8 de janeiro de 2019

Metas de 2019 para escritores


F
eliz Ano Velho.
A obra de Marcelo Rubens Paiva, best seller no Brasil nos anos 80 que conta as mudanças na vida do autor após sofrer um acidente que o deixou paraplégico, virou peça de teatro, filme, e até hoje é referência para novos autores.
Segundo o personagem/autor: “não sou herói, sou apenas vítima do destino, dentre milhões de destinos que nós não escolhemos”.
Isso fica claro na narrativa que mistura palavrões em boa quantidade e imaturidades (do personagem) diversas; mas o livro cativa e uma lição fica: não adianta chorar pelo leite derramado. 

O que passou, passou, e se este ano de 2019 começa para alguns carregado de maus presságios, seja pela crise nas livrarias e editoras, seja pelo cenário político-social do país, o melhor a fazer é não esquentar a cabeça mais que o necessário, e começar a trabalhar para mudar a situação.
Como autor, isso significa fazer a nossa parte: Dar o melhor de si para escrever grandes livros!

Isso passa, é claro, por conhecer as melhores técnicas para organizar seu trabalho, mas começa por sairmos de nossa zona de conforto, deixarmos de lado a procrastinação (que é o pior dos bloqueios de escritor!) e estabelecermos uma rotina para garantir que a obra vai sair.
"Não esquente a cabeça, que caspa vira mandiopã"
Marcelo Rubens Paiva, em Feliz Ano Velho.
A conta é simples: Se você escrever uma página por dia, algo em torno de 500 palavras, ao fim do ano você terá 365 páginas escritas.  Tirando desta conta os imprevistos, os fins de semana e os feriados, você terá no mínimo 200 páginas para mostrar ao seu futuro editor.

É claro que, se você se dedicar mais, é possível terminar um livro em bem menos tempo. Três meses é um tempo razoável para um escritor dedicado terminar uma primeira versão, embora haja muitos que façam em bem menos tempo.

De qualquer forma, para chegar a ter seu livro pronto, é necessário começar na primeira página. Não faça contas sobre o tempo que vai levar, apenas comece.

Mas como definir uma meta que realmente vai ser seguida?

Pensando especificamente em metas de escrita de livros, reuni uma série de ideias para escrever metas efetivas:

  1. Defina onde quer chegar.  Mesmo que você ainda não tenha uma ideia pronta para seu livro, defina um rumo. Sobre o que será seu livro?
  2. Defina quando quer chegar. Seu livro deverá estar pronto em julho? Em dezembro: 
  3. Defina metas intermediárias, com datas e produtos. Se você não fizer isso, nunca saberá se está chegando perto de sua meta ou não. Primeiro, defina o que você terá ao fim de cada mês (a ideia e os personagens prontos; a estrutura das tramas; a quantidade de capítulos escritos; a quantidade de capítulos revisados...); depois o que terminará a cada semana. Se estiver com dúvidas sobre o processo de criação, pode comentar neste post - e sempre há A Bíblia do Escritor.  
  4. Deixe seu calendário de entregas visível. Sempre. Abrir o armário ou sentar à mesa do trabalho todo dia e se deparar com as metas a serem entregues na semana lembra você de seus objetivos, e o ajuda a se manter focado e motivado.
  5. Defina metas possíveis, quantitativas, e que dependam de seu esforço. Não coloque metas do tipo "conseguir uma grande editora para meu livro". Após o término do livro, suas metas devem ser algo como "Preparar a proposta editorial do livro", "Fazer uma lista de 10 editoras que publicam livros do gênero" e "enviar o livro a dez editoras". 
  6. Estabeleça uma rotina.  Se você disser que "vai escrever quando der tempo", não escreverá nunca! Defina uma hora e local para escrever, e mantenha esta rotina, com ou sem inspiração!
  7. Faça isso AGORA. Não deixe para escrever suas metas e entregas intermediárias depois, porque isso sempre dá em nada. Saque um papel e uma caneta e comece a esboçar suas metas; e deixe este par no bolso até que você tenha uma visão bem clara do que você deseja atingir este ano.
  8. Comece HOJE. Escrever um livro é um trabalho longo, de meses de esforço - e é necessário começar hoje, e continuar a cada dia, sob a pena de não atingir sua meta ao fim do ano. Todos os dias você precisa fazer algo, efetivamente, para chegar mais perto de seu resultado, seja pesquisar, escrever ou organizar seu trabalho. Apenas pensar nas metas não vai levá-lo a lugar nenhum, exceto à frustração.
Para concluir, o conselho mais importante de todos: Livros são pessoais. Nunca escreva um livro apenas para agradar alguém, ou porque "está na moda", ou porque acha que vai vender melhor.

Invista em seu sonho  - mas também na realidade.

Bons livros são baseadas nos anseios, nos sonhos do autor, e escrever um livro que nos empolga é o que coloca um sorriso em nosso rosto todos os dias.
No entanto, escrever um livro é como um trabalho qualquer: haverá dias em que você não estará inspirado, outros em que não estará com vontade, e ainda outros em que, além disso tudo junto, a rotina (das outras coisas que precisam ser feitas) irá exigir muitas horas de trabalho. E, ainda assim, você precisará escrever.

Escrever um livro requer mais que um sonho: requer disciplina, perseverança, esforço contínuo.

E para conseguir isso, definir bem suas metas e seu plano de trabalho para atingi-las é essencial.



E você, quais são suas metas para 2019? Tem alguma dica para ajudar os colegas escritores a definirem - e realizarem - suas metas?

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10 de dezembro de 2018

A crise do mercado editorial e o escritor diletante profissional

menos que você esteja chegando agora de um longo retiro espiritual, provavelmente já sabe que as maiores redes de livrarias no Brasil passam por uma profunda crise.
E que, pelo modelo de negócios do mercado livreiro no Brasil, baseado na consignação, a crise se alastra por editoras de todos os portes.
Muitos já apresentaram visões muito claras sobre o problema, como Daniel Lameira, em seu artigo para o PublishNews.
Outros, como o próprio Daniel no artigo acima e Luiz Schwarcz, CEO da Companhia das Letras, apresentaram soluções e iniciaram campanhas para que os leitores declarem seu amor aos livros em cartas, tweets e posts, e que visitem as livrarias, dando livros como presentes no Natal.
Pouco resta a falar sobre o assunto, e muito a fazer.
Façamos!

Mas, e nesta brincadeira, como fica o escritor?

Conseguir uma editora interessada em publicar seu livro, algo que já merecia comemoração há alguns meses, agora passou a ser uma verdadeira Jornada do Herói.

Ou será que não?...
Ou, ainda mais... Conseguir uma editora importa?

Já escrevi diversos posts sobre a escolha de autopublicar ou publicar por uma editora, sobre como conseguir uma editora, como enviar seu original, e vários etc.
Então, hoje quero falar sobre o outro lado do escritor - do teclado para dentro.
“Uns escrevem para salvar a humanidade ou incitar lutas de classes, outros para se perpetuar nos manuais de literatura ou conquistar posições e honrarias.  
Os melhores são os que escrevem pelo prazer de escrever.”Lêdo Ivo, escritor e jornalista, imortal da ABL
O sábio chinês Confúcio já dizia que "Aquele que encontra um trabalho que ama, nunca mais trabalha na vida".
"Diletantismo", segundo a minha percepção pessoal, sempre foi por aí: exercer uma profissão porque se sente atraído por ela, porque aquele trabalho a(o) inspira. Até porque, afinal, de que vale trabalhar 8 ou mais horas por dia infeliz , só para ganhar dinheiro?

15 de outubro de 2018

Vale a pena participar de coletâneas?

T
enho recebido uma enxurrada de divulgações sobre coletâneas de contos.
Primeiro foram coletâneas de contos de fantasia, de ficção científica, de romance, policiais, eróticos...
Depois de esgotados os, digamos, "grandes gêneros", começaram a aparecer coletâneas de contos de subgêneros ou temáticas: steampunk, distopias, recontagem de clássicos, mashups, sick-lit, fim-do-mundo, zumbis, fadas, romance de época etc etc etc...
Serão estas coletâneas um fenômeno recente?  E, mais do que isso, vale a pena participar delas?
 
Quanto à primeira questão, a resposta é simples: Não. Sempre houve e provavelmente sempre haverá este tipo de coletâneas, usualmente promovidas por editoras que realizam concursos e publicam os trabalhos selecionados.
Algumas de minhas primeiras publicações, inclusive, foram coletâneas do gênero; mas o que vemos hoje em dia é uma proliferação de coletâneas levada, provavelmente, pela diminuição dos custos com impressão.
"Coletâneas são um bom treino e uma boa motivação, mas cuidado: nem sempre são o que parecem"
É possível, por exemplo, realizar uma coletânea e imprimir apenas os exemplares que os participantes comprarem, com pouquíssima diferença de custo por exemplar em relação a uma impressão de, digamos, mil exemplares.  E isso, é claro, facilita a entrada de novos organizadores neste mercado.

Mas e quanto à segunda questão? Será que vale a pena participar?

26 de setembro de 2018

Como eu escrevo?


U
ma das coisas que acho mais ricas para o aprendizado de um escritor é ouvir outros escritores falando sobre seu processo criativo.

Quem já viu, por exemplo, o incrível show Solidão no Fundo da Agulha (que virou livro, ou vice-versa), do mestre Ignácio de Loyola Brandão, sabe bem do que estou falando: há uma certa magia, quase uma excitação voyeur, em conhecer um pouco do que se passa dentro da cabeça do outro.

Seguindo esta ideia é que o José Nunes criou seu "Como eu escrevo", um interessantíssimo projeto onde ele explora os bastidores do processo criativo de escritores e pesquisadores, e que está reunindo muito material interessante para quem quer se profissionalizar na área.

Tive o prazer de responder às questões do José Nunes, e quem quiser saber um pouco sobre meu processo pode ler a entrevista neste link

Querendo saber mais, é só perguntar por aqui! :)