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23 de outubro de 2014

Terra da Magia, Somnium e Divulga Escritor!


L
á comentei diversas vezes que a publicação do livro está cada vez mais fácil, com opções como publicar em papel ou e-book por uma editora, pagar você mesmo para publicar em papel, publicar como e-book gratuitamente ou contratando alguém para fazê-lo (há muitos intermediários oferecendo serviços nesta linha), realizar um projeto de crowdfunding para custear a impressão ou conversão para e-book, utilizar serviços de "editoras" que imprimem sob demanda (o livro só é impresso quando pago), alguns destes gratuitos, outros pagos, e ainda outros modelos mistos que vocês podem vir a lembrar.  
Tendo alternativas variadas e até sem custo para a publicação, a maior dificuldade que resta ao escritor é a divulgação. 
Nesta linha, vou iniciar este post com duas breves divulgações de publicações mais ou menos recentes de que estou participando, mas que ainda não tive oportunidade de divulgar aqui, e na sequência vou trazer informações sobre um recente projeto (começou a um ano e meio) de apoio à divulgação de escritores."É cada vez mais fácil publicar - e, com o aumento da oferta de livros, mais difícil fazer seu livro ser notado pelos leitores!"



Terra da Magia
Terra da Magia
Para começar, gostaria de falar brevemente sobre o "Terra da Magia", um projeto sensacional do mestre roteirista e escritor Gian Danton. Trata-se de uma coletânea de uma grande equipe de autores, resultado de um concurso organizado pelo Gian, que reúne contos que misturam a mitologia clássica da fantasia com a realidade e a cultura brasileira.  O resultado, como vocês podem imaginar, vai do hilário ao tenso, mas sempre curioso.  Vale à pena conferir.
O livro foi publicado em formato de e-book, e está gratuitamente disponibilizado no GoodReads, comunidade internacional de leitores, e no site do próprio Gian Danton, o Ideias de Jeca-Tatu.
Em tempo: meu conto é o "Ensombração", que além do folclore nacional bebe de fontes como o seriado Supernatural e o personagem de quadrinhos Constantine, em uma instigante história de mistério.

Somnium 109
Somnium 109
A segunda dica de leitura é a Somnium 109, revista do CLFC, Clube de Leitores de Ficção Científica com uma longa tradição de publicações de qualidade.
A Somnium 109 traz oito contos de autores nacionais, além da chamada para o Prêmio Argos 2014 e diversos textos em homenagem à escritora Ursula Le Guin, que celebrará 85 anos de idade no dia 21 de outubro.
Minha contribuição neste caso é o conto "Asas", um conto estilo policial investigativo que acontece em um futuro próximo, e que foi premiado na última edição do concurso de Contos de Ficção Científica - FCdoB. Gostei muito das "sacadas" que tive quando escrevendo este conto, que conseguiu ficar (na minha modesta opinião) tanto instigante quanto inesperado.

Por fim, como prometido, a divulgação do "Divulga Escritor", projeto criado em 26 de março de 2013 pela jornalista e escritora Shirley M. Cavalcante, hoje administradora do projeto.  Não conheço a fundo o trabalho do grupo, e gostaria muito de ouvir as opiniões de quem já teve algum contato com eles.
O texto de divulgação a seguir é de autoria da Shirley:
O Divulga Escritor tem como objetivo buscar ferramentas de divulgação para divulgar Escritores de todos os segmentos,  autores de todas as Editoras, independentes... todos podem participar, tudo começou com uma página no Facebook, hoje o projeto conta com:
  • Página no Facebook Divulga Escritor  Objetivo: Divulgar os links de páginas de todos  os escritores, as páginas divulgadas podem ser: site, blog,  FaceBook, página em recanto das letras, luso poemas.... desde que os escritores o atualizem sempre com textos de sua autoria.  
  • Grupo Divulga Escritor -  Livros no Facebook  Objetivo:  Divulgar livros de todos os escritores, desde que os livros sejam postados por seus respectivos autores.  
  • Grupo Divulga Escritor – Eventos Literários no Facebook  Objetivo: Divulgar eventos literários da Lusofonia, mobilizando o pessoal que participa do grupo a compartilhar os eventos que forem próximos a sua localização para que mais pessoas tenham conhecimento, e participem!  
  • Revista digital Divulga Escritor – Revista Literária da Lusofonia   Objetivo: Divulgar Escritores, livros, artigos literários.  
  • Entrevistas   Objetivo: Apresentar escritores de diferentes segmentos, para que todos tenham a oportunidade de conhecer melhor o seu trabalho, sua história, sua forma de pensar, suas ideias, seus livros e serviços oferecidos pelos entrevistados. Já são mais de 100 escritores entrevistados do Brasil, Portugal e África em 8 meses de projeto. As entrevistas são elaboradas pelo projeto e divulgadas através de parceiros, site, em sua página e grupos no FaceBook.
 Em breve estaremos com a livraria Divulga Escritor, terá como objetivo disponibilizar mais um canal de vendas de livros para os escritores que fazem parte do projeto.  

Para que possam conhecer melhor o projeto Divulga Escritor disponibilizamos nosso site: www.divulgaescritor.com

Muito obrigada a todos que fazem parte do projeto Divulga Escritor, obrigada a todos os administradores e divulgadores do Brasil e Portugal. Todos escritores e leitores são bem vindos ao projeto Divulga Escritor.

E você, o que tem feito para divulgar seu trabalho? Alguma outra dúvida? Compartilhe com seus colegas escritores!

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17 de outubro de 2014

7 Coisas que aprendi, com Amâncio Siqueira

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores e outros profissionais do mercado livreiro e literário para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje. 
Sempre é bom lembrar que em maio deste ano lançamos um e-book com 61 contribuições de escritores e profissionais do mercado.  E estamos agora juntando contribuições para a próxima edição!  Então, se você é escritor iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, se é editor, capista, ilustrador, revisor, agente literário ou mesmo um leitor ávido com algo para compartilhar, não perca tempo e envie sua contribuição para esta série de artigos!
Neste post temos três novas participações para a série. 
No Escriba Encapuzado há duas novas contribuições, ambos de escritores que se destacaram nos concursos literários do SESC: Maurício de Almeida e André Timm.
E aqui no Vida de Escritor, os insights do escritor Amâncio Siqueira, aproveitem!
  1. Leia muito, o tempo todo, desesperadamente, e sinta dor na consciência por não poder ler tanto quanto deveria e gostaria. Um escritor que não lê passa a mesma credibilidade de um médico fumante ou um nutricionista gordo, com o agravante de que os outros podem saber muito, embora não utilizem pra si, enquanto o escritor que não lê não sabe escrever e não tem a mínima noção da escrita como profissão.
  2. Tenha disciplina. Esse é um conselho que tento dar a mim mesmo todos os dias, embora raramente eu o acolha. Disciplina é fundamental. Sentar e escrever (ou escrever em pé, ou deitado, se for melhor pra você). Quando não conseguir dar continuidade ao livro, pesquisar, ler, fazer resumo dos próximos capítulos, detalhar diálogos.
  3. Estude muito sobre tudo. Consulte dicionários de várias línguas, enciclopédias. Não escreva sobre uma flor antes de saber tudo sobre ela. Estude muito para escrever, e principalmente depois de ter a obra pronta, para as revisões. Mas tente sempre esconder o quanto estudou. O leitor não precisa saber que você leu dez mil páginas para escrever um capítulo. O livro tem que fluir diante do leitor de forma natural, como se não tivesse exigido nenhum esforço de sua parte. Estude ainda mais sobre o mercado editorial.
  4. Depois de concluída a primeira versão do livro, deixe-o na gaveta um bom tempo, entre seis meses e um ano. Você poderá perceber com mais facilidade os erros gramaticais e as inconsistências quando tiver esquecido o texto escrito. Não deixe por um tempo muito grande, ou esquecerá os objetivos do que escreveu, a essência que queria dar ao texto.
  5. Procure leitores críticos e agradeça cada crítica recebida. Muitos pretensos escritores não querem submeter seus textos sequer à crítica do próprio editor. São esses que enchem o mundo de péssimos livros e geram a noção em grande parte acertada de que edições autopublicadas são ruins.
  6. Pense no leitor. Não escreva apenas para si mesmo. Se você quer ter a escrita como profissão, deve entender que nenhum profissional visa a si mesmo. O médico deve fazer o que é melhor para o paciente, e não para si. Pensar no leitor não significa escrever livros da moda e tentar virar bestseller escrevendo qualquer porcaria. Significa saber que a comunicação exige compreensão e retorno. Se o leitor que você quer é inteligente, escreva livros inteligentes, mas evite ser pedante. O leitor não se emocionará com um parágrafo que não passa de um jogo de palavras vazio. O máximo que acontecerá será um sorriso sarcástico ou seu livro jogado contra a parede.
  7. Procure uma editora que ganhe dinheiro vendendo seus livros para leitores, e não para você mesmo.

Sobre o autor: Amâncio Siqueira é suicida não praticante.  Obras: O Evangelho de São Pecador (ArtExpressa, 2010) e Quebra Cabeças (lançamento previsto para 2015)
* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.

Veja a opinião de outros autores no  Vida de Escritor e no Escriba Encapuzado.
Até a semana que vem - e enquanto isso pensem em SUAS 7 coisas e enviem suas contribuições

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2 de outubro de 2014

A arte de conquistar editores - e leitores!


Os dois maiores desafios de um escritor, pelo menos no que se refere àqueles que estão dentro de sua capacidade de atuação, são conseguir uma editora para seu livro e, depois de publicá-lo, fazer a divulgação adequada para que os leitores saibam que seu livro existe.
No caso de livros auto-publicados, em papel ou digitais, você escapa do primeiro desafio - mas o segundo (acreditem!) torna-se proporcionalmente maior. 
Curiosamente, "o caminho das pedras", ou pelo menos um deles, é o mesmo para superar estes desafios: conversar, aparecer, dar-se a conhecer, networking, relacionar-se...  Chame como quiser: O escritor não pode escrever seu livro e voltar para sua caverna e começar a escrever o próximo, ele precisa ter uma vida social ativa, nem que esta vida seja estritamente profissional."Escrever um livro é fácil! Os difícil é, primeiro, chegar à editora, e depois aos leitores."


Vamos aprofundar a questão com dois exemplos, começando com o lado das editoras.
Felipe Colbert e eu
Felipe Colbert e eu
No último mês estive com o escritor Felipe Colbert, em São Paulo, trocando experiências e aprendendo muito (Obrigado, Felipe!). Nossa conversa confirmou algo que eu já sabia faz tempo: quem faz contato direto com editores consegue um retorno bem maior do que quem faz este contato remoto, mesmo que seja por telefone.

Belleville, de Felipe Colbert
Belleville, de Felipe Colbert
Conseguir uma editora é, obviamente, algo que depende da qualidade de seu trabalho, mas até mesmo receber um "não" às vezes é difícil quando a editora não lhe conhece.  Pode parecer um absurdo falar isso, mas este mercado ainda é movido muito por contatos e paixões particulares dos editores. Não é que falte profissionalismo, mas se você está na gestão de uma editora e precisa apostar em um livro (uma publicação é quase sempre uma aposta...), especialmente de um autor que ainda não é reconhecido, obviamente você vai escolher a aposta com mais chance de ganhar.  E entre os muitos bons livros que chegam todas as semanas, se você vai apostar, é claro que você apostará em um autor que conheceu e em quem percebeu a postura de alguém que vai ajudá-lo a vender seu livro.

Chocolate Literário na EC02 de Ceilândia
Chocolate Literário na EC02 de Ceilândia
Como fazer isso? O melhor lugar para encontrar editores é nas bienais e em grandes feiras de livro (como a Flip). Prepare seu portfólio, imprima uma cópia de seu trabalho, treine seu discurso de apresentação, e bom trabalho!
Na hora de vender seu livro não é diferente.
O Felipe esteve todos os dias no stand da Novo Conceito na Bienal de São Paulo, autografando e apresentando seu trabalho para qualquer possível leitor que tivesse a curiosidade de folheá-lo. Resultado? Seu livro Belleville foi o segundo mais vendido da Novo Conceito, ficando atrás apenas de um best-seller internacional cujas boas vendas já eram esperadas. (Em tempo: Li o Belleville e recomendo, é um livro bem escrito, emocionante e imaginativo, vale a pena!).

Fliníquel - Feira Literária de Niquelândia
E se você não tem como viajar para a bienal ou estas grandes feiras?  Comece em sua cidade!  Visite escolas, feiras literárias em sua região e encontros de escritores. Monte sua base de leitores aos poucos, mas continuamente, se você realmente pretende viver de escrever algum dia.
Ainda mês passado estive na Escola Classe 02 de Ceilândia, que promoveu a nona edição de seu "Chocolate Literário". Além do delicioso chocolate para os autores convidados, passamos uma manhã assistindo apresentações dos alunos e acompanhando os trabalhos que eles fizeram, nos diversos murais espalhados pela escolha.   Foi muito divertido e emocionante, vejam as fotos em meus álbuns públicos, junto com outras dezenas de eventos de que participei nos últimos anos.
E aproveitando o ensejo: Estarei participando da Fliníquel, a Feira Literária de Niquelândia, no fim deste mês e início do próximo. Se você mora por perto, apareça para trocar ideias!
Afinal, não basta escrever: há que relacionar-se para ser um escritor completo!  :)

E você, o que tem feito para divulgar seu trabalho? Alguma outra dúvida? Compartilhe com seus colegas escritores!

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10 de setembro de 2014

Dicas para criar melhores aberturas em seus livros


Há muitas formas de se iniciar - e se terminar - uma história.
As histórias de Neil Gaiman, eventualmente, começam com uma música e terminam com uma pequena dança à beira-mar.
Markus Zusak já começou - e terminou - uma história com uma cor.
Suponho que as histórias de Jean Angelles comecem com um sonho, e terminem com um sorriso.
E que as de André Vianco comecem com um pesadelo, e terminem com um nó na garganta ou um grito de triunfo.
Já as histórias de Felipe Colbert começam com uma desafio à imaginação, e terminam com um suspiro de alívio.
Como disse, há muitas formas para se iniciar e terminar histórias.
O curioso é que todo escritor sabe o final de sua história antes mesmo de começá-la.

Curioso, mas verdadeiro:
saber o fim do caminho dá a direção do primeiro passo.
Minhas histórias, normalmente, começam com imaginação regada a fatos e ideias, e terminam após muita pesquisa e paixão.
"Não acredite no que vê em filmes hollywoodianos: a maioria dos escritores só escreve a primeira linha após ter uma boa noção de qual será a última"
O ponto importante é que a abertura de seu livro é o que "vende" o livro para seu leitor - às vezes literalmente, pois é a partir dela que você pode ganhar (ou perder) o leitor, ainda na livraria.
Para isso, é importante que você tome especial cuidado com o primeiro parágrafo do livro, de forma a trabalhá-lo para garantir o máximo de impacto possível.  Alguns exemplos muito bons:
  • “No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às cinco e meia da manhã para esperar o navio em que chegaria o bispo." ("Crônica de uma Morte Anunciada", de Gabriel Garcia Marques)
  • "É muito difícil – ou inútil – datar o início desta história. Ela está começando hoje, aqui e agora, talvez só comece realmente amanhã, mais tarde ainda, ou nunca, talvez. Sei que esta história existe, está escrita e inscrita em minha carne, mas creio que ela não teve um início preciso, nem mesmo no dia em que resolvi dar nome ao meu pau.” ("Pilatos", de Carlos Heitor Cony)
  • “Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo.” ("Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis)
O segredo é o autor colocar uma cena de impacto já nas primeiras linhas, de forma a provocar a curiosidade do leitor de maneira imediata. 
Mas e quando seu livro começa, digamos, "meio devagar"? O que fazer se você precisa apresentar os personagens e seu status quo, para que sua posterior destruição provoque um maior impacto no leitor.
Nestes casos, há dois truques que podem ajudar.
O primeiro tem o sofisticado nome em latim "en media res", que basicamente significa "começar pelo meio": ao invés de começar se livro pelo primeiro capítulo, coloque uma cena de alto impacto em primeiro lugar, para depois iniciar a história.  Por exemplo, ao invés de iniciar a história com o casal feliz tomando café da manhã, comece pela cena que vai acontecer dez capítulos depois, quando ele entra em casa e encontra uma frase escrita em sangue na parede mais próxima.  O leitor levará um choque, e quando começar a ler o próximo capítulo, com a adrenalina a mil, vai entender que ela se passa algum tempo antes do capítulo anterior, uma vez que a vida ainda está normal.
O segundo truque é, simplesmente, incluir um spoiler do que virá para gerar tensão no leitor.  Por exemplo:
  • Sem spoiler: "Beijou sua esposa e saiu para o dia belo e ensolarado. Antes de entrar no carro, olhou para ela com carinho e acenou, com um sorriso."
  • Com spoiler:: "Beijou sua esposa e saiu para o dia belo e ensolarado. Antes de entrar no carro, olhou para ela com carinho, como se fosse a última vez que a veria. E realmente era."
Os exemplos obviamente são simplistas e um pouco forçados, mas deixam bem claro o ponto: comece com uma abertura de impacto, e garanta o engajamento imediato leitor - especialmente se sua história não inicia de maneira muito empolgante.
E, obviamente, a partir daí garanta a tensão crescente na obra - cuidado com as quebras de ritmo que derrubam o leitor! - e conclua sua obra de forma retumbante!
Mas isso é assunto para um próximo post...

E você, alguma dica sobre aberturas? Alguma outra dúvida? Pode perguntar!

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