Ensina também como arranjar tempo para escrever, os estilos pessoais, como dar vida aos textos e como desenvolver o potencial criativo de cada um, além de trazer orientações especiais sobre criação de personagens, diálogos e cenas que cativam os leitores. "Guia para Autores", Andrey do Amaral - http://www.andreydoamaral.com, ed. Ciência Moderna. Depis de terminar o original é que o escritor se dá conta das dificuldades da publicação. Entrar no mercado editorial é possível! Basta conhecer os segredos deste universo. Neste livro, você diminuirá os caminhos da tão sonhada publicação. Descrevemos os erros mais comuns e a forma correta de enviar sua obra para a editora certa. Há ainda os endereços das principais agências literárias do Brasil e do exterior, além das melhores editoras com a linha editorial definida. Facilitar é a nossa proposta. Este manual é bastante eficaz para quem deseja se destacar no concorrido mundo dos livros. E você irá conseguir! E para quem está começando, toda ajuda é boa. Então, dê uma pesquisada também na internet, que há muitos sites interessantes. Por exemplo:

Material não falta para quem deseja se profissionalizar. E não adianta ficar reclamando que o mercado é difícil, que não oferece condições para iniciantes, ou coisas do gênero.

Sobre isso, sempre lembro da resposta da Lya Luft a uma pergunta da platéia, em um evento literário aqui em Brasília (tirado de memória, com certeza as palavras dela não foram estas, mas a idéia sim):

"Como você conseguiu fazer sucesso tão rápido?"

"Trabalho com traduções, escrevo artigos e colunas para jornais e revistas e escrevo livros a 28 anos. De repente, o meu trabalho atingiu uma massa crítica, e meu livros começaram a ser lidos em todo o Brasil. Para quem só me conheceu quando cheguei à grande mídia, foi rápido. Para mim, foi a consequência de uma vida dedicada à escrita."

Resumindo, mais uma vez: não há fórmula mágica, nem caminho garantido para o sucesso. O que existe é o mercado, um ecossistema onde os mais fortes e persistentes conseguem se destacar.

Ou, em outras palavras: da próxima vez que for reclamar, não reclame: aja! Continue escrevendo e trabalhando para melhorar as condições de quem está começando, que todos juntos somos mais fortes!

29 de junho de 2009

Frequência, rotina e disposição

Depois de passar tanto tempo sem atualizar o Blog, o assunto só poderia ser este: Frequência, rotina e disposição. Um dos maiores inimigos de um escritor, a meu ver, é a preguiça. É o "amanhã eu faço". Muitos amigos meus me perguntam como consigo levar a rotina que levo e ainda conseguir um tempo para escrever.Minha resposta é sempre a mesma: O segredo está todo na frequência com que se escreve. Escreva uma página por dia, e ao fim do ano você terá 365 páginas escritas - isso se o ano não for bissexto! A matemática é simples; se escrever meia página, são ainda 182,5 páginas, um livro por ano. Agora, quando você escreve uma página hoje; outra daqui a uma semana, vai ter que contentar com 52 páginas no final do ano. Estabeleça uma rotina, aproveitando pequenos espaços em sua agenda. Eu acordo cedo todo dia, e antes do trabalho sempre sobra uma hora, às vezes meia, para adiantar um pouco mais meu próximo livro. Se não consigo escrever de manhã, durmo meia hora mais tarde, e o problema da falta de tempo está resolvido. Uma coisa que ajuda muito é escrever mentalmente, especialmente se você vive em uma cidade que tem muito trânsito. Ao invés de ficar escutando noticiários com as mesmas notícias do dia, ou ouvindo as 10 músicas da moda, que as rádios tocam à exaustão, pense como se estivesse escrevendo. Elabore o texto, vá descobrindo falhas, formas melhores de dizer as coisas, vá elaborando a história. Não precisa se incomodar em gravar sua voz ou escrever algo; mais tarde, quando você sentar para escrever, as melhores idéias retornaram, e com certeza as piores serão substituídas por algo que seu inconsciente elaborou no processo de esperar o momento de escrever. Esta rotina de "escrever mentalmente" ajuda em muito a resolver o último problema: a falta de disposição para escrever. Quando estamos sintonizados com um livro, com as idéias circulando na mente, pedindo para serem escritas, sempre conseguimos um espaço em nossa agenda! Um notebook, obviamente, ajuda muito nisso, pois permite que possamos escrever em qualquer lugar. Creio que já mencionei isso anteriormente, mas Isaac Asimov, um dos mais prolíficos escritores de Ficcção Científica, começou a escrever quando trabalhava na pequena loja do pai, anotando suas histórias no espaço que sobrava entre atender um cliente e outro. Siga este exemplo e revise sua agenda, você irá se surpreender com a quantidade de tempo que é possível dedicar à Nobre Arte! Ou vai dizer que aqueles 15 minutinhos que você retorna mais cedo ao trabalho, depois do almoço, são melhor gastos fazendo seu chefe um pouco mais rico? ;)

27 de abril de 2009

Pausa cômica - você tem perfil para ser um escritor?

Que no Brasil todo artista precisa ter um ego gigantesco, todos sabemos. Afinal, precisamos ser extremamente "confiantes" (para dizer o mínimo) para continuarmos animados a continuar com nossa arte. Para ajudar aqueles que ainda não se decidiram se irão se aventurar na carreira de escritor, fiz um pequeno teste, baseado em idéias tiradas, de lembrança, de um antigo número da revista americana "Writer's Digest". Vamos a ele: 1. Em uma festa, alguém por acaso menciona um fato curioso sobre algum momento histórico - por exemplo, a Inconfidência Mineira. Você: a) Muda de assunto, soltando algum comentário sobre futebol. (-1 ponto) b) Faz uma anotação mental sobre o fato, para o caso de algum dia escrever sobre isso (1 ponto) c) Anota o fato em um bloquinho que traz sempre à mão, usado para guardar idéias para futuro uso (2 pontos) d) Além de anotar, você entra na conversa e conta detalhes sobre a vida de Tiradentes ou de Tomás Antônio de Gonzaga, chegando a citar trechos de "Marília de Dirceu", até que todos fiquem te olhando estranhamente ou saiam de perto, de fininho (5 pontos) 2. Você vai a um cinema e se identifica com o protagonista do filme. Este protagonista é: a) Um ex-policial ou soldado que derrota, sozinho, centenas de terroristas (-1 ponto) b) Um advogado ou detetive que decifra enigmas de maneira inteligente (1 ponto) c) um escritor ou contador de histórias (2 pontos) d) Um profeta iluminado por Deus (5 pontos) 3. Ainda no cinema: Você vê um filme com recursos narrativos ou roteiros que chamam a atenção, como Amnésia, Magnólia ou Peixe Grande. Você: a) Não entende nada, e dorme, ou sai reclamando (-1 ponto) b) Gosta da história e sai comentando sobre os recursos narrativos (1 ponto) c) Gosta da história, sai comentando sobre os recursos narrativos e possibilidades de narração de histórias em diferentes mídias, como o cinema, quadrinhos e literatura (2 pontos) d) Sai quieto, imaginando como seria transpor e ampliar os recursos narrativos que viu para um livro (5 pontos) 4. Apesar de saber que menos de 1% das centenas de livros que chegam à uma grande editora no Brasil todo mês são efetivamente lidos, e que destes 1%, apenas 2 ou 3 chegam efetivamente a ser editados; e que dos livros que chegam a ser editados menos de 0,01% chegam a ser best-sellers, ainda assim você acredita que seu próximolivro será um best-seller... a) SIM (5 pontos) b) NÃO (Retorne ao seu emprego anterior - você não tem ego suficiente para ser um escritor!) Resultado: Menos de 8 pontos: Volte e releia, você deve ter se enganado na leitura, ou está no blog errado! 8 a 10 pontos: Você vai bem, mas leia e filosofe mais se quiser chegar lá! 11 ou mais pontos: Muito bem, você está no caminho certo! Só precisa parar de perder tempo fazendo este tipo de testes, e começar a escrever de verdade! Idéias para outras questões em nosso teste? Comentem! :)

13 de abril de 2009

Escrevendo seu primeiro romance

Um romance não é um conto comprido! Joaquim Nabuco disse, certa vez, que o “Romance é a imaginação abrangendo e modelando a vida”. Já M. Paulo Nunes falou que “A função do romance é ser a expressão maior e diríamos homérica, ou seja, épica, da vida contemporânea” Indepenente de sua definição, o romance é a sua oportunidade para explorar melhor personagens, locais, tramas, tempo, formas narrativas, e tudo aquilo que não pode ser explorado em um conto, que em sua essência é uma narrativa de tamanho mínimo e impacto máximo. Vários autores com quem conversei começam a escrever seus romances da mesma forma como escrevem contos: sabem como a história começa, tem um idéia, mais ou menos precisa, de onde ela levará e qual o fio condutor de cada trama e personagem, e simplesmente saem escrevendo, da primeira à última página. O detalhe importante, aqui, é que todos com que conversei sempre sabem como a história irá terminar, ou pelo menos tem uma idéia vaga sobre isso. O que acontece na verdade é que este final pode, eventualmente, ser modificado conforme a narrativa vai se desenrolando, mas sempre se inicia com um final em mente.Saber onde a história termina é o que dá rumo a cada um de seus passos! Dito assim, isso pode até parecer óbvio, mas começar a escrever sem saber o final é um erro comum entre autores iniciantes.Já fui consultado algumas vezes por escritores que têm uma excelente idéia sobre como começar uma determinada história, mas pedem sugestões sobre como terminá-la. A questão é que, se você não sabe onde a história termina, você não sabe se ela é boa! Existem dicas que ajudam a desenvolver a história e facilitam ao próprio autor "descobrir" como sua história termina, para poder escrevê-la!Falaremos disso no próximo post!

1 de abril de 2009

O valor e o conteúdo da pesquisa...

  senso (mais ou menos) comum que uma pesquisa de qualidade pode fazer toda a diferença quando produzindo um romance, uma vez que permite ao autor dar densidade à obra e profundidade aos fatos e personagens.
O que gera polêmica, muitas vezes, é o que pesquisar, ou melhor, o que efetivamente utilizar do resultado de suas pesquisas.
Por exemplo: em "O Código Da Vinci", o cerne da história é a possibilidade de Jesus Cristo ter tido filhos com Maria Madalena. Creio que posso falar isso sem problemas de "estragar a surpresa" de ninguém, uma vez que cerca de 10% da população leitora do país (segundo a pesquisa do institudo "Viva Leitura") já leu o livro... Por absurdo que pareça, este ponto tem uma base "factual": um fragmento de um evangelho apócrifo que diz que “Jesus Maria de Madalena”, onde , em hebraico, é um termo que significa ser amigo, irmão, esposo, companheiro ou qualquer outro relacionamento. Como o hebraico antigo era uma língua muito pobre, este tipo de "termo amplo" é bastante comum. Ora, há diversas correntes de historiadores e curiosos se debruçando sobre textos antigos, e é inevitável que um deles chegasse à "brilhante" conclusão, mesmo que sem outros fatos para apoiar a tese, de que este fragmento indica que Jesus era casado com Maria de Madalena. O que o autor fez foi simplesmente escolher a versão que melhor embasava sua história fictícia.
Um outro exemplo, de autor brasileiro, é "O Nome da Águia". O "Rolo da Guerra", um dos manuscritos encontrados na região de Quram (próximo ao Mar Morto) em 1947, conta a história da luta dos Kedoshim, chamados de "filhos da Luz", contra os Kittim, "os filhos das Trevas". Os Kittim, 'cujo símbolo é a águia', são 'seres terríveis, crianças e mulheres se escondem de medo quando eles se aproximam', e etc. Há diversas correntes de historiadores que defendem que os Kittim são os romanos; outras que defendem que eles seriam um povo rival dos hebreus, e outros ainda dizem que eles seriam, apenas, uma outra seita judaica, rival dos Kedoshim. No livro, escolhi a versão mais adequada à história. Da mesma forma, no livro é mencionado que o símbolo do partido Republicano americano, quando foi fundado, era uma águia. O símbolo atual é um elefante, mas como isso não é relevante para a história, o fato não merece destaque! Resumindo: Pesquise de tudo, e muito. Ao fim, selecione os fatos que melhor embasem sua história - desde que sejam verdadeiros, não precisam ser os mais conhecidos ou reconhecido academicamente. E para concluir uma dica mais óbvia, com foco no mercado: As versões mais polêmicas sempre geram histórias melhores, mais instigantes e com mais possibilidade de despertarem o interesse dos leitores e da mídia. Fuja do escândalo, mas aproxime-se sempre que possível do polêmico - desde que isso não fira sua arte!

24 de março de 2009

Uma questão de estilo...

E
stilo, segundo entendo, é a alma do escritor, é a forma única e inconfundível como ele escreve seus textos. É como uma impressão digital: você pode até achar semelhanças entre dois estilos, mas nunca encontrará dois iguais.
Dito isto, vale ressaltar que todo escritor, principalmente os iniciantes, pode se beneficiar e evoluir seu estilo "apreendendo" o estilo de outros. Vejam que falei apreendendo, prestando atenção, e não "aprendendo", pois suponho que o estilo não é algo a ser aprendido, mas sim desenvolvido.

Apenas para dar alguns exemplos, vou tentar "simular" aqui o estilo de dois escritores que admiro bastante: Stephen King e Neil Gaiman.

A situação: À noite, um homem (que chamaremos de Neil King) dá um beijo na esposa, sai de casa e encontra um gato morto.

Versão Stephen King: Neil aproximou-se da esposa e envolveu sua cintura com o braço, dando um beijo caloroso. O beijo deixou-lhe um estranho gosto de despedida na boca, como se aquela fosse a última vez que a veria. E realmente era. O rangido da porta soou como um gemido agudo de alguma casa abandonada, embora ele tivesse novamente colocado grafite nas dobradiças no dia anterior. Do lado de fora, a lua o encarou como um olho amarelo e doentio, enquanto ele cruzava a distância que o separava da calçada. A noite estava impossivelmente silenciosa, como se o ar estivesse tão pesado que o próprio som de suas passadas não conseguisse chegar aos ouvidos. Na calçada, seus olhos foram desviados para um estranho montículo, que não estava ali quando chegara, poucas horas antes. Sua nuca se arrepiou quando viu o gato morto. Não porque estivesse morto, desde criança Neil estava acostumado a ver animais mortos na rua em frente à sua casa; mas algo estava definitivamente errado com aquele gato, algo que ele não sabia precisar. Seu estômago pesou e suas mãos começaram a suar, quando ele se aproximou do animal e descobriu que...

Versão Neil Gaiman: Neil – ou King, como seus amigos o chamavam – se moveu fluidamente pela casa, quase como uma dança, enquanto pegava suas coisas e se aproximava da esposa, na cozinha. Ela retribuiu seu beijo com aquele sorriso entre maroto e ingênuo que sempre o deixava imaginando como uma mulher como aquela havia se interessado por um cara como ele. Ainda dançando, Neil abriu a porta e saiu para a noite. Enquanto vencia a distância até a calçada, ele sentiu sobre si os olhares de mil deuses antigos, espiando o mundo dos homens através de suas estrelas particulares. Seu olhar foi atraído por um gato morto, no canto da calçada. Sem saber exatamente porque, o gato lhe lembrou Bubastis, deusa-gato que ele havia conhecido anos antes em um documentário sobre o Egito antigo. Neste momento, uma das estrelas que o espiavam brilhou mais intensamente, apenas por meio segundo, tempo suficiente para que...

Tamanho das frases, uso de metáforas, uso de palavras e referências mais ou menos usuais, voz passiva ou ativa, forma de narração, inclusão de mais ou menos detalhes, quebra dos parágrafos, concentração mais nos sentimentos e personagens ou mais nos detalhes que os envolvem... São mil os detalhes que compõe um estilo.
Releia os textos acima e tente decifrar estes elementos. Semana que vem conversamos mais! :)

16 de março de 2009

Gestação: Incrementando sua ideia

Temos até 2012 para remover o acento de "idéia", mas para acostumar, vamos deixar sem acento pelo menos no título ... :)
Antes de mais nada, "Gestação" é um nome cunhado por mim; até onde eu sei outros autores que escreveram sobre este assunto ("a arte de escrever"...) eventualmente mencionam esta etapa da produção literária, mas não a "batizaram" desta forma. O nome "gestação" vem justamente da forma que trabalhamos para fazer a idéia crescer, evoluir, até se tornar uma história completa. Atenção para este ponto, que é bastante importante: uma idéia não é uma história! A idéia, também chamada de "premissa" ou "tema", é o cerne da história, é aquilo que os leitores irão responder quando alguém perguntar: "sobre o que é a história?". Já a história é um conjunto complexo que envolve ambiente, personagens, tramas, e muitos detalhes mais - inclusive outras idéias - que se unem para desenvolver aquele tema. Para transformar a idéia em história precisamos, basicamente, saber mais sobre ela. Nesta etapa de gestação, as principais dicas seriam:
  • Pesquise sobre sua idéia. Leia diversos livros sobre o assunto, até ter sua opinião própria, e sempre, sempre tenha um lápis e um papel à mão nestas leituras. Por exemplo, para os 5 capítulos de "O Nome da Águia" que envolvem de alguma forma o ditador Adolf Schicklgruber Hitler, um dos livros que li foi "Albert Speer: sua luta pela Verdade", de 1008 páginas; que resultaram em 3 páginas de anotações: a música preferida de Hitler, condições climáticas da Alemanha na época do fim da Segunda Grande Guerra, diversas referências geográficas, etc.
  • Entreviste ou converse com especialistas. O fim do livro "O Nome da Águia" mudou três vezes antes que eu começasse a escrevê-lo (ainda na etapa de gestação...), pois minhas conversas com estudiosos da história Judaica e pessoas que passaram por experiências de quase-morte me levaram a modificar algumas das concepções que eu tinha para o livro.
  • Conte sua idéia! Sempre que possível, reuna seus amigos (de preferência, escritores ou leitores contumazes...) e conte a idéia em seu ponto atual, indicando o que ainda não está claro e o que você acha que pode ser melhorado. As idéias coletivas que surgem sempre são excelentes pontos de partida para incrementar sua idéia, ou eventualmente descobrir que ela não vale à pena! O curioso é que, cada vez que você conta sua idéia (mesmo que ninguém contribua com nada), sua mente se exercita para povoar com detalhes o esqueleto básico que está se formando, assim, a idéia vai evoluindo naturalmente.
  • Anote, rabisque, desenhe, lembre. Eu, particularmente, não esqueço de uma história quando estou trabalhando nela, e até o fim da etapa de gestação só tenho anotadas as referências dos livros e conversas. Mas conheço autores que anotam as idéias principais, os "pontos focais" da(s) trama(s) de diversas formas. Uma forma particularmente interessante de registro é na forma de grafos, onde um ponto se liga a outro por setas - com a vantagem que você consegue anotar de maneira visual diversas possíveis variações da história que está tomando forma, antes de decidir qual seguir.

Em algum momento, você irá perceber que a idéia começa a se tornar uma história completa. Obviamente ainda há muito a burilar, mas neste ponto você já poderá avaliar se a história que tem em mãos efetivamente vale à pena ser contada, ou se é melhor abandoná-la e começar tudo do zero.

E não se intimide em recomeçar quantas vezes for necessário: além disso ser normal, é muito melhor do que continuar investindo tempo em uma história na qual você não acredita 100%. Se você não está empolgado com sua quase-história ao fim da gestação, então como vai conseguir empolgar seus leitores?