11 de maio de 2020

Paradigmas de escrita para vencer o bloqueio de escritor


A meu ver, a forma mais efetiva de se evitar o bloqueio de escritor é conhecer bem o seu paradigma, o seu processo de escrita, e utilizar técnicas que mais são apropriadas para manter a motivação e evitar bloqueios, conforme esta técnica.

Pergunte a 10 escritores como eles escrevem, e cada um vai lhe contar uma coisa diferente.
Independente do processo seguido, uma coisa é essencial, e muito bem expressa nesta frase do escritor H. Jackson Brown:

"Não perca tempo esperando pela inspiração. Comece, e a inspiração vai lhe encontrar."


 Vamos conhecer alguns dos processos seguidos por escritores de sucesso, para ajudar você a entender melhor o seu próprio processo, e quem sabe dar-lhe algumas ideias de como melhorá-lo.
  • Sentar e Escrever, ou "não tenho processo": Processo utilizado por escritores como Stephen King e André Vianco, consiste em definir o conflito central da história, quem são os personagens, a situação inicial, e "sair escrevendo". Para evitar bloqueios neste processo, escreva o mais rápido que puder, sem revisar, sem parar para pesquisar. Coloque comentários no texto sempre que ver a necessidade de revisá-lo mais tarde, mas continue sempre em frente, mesmo sem inspiração. Com personagens com metas bem definidas e conflitantes, não tenha medo: a história vai acontecer.
  • Ir revisando enquanto escreve, "pegadas na areia" ou "pegadas na neve":  Processo utilizado por escritores como Fernando Sabino e Dean Koontz, consiste em avançar lentamente, revisando a cada passo, e por vezes retornando sobre suas pegadas e descartando trechos inteiros que levaram a história em uma direção não desejada. Para diminuir a chance de ficar bloqueado em revisões e perder a motivação, reserve um tempo bem determinado para revisar, e outro para escrever.
  • Detalhamento progressivo: Processo utilizado, por exemplo, pelo escritor Robert Ludlum mais conhecido pelos filmes da série "Identidade Bourne" e outros baseados em seus livros, consiste em fazer uma sinopse do livro, depois ampliá-la para um outline ("resumão"), depois ir incrementando o outline com diálogos, descrições e tramas paralelas. Este processo ajuda a manter a motivação e evitar bloqueios por falta de ideias, por oferecer uma visão geral da história; mas pode gerar histórias muito centradas na ação, com pouco espaço para desenvolvimento dos personagens.
  • Estruturar e escrever: Processo utilizado por autores como Dan Brown e James Patterson (e meu processo preferido de trabalho), consiste em definir as cenas principais da história, depois as cenas intermediárias, e com todas as cenas definidas, escrever o texto (ou roteiro de audiovisual) correspondente a cada uma delas. Como cada cena consiste em duas partes, a parte da ação (interação do personagem com o mundo externo) e a parte da reflexão (impactos na emoção e razão do personagem das ações realizadas), há um melhor equilíbrio entre o desenvolvimento da trama e dos personagens. Este processo, por si só, evita o bloqueio do escritor, porque além de permitir uma visão geral das tramas, evitando a falta de ideias, ele oferece a facilidade de poder escrever o texto correspondente às cenas em qualquer ordem, dependendo da motivação do escritor.
Ninguém escreve bonito o tempo todo e é importante lembrar que todas as partes, digamos, "menos inspiradas", poderão ser revisadas ou cortadas na etapa de revisão de seu livro.

O importante é você se manter escrevendo, ciente de que quanto mais escrever, melhor o fará.



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27 de abril de 2020

Como escrever um romance de sucesso


No Brasil, segundo a CBL - Câmara Brasileira do Livro, um livro que venda 20.000 exemplares já pode ser considerado um bestseller.
Desanimador?  Com certeza, porque em um país com 200.000.000 de habitantes, temos apenas 30 milhões de leitores, segundo a pesquisa Retratos da Leitura, e destes, menos ainda são os que vão além dos livros religiosos.
Ainda assim, livros como "O Código da Vinci" e outros ultrapassaram a marca dos 10 milhões de livros vendidos no país.

O que faz a diferença entre um bestseller, digamos, comum e estes mega-bestesellers?

Bom, antes de entrar no assunto, para evitar polêmicas, vou deixar claro que o "sucesso" a que me refiro aqui é o número de exemplares vividos - ainda que o significado de "sucesso" seja algo muito particular e que deve ser definido conforme seu objetivo ao escrever. Sobre isso, vamos ver uma frase do escritor Ledo Ivo:

"Uns escrevem para salvar a humanidade ou incitar lutas de classes, outros para se perpetuar no manuais de literatura ou conquistar posições e honrarias. Os melhores são os que escrevem pelo prazer de escrever."


Vamos supor, então, que você é um destes quer escrevem pelo prazer de escrever.  Ainda assim, no mundo real o grande desejo do escritor é que seja lido pelo maior número possível de leitores.
Para isso, há um grande número de técnicas para aumentar a imersão do leitor em sua obra, aumentando suas chances de chegar a este "sucesso" que é vender mais:
  • Pesquise, estude, observe o mundo. Toda boa história tem verossimilhança, e para criar um universo ficcional coerente e convincente é essencial que ele tenha raízes no mundo real. Não interessa se sua história tem mágicos, dinossauros ou discos voadores, ainda assim ela precisa parecer real, os personagens precisam parecer pessoas reais, ou o leitor não conseguirá se identificar.
  • Leia, muito e sempre. Não basta conhecer o mundo, é necessário ter referências na literatura sobre como os autores o representam. Quem lê pouco não consegue dominar os aspectos básicos da arte de escrever.
  • Ler é a arte de cortar: Não basta escrever bem, é importante ter coragem de cortar. Dói, mas sem cortar no mínimo 20% de tudo o que você escreveu, você não terá um livro enxuto o suficiente para apaixonar o leitor do início ao fim.
  • Utilize os sentidos: Ao escrever, usualmente registramos só as descrições do que aconteceu (visão) e diálogos ou barulhos essenciais à narrativa (audição). Quando revisando, busque incluir os outros sentidos, inclusive o sexto sentido (a intuição), em especial nos momentos de maior emoção ou suspense.
  • Cliffhangers: Também na revisão, leia com atenção o final de cada capítulo, e sempre que possível termine não com uma cena de impacto, mas com um momento de suspense, um instante antes desta cena. Deixe o leitor na curiosidade, que ele não conseguirá largar o livro! 
É claro que não basta saber usar boas técnicas, o essencial é saber contar grandes histórias.

Outros fatores, como as ações de divulgação que fazem seu livro chegar a ser conhecido pelo leitor, também são essenciais hoje em dia - vamos falar disso em futuras oportunidades!

Até lá, pergunte, comente, compartilhe o que você sabe com os colegas de profissão, pois juntos somos mais fortes!



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15 de abril de 2020

Dicas essenciais para encontrar uma editora para seu livro

Uma das maiores angústias de (praticamente) todo escritor é conseguir um destino adequado para suas obras.

Hoje estou com 22 livros publicados, mais dois agendados para publicação nos próximos meses. Além do Brasil, tenho livros publicados em Portugal e nos Estados Unidos, além de uma participação em um livro publicado na China. 
Parece muito, falando assim. Mas neste momento estou escrevendo mais um livro de paixão (em oposição a um "livro de patrão", encomendado por alguma editora) e a ansiedade é a mesma.  Qual editora vai querer publicá-lo? E se nenhuma das minhas atuais quiser, como vou fazer? Autopublicar ou procurar outra editora? Em papel, ou e-book?
A vida de um escritor profissional, infelizmente, vai muito além de escrever livros. Isto é bem expresso por uma frase do escritor Salman Rushdie:

"Meu grande sonho é que fosse possível, após concluir um livro, entregá-lo à editora e retornar à minha caverna para escrever o próximo"



Para não estender muito o assunto, vou falar hoje apenas sobre como procurar uma editora, mas retornaremos a este rico tema em outras oportunidades - o assunto é praticamente inesgotável!

Para aumentar suas chances de ser escolhido para publicação em uma editora, é importante que você conheça pelo menos um pouco como funciona, digamos, "do lado de lá".
No Brasil, uma editora de médio porte recebe entre 60 e 100 exemplares por mês, podendo este número duplicar ou até triplicar em época de Bienal do livro.  Mas, apenas para efeitos didáticos, suponhamos que este número seja 60 livros.
Ora, não faz sentido a editora colocar 5 ou 10 pessoas exclusivamente para ler tudo o que chega, não concordam? Então, o que usualmente acontece é que a a seleção dos livros a passa por diversas etapas. Conhecendo estas etapas, fica mais fácil vencer cada uma delas.

A primeira etapa, que corta (acreditem ou não...) cerca de 90% dos livros, é o corte pelo TEMA do livro, ou mesmo pelo visual. Você enviou um livro de poesias para uma editora que nunca publicou poesias? Ou enviou um romance com tema de distopia, para uma editora que publica mais histórias de amor? Ou, ainda, enviou um livro de terror para uma editora que publica livros de terror, mas só de autores internacionais? Então, vai direto para a pilha de descarte!
A forma óbvia de não ser descartado nesta etapa é pesquisar bem nas livrarias quais editoras publicam autores nacionais do gênero que você escreve.

Nesta etapa são descartados, também, todos os livros que chegam "fora do padrão". Exemplo do mais óbvio possível: No site da editora é informado que não recebem originais em papel, só através de upload no site; ou simplesmente informam que não estão analisando originais no momento.
Para não cair nesta etapa, depois de fazer a lista inicial de editoras com a pesquisa nas livrarias, visite o web site de cada um delas e verifique qual o processo de envio de originais, e se estão recebendo no momento.

 Depois desta primeira etapa, sobram, pela média, uns 6 livros por mês a serem analisados. São todos lidos? Ainda não. Pelo menos não inteiramente. Mesmo descartando 90% dos originais na primeira etapa, ainda assim sobram 48 livros a serem analisados por ano, e uma editora raramente vai arriscar publicar 5 novos autores todos os anos... Mas, para simplificar, digamos que sejam 5 a serem selecionados. Portanto, 90% dos que sobraram precisam ser também descartados.

Como sobreviver a esta segunda etapa?
Bom, o leitor que faz a seleção sabe que precisa descartar 9 livros em cada 10, e obviamente tem mais o que fazer dentro da editora. O que ele faz, então, é ler os primeiros parágrafos do livro. Se empolgar, ele separa para ler mais depois. Nesta leitura já são descartados quase todos os que sobraram, porque muitos bons autores esquecem de que o livro precisa empolgar desde as primeira linhas.
Então, antes de enviar a uma editora, tome cuidado de rever com especial cuidado a primeira página. Envie-a a alguns amigos que gostem de ler e colete opiniões, pergunte se eles gostariam de ler um livro que começa assim. E aperfeiçoe sua abertura!

Além disso, para aumentar suas chances, é importante não enviar apenas um livro, mas um Projeto Editorial: O livro, uma carta de apresentação e a proposta editorial.
Na carta, muito curta, você diz do que se trata o livro e menciona que a proposta tem mais detalhes.
Na proposta, que podemos aprofundar em outras oportunidades, você precisa indicar:
  1. Porque seu livro é único, o que tem de especial, e qual seu público alvo.
  2. O que você tem de especial e que garante que é o melhor autor para escrever este tipo de história.
  3. Quais esforços você irá realizar para divulgar seu livro.
 E, acima de tudo, não tenha ansiedade para enviar logo seu livro. Revise, prepare seu projeto, e lembre que você precisa dar o seu melhor para estar entre o 1% restante que efetivamente será lido pelo editor para uma possível publicação.

Fora isso, é com você. Até, porque, no fim do dia o que realmente irá fazer seu livro ser selecionado por uma editora é a sua habilidade para contar histórias!

Pergunte, complete com suas dicas para outros escritores, pois só compartilhando conhecimento é que garantimos um futuro melhor para todos em nossa profissão!


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6 de abril de 2020

O Bloqueio de escritor e a procrastinação

A procrastinação (buscar desculpas para adiar o momento de escrever) é o mais insidioso de todos os tipos de bloqueio de escritor.

Na verdade, ela é um problema que transcende o mundo da escrita, afetando praticamente tudo em nossa vida, seja profissional, seja pessoal.

Você sabe que está procrastinando quando quer fazer alguma coisa, sabe como fazer, mas talvez porque a tarefa seja muito difícil, talvez por ela ser muito longa, talvez por algum medo de não conseguir executá-la ou outro motivo qualquer, o fato é que você fica adiando o início.

E é justamente por isso que falei "insidioso": você não percebe que está bloqueado, acha que está tudo bem. Você tem ideias, sabe para onde a história deve ir, seus personagens já são velhos amigos seus, mas você simplesmente não faz a história evoluir no papel.

Sobre esta questão, Pablo Picasso tem uma frase excelente:


"Só deixe para fazer amanhã as coisas que você quiser deixar incompletas quando morrer"


Façamos um "teste definitivo" para saber se você está procrastinando. Considerando que você quer começar a escrever um livro, ou que já começou a escrever um, mas está sem escrever já faz...
  • Uma semana: Isso acontece, não se preocupe. Por vezes temos semanas complicadas, em que tudo é adiado até que algo se resolva.
  • Duas semanas: Há momentos de crise em que isso acontece. Emergências familiares ou profissionais, viagens, etc. Não se desespere!
  • Três semanas: A menos que realmente haja um motivo de força maior para isso (e você vai saber quando houver), não se engane: você está procrastinando!
Ok, sabendo disso, o que fazer então? Vou listar algumas das técnicas mais comuns para a evitar a procrastinação:
  1. Defina uma rotina diária - e a siga! Não adianta reservar uma hora por dia "antes de dormir", ou "quando der tempo". Defina um horário fixo para começar e para terminar seu trabalho, e neste horário, não veja e-mails, não pesquise nada sobre o que está escrevendo, não responda mensagens no WhatsApp nem olhe nenhuma rede social, só escreva!
  2. Monte seu santuário. Nosso cérebro tem um "modo criativo" que pode ser treinado, acreditem, para ser ativado em horários e ambientes propícios. Ao definir a agenda você fez o primeiro passo, agora, monte um local de escrita, com suas anotações sobre a trama, mapas mentais dos personagens, gráficos e mapas e apoio, e tudo o que você coletou sobre a história que está escrevendo.  Se você não tem um espaço em casa, guarde tudo em uma pasta e espalhe sobre a mesa da biblioteca ou do local onde vai escrever. Além disso o ajudar a entrar no "modo criativo", você terá na ponta dos dedos qualquer informação de apoio na hora de escrever.
  3.  Defina metas. Organize seu trabalho de forma a definir quantas palavras (ou páginas, se ainda não estiver acostumado a trabalhar com palavras) vai escrever por dia, por semana, por mês. Ao atingir suas metas semanais ou mensais, comemore. E, se não conseguir atingir, seu subconsciente vai "cobrá-lo" para esforçar-se mais no próximo período, o que ajuda a combater a procrastinação.
Uma das técnicas mais poderosas para combater a procrastinação, e que facilita em muito o trabalho de escrever um romance ou um roteiro de longa metragem, é seguir uma abordagem estruturada para escrever sua obra.
Ao fazer isso, além de evitar que você não saiba que rumo a trama vai seguir, você saber quando vai terminar a primeira versão - suas metas passam a ser por resultado, não por produtividade na escrita.

Vamos falar sobre isso em outra oportunidade, e até lá, fique à vontade para perguntar sobre qualquer ponto que não ficou claro, ou completar com suas dicas para outros escritores!


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