16 de dezembro de 2009

Dicas para começar a escrever - e continuar escrevendo!

Como última postagem do ano, vou publicar algumas questões levantadas pelo colega Rafael Morgan (http://www.rafaelmorgan.com/) e, a seguir, as minhas respostas. Acredito que serão úteis para diversas pessoas. Estou saindo de férias, em janeiro volto com novidades! Abraços e obrigado a todos os que me acompanham!
Sempre tive minha criatividade, que carrego comigo desde criança, focada nas artes plásticas e visuais, no entanto, nesses últimos dias, senti um desejo tremendo de escrever. Comecei a esboçar alguns parágrafos, os quais pensava que acabariam por fundir-se em um conto. Me enganei. A minha idéia central, ou como você mesmo disse, o cerne da trama, foi crescendo de forma incontrolável, até o ponto em que eu acordei, no meio da noite, com uma trama longa e complexa, com começo, meio e fim. Acredito ser uma ótima história que pode, eventualmente, se tornar um bom livro. O enredo é, de certa forma, um pouco auto-biográfico mas estou tentando me desapegar dessa idéia, tanto para conseguir criar um personagem mais livre, quanto para que o desenvolvimento do livro seja mais leve e não embrenhe muito em meus medos, anseios e conflitos pessoais. Bom, se me permite, gostaria de fazer algumas algumas perguntas, já que, pela própria existência do seu blog, acredito que se sente motivado a ajudar novos escritores. Sempre que escrevo um novo capítulo ( estou no terceiro, quase no quarto) volto nos capítulos anteriores e modifico algumas ( ou muitas) coisas, com o objetivo de criar uma obra mais concisa. Isso, de algum modo, é um processo um tanto quanto desgastante. Esse tipo de atitude é comum entre os escritores ou apenas reflete minha falta de experiência na área? De qualquer forma, como sou muito perfeccionista, tentarei "polir" essa obra ao máximo. Existe alguma técnica específica que possa ajudar a evitar esse tipo de vai e vem? Às vezes, também sinto que falta alguma cola, liga entre os parágrafos? Existem expressões ou técnicas que ajudem a criar uma fluidez maior e, consequentemente, um andamento mais suave? Se conhecer algum livro que possa me ajudar, que cubra algumas dessas técnicas e que possa me auxiliar tecnicamente na construção dessa trama, poderia me indicar?
1) É normal voltar e reescrever, não se preocupe. À medida em que a trama for evoluindo, provavelmente você vai ter menos modificações estruturais, ficando apenas ajustes, digamos, "cosméticos". É bom ser perfeccionista, ou pelo menos é o que eu acredito, até porque também sou assim. Só cuidado para que isso não o canse e acabe desanimando. 2) Quanto à técnica, não existe uma forma única de escrever, mas quando estou escrevendo um livro onde a trama é sofisticada, o que ajuda é escrever apenas um ou dois parágrafos por capítulo, com a idéia central do capítulo, organizando com isso o "esqueleto" da trama. Com isso, ao fim deste trabalho você terá uma visão bem melhor do livro, diminuindo a reescrita quando for escrever os capítulos. Obviamente, estes poucos parágrafos por capítulo serão jogados fora depois, mas isso ajuda o livro a ser mais coeso desde o princípio, e dá um certo ânimo porque "vemos a coisa evoluir", se é que você me entende. 3) Quanto à "liga entre os parágrafos", isso já é mais difícil. O ideal é fazer o chamado "close reading" em textos de outros autores. Leia o livro "Para ler como um escritor", de Francine Prose, que você vai ver diversas dicas de como fazer isso. 4) Quanto à estrutura da trama, sugiro ler o "Você já pensou em escrever um livro?", da Sônia Belloto. Ela fala bastante bem desta questão. E espero terminar, daqui até o fim do ano, o "Como Escrever um Romance pronto para o Sucesso" (título provisório), que vai abordar estas e outras questões. :)

30 de novembro de 2009

Dicas para encontrar um agente literário e entrar no mercado Americano

O mercado livreiro Americano é extremamente mais organizado do que o Brasileiro. As pessoas se comportam de maneira muito mais profissional, e os limites entre as atividades são bem melhor delimitados.A especialização acontece naturalmente dentro de um mercado com esta sofisticação. Assim, há agentes literários que só trabalham com livros de terror, outros especializados em biografias e livros de auto-ajuda, e por aí vai.Há duas semanas me encontrei em Los Angeles com um agente que atendia ao tipo de livros que escrevo - "thrillers" com grande pesquisa histórica, escritos de forma a tornar a leitura ágil, os famosos "page-turners". Ainda estamos conversando, mas acredito que os prognósticos de futuro são auspiciosos, se é que se pode falar de tal coisa, e de tal forma! :) Algumas dicas essenciais para conseguir um agente que te represente no exterior:1. Procure um agente que trabalhe com o seu tipo de livro. Você acha algumas listas de agentes em http://www.guidetoliteraryagents.com/, http://www.writers.net/ ou http://www.ebookcrossroads.com/agents.html 2. Informe-se sobre o mercado. O site da SFWA (Associação de escritores se Ficção Científica da América) tem excelentes informações, como uma lista de agências literárias não confiáveis (http://www.sfwa.org/for-authors/writer-beware/thumbs-down-agency), informações sobre a mal vista cobrança de taxas por alguns agentes literários (http://www.sfwa.org/for-authors/writer-beware/fees), o formato esperado pelos agentes e editoras para os originais (http://www.sfwa.org/2005/01/the-obligatory-manuscript-format-article) e inclusive um modelo de contrato de autores e agentes literários (http://www.sfwa.org/2009/07/sfwa-model-author-agent-contract). 3. Escolhido o agente, informe-se em seu site pessoal sobre seu portfólio e como ele espera receber seu trabalho. Nunca envie seu livro - normalmente, eles esperam receber apenas uma proposta de seu trabalho ("Query Letter" - veja um exemplo ao fim deste post). Nunca envie anexos no e-mail, a menos que o agente solicite explicitamente. Estas dicas são suficientes para você começar. Lógico que há muito mais - você precisa saber como maximizar as chances de vender seu trabalho! Mas falamos sobre isso em futuros posts, após minhas férias! :) 4. Conversas e propostas precisam ser em inglês. É essencial também que o livro esteja em inglês, se for curto, ou que tenha 4 capítulos em inglês e uma sinopse completa, inclusive descrevendo o final do livro, se for longo. Segue um exemplo completo de "Query letter", de meu livro "O Nome da Águia".
To From Author Alexandre Santos Lobão E-mail: contato@AlexandreLobao.com Site: WWW.AlexandreLobao.com Book Title and subtitle The Name of the Eagle A five-thousand-year war coming to an end Presentation Five thousand years ago, in one of the thirteen Habirus tribes – which later formed the Hebrew people – two groups start a power dispute. Seeking for a divine orientation, they sacrifice an immaculate white goat to one of their gods, Yahu. The orientation did come, but it was not what they expected, and what started as an unimportant conflict among thousands of others forgotten in History grows into painful scars that echo through time into the next millennia. The last and most terrible of these echoes was the Second World War. On the eve of the American elections in 2012, an old secret is discovered in an old Nazi bunker, where it had been buried since the end of the Second World War. That old secret can revolutionize our understanding of History and the Sacred Writings, and more than that, it may lead the world into a new global war. Largely based on facts, this novel mixes History and fiction, reality and religion in a well-balanced result that involves the reader, thinning the line between the imaginary and the real world. Why this book is unique The page-turner style and a cool hot site (www.ONomeDaAguia.com/English), with curiosities, images and other references that expand the book experience, will have an immediate appeal to most readers… But this book is more than that, with unique features such as: * Structure: Besides its two intercalated plots, with small chapters ending in suspense, a characteristic of most of page-turners, it includes a third narrative, with historical moments that shows how the situation evolves through History, from five thousand years ago to the Second World War. The story told in last chapter of the Historical narrative, towards the end of the book, has a connection with the first chapters of the other two intercalated plots, creating an interesting cyclic effect. * Magical Realism: Different from American page-turners, this book mixes Historical facts with religious facts, with a unique Magical Realism vision, A characteristic of many Latin-America novels. Classification tags Novel, Fiction, page-turner, Thriller Target public Broad range of readers, mainly adults. The book is particularly interesting for readers who like page-turners and books with a strong Historical background, like those by Dan Brown, James Rollins, Michael Crichton and David Gibbins. Pages 320 pages (Brazilian edition) Publishing Status The book is published in Brazil, with a countrywide Brazilian Portuguese contract. Available for publishing in any other countries and languages. The book is written in Brazilian Portuguese, and has four chapters translated to English. Competition Page-turners with a strong Historical background, such as most of the books by Dan Brown, James Rollins, Michael Crichton and David Gibbins. Formats/program types Hardcover, paperback, CD, Audiobook, Unabridged Audio (condensing or rewriting), MP3, Download and available to read on Kindle

12 de novembro de 2009

Carreira internacional para escritores - e "Mistérios em Floripa", de Rodrigo Capella

Colegas escritores: Estou indo semana que vem a Los Angeles, onde tenho um encontro marcado com um agente literário. Os preparativos foram bastante extensos, incluindo preparação de propostas, revisão de traduções e uma pesquisa extensa para entender um pouco mais sobre o mercado americano. Ainda estou na correria, embora quase tudo já esteja certo. Peço paciência, quando voltar reservo um post ou dois sobre o assunto. Quem tiver dúvidas ou curiosidades, pode ir colocando como comentários para este post! :) Abraços e até a volta!
Não pretendo transformar este blog em uma área para divulgar livros; mas volta e meia abro uma exceção, normalmente para colegas que também ajudaram de alguma forma a divulgar meu trabalho. Particularmente não conheço o trabalho do Rodrigo Capella, mas estou curioso para conhecer! Segue o release do lançamento.

O escritor e poeta, Rodrigo Capella, autor de “Transroca, o navio proibido”, que está sendo adaptado para o cinema pelo diretor Ricardo Zimmer,acaba de lançar o seu décimo livro.
Trata-se de “Mistérios em Floripa”. Com muita ação e suspense, o décimo livro do autor é envolvente e pode ser lido em apenas uma tarde. Tudo começa no clássico do futebol catarinense (Avaí e Figueirense) e depois ganha as ruas de Florianópolis.
Leia e ajude a desvendar quem matou o jogador Leleco, a estrela do Leão da ilha. O presidente do Avaí, Zunino (na foto), já recebeu um exemplar.
Para você adquirir o seu, entre em contato com o autor pelo e-mail contato@rodrigocapella.com.br

9 de novembro de 2009

Novo (e Divertido) Acordo Ortográfico

Amigos! Todo artista precisa dominar as ferramentas de seu ofício! Repasso a vocês, ipsis literis, a mensagem que recebi do colega escritor Andrey do Amaral, sobre seu livro "Novo (e Divertido) Acordo Ortográfico". Vale conferir, para quem (como eu...) ainda não está 100% pronto para a nova ortografia!
Olá, sabe meu livro Novo (e Divertido) Acordo Ortográfico? Fizemos um vídeo que já disponível no You Tube http://www.youtube.com/watch?v=aHFAaL6Fajk A Folha OnLine (Folha de S. Paulo) recomendou-o na seção Fovest, uma das mais acessadas por professores e alunos vestibulandos. Faça o mesmo com seus amigos e familiares: recomende-o também. Cole no seu Blog, adicione no seu Orkut ou Facebook, entre outras mídias.
Leia o 1º capítulo grátis no site da Livraria Cultura e da Americanas.com
Veja a matéria da Folha:
Vídeo fala sobre mudanças do novo acordo ortográfico Quem ainda não conseguiu se adaptar às mudanças do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em vigor desde o início de 2009, pode consultar o LivroClip "Novo (e Divertido) Acordo Ortográfico", que está disponível gratuitamente na internet. Baseada na obra homônima de Andrey do Amaral, publicado pela Editora Ciência Moderna, o trailer mostra alguns exemplos do que muda no dia a dia com o as novas regras. As mudanças são expostas pelo autor com explicações e exemplos do cotidiano, de forma animada. O vídeo pode ser baixado gratuitamente aqui. Fonte: http://blogdofovest.folha.blog.uol.com.br/ Publicado em 30/10/2009
Acesse também no You Tube nosso livroClip sobre O máximo e as máximas de Machado de Assis, já com mais de 1500 acessos
Mais uma vez agradeço o seu empenho na divulgação do meu trabalho. Meus livros estão à venda em todo o país. Visite meu site! Obrigado.
Meu forte abraço.

3 de novembro de 2009

Premiação - Conto no Concurso FC do B

Amigos! Fui premiado pela segunda vez seguida no concurso FC do B, de contos de ficção científica. Seguem as informações da organização do concurso. []s!
A Organização do FC do B gostaria de agradecer a todos os escritores que participaram desta edição, que com talento e criatividade, colaboraram para o sucesso do concurso.Foram inscritos 284 trabalhos de autores brasileiros de diversos estados e do exterior (Portugal, EUA, França e Japão).
R E S U L T A D O

Betes! - Alexandre Lobão A necronauta - Alexandre Veloso de abreu Mnemosine - Alícia Azevedo Nano - Anderson Santos A missão - Tom Azevedo Realidade 2.0 - Antonio Velasko Just Watching - Bruno Nogueira A Torre Kireru - Carlos Abreu Linguístrix - cK Maldito Escocês - Dalton Lucas C.de Almeida Sob a terceira orbita - Davi M.Gonzales Fantasma Transplantado - Alliah Sine Wave - Duanne Ribeiro Maunder Minimum – Eduardo de Paula Nascimento A Dimensão dos Espíritos - Felipe Ribas A Segunda Vida de Lance Armstrong - Augusto Guimarães Cemitério Russo - Henry Alfred Bugalho O futuro é o passado - Hugo Vera Simbiose - Jean Canesqui Ah, insensato coração - João Paulo Vaz Faces - Maria Helena Bandeira A estrela da manhã - Nelson Salles Ultimato - Dudu Torres Bóson de Higgs - Sheilla Liz Condenado em Limax IV - Ubiratan Peleteiro Projeto Ária - Leona Volpe A Organização do concurso já se encontra em negociações para a publicação da coletânea com os trabalhos vencedores.Acompanhe as novidades no site oficial do concurso: http://www.blogger.com/www.fcdob.com Concurso Literário FC DO B - Ficção Científica Brasileira "Ajudando a escrever a História da FC Brasileira" Site : http://www.fcdob.com/Email: fcdob_concurso@yahoo.com.br

26 de outubro de 2009

"Choque de realidade" para escritores

 expressão não é minha, é de James McSill. (Se você é escritor brasileiro ou português, e ainda não ouviu falar dele, com certeza ouvirá nos próximos meses. O James (junto com Mardeene, sua associada) está entrando forte no mercado para coaching de autores de língua portuguesa para o mercado internacional. Saiba mais sobre ele em http://www.mcsill.com/).
Independente da autoria da expressão, vale o choque. Posso não fazer isso tão bem quanto o James, mas acho que conseguirei colocar uma ou outra minhoca na cabeça de vocês. Vamos aos fatos (apenas alguns que me vêm à cabeça no momento):
1) Publicação: Se você acha que conseguir uma editora para publicar seu trabalho é difícil, pense de novo. Com um trabalho de qualidade, e uma pesquisa nas livrarias para conseguir achar as editoras que podem se interessar por seu trabalho, você já consegue muita coisa. Se você pesquisar nos sites das editoras e verificar quais as condições para envio de originais, e ainda em que linhas cada editora está pensando em investir, você já chega mais perto. Conversando com gente do ramo (editores, livreiros, jornalistas, etc), ficando a par de dicas e novidades, e especialmente conseguindo uma indicação dentro da editora, sua publicação está quase garantida. Difícil? Você não viu nada...
2) Distribuição: Se você não conseguiu esperar por uma editora de maior porte, e decidiu publicar naquela pequena editora de sua cidade, ótimo! É bem mais fácil, você começa a "mostrar serviço" e abrir caminho para a sua carreira de escritor decolar! Pena que eles não distribuem no resto do Brasil! Assim, este passo é interessante e recomendável (comecei assim!), mas é bom ficar ciente que seu trabalho ficará restrito à sua cidade, e com distribuição provavelmente pequena, então cuidado com ilusões de grandeza neste ponto! E mais importante ainda: se você vai pagar pela edição, verifique antes se *haverá* alguma distribuição - há muitas "editoras" que na verdade são apenas gráficas disfarçadas; e se você não tomar cuidado pode acabar com mil livros em suas mãos, e nenhum nas livrarias!
3) Divulgação: A maioria dos editores nacionais, infelizmente, é conhecida pela sua notória capacidade de não incluir no projeto de seus livros um custo para marketing. Desta forma, mesmo após conseguir publicação e distribuição nacional, por uma boa editora, seu livro pode acabar empoeirando nas livrarias, sem destaque e sem divulgação. Soluções? Driblar o esquema: buscar escrever artigos para jornais e revistas, para despertar interesse por seu nome, produzir blogs, sites, participar de listas de discussão sobre livros, dar palestras em quantas livrarias puder, apresentar seu trabalho para vendedores de livros (de livrarias, ou mesmo destes de porta-em-porta, que incrivelmente são responsáveis por um alto volume de vendas em determinadas regiões do Brasil), etc, etc. Se você consegue abrir espaços e precisa de uma verba (para banners, por exemplo), fica mais fácil negociar com seu editor!
4) Vendas: Excelente! Você conseguiu publicar seu livro por uma grande editora, vê-lo distribuído em escala nacional, e até conseguiu abrir algum espaço na barreira da mída para divulgá-lo! Agora, é só sentar e colher os louros (ou os royalties), certo? Infelizmente, não. Digamos que você faça um contrato com a editora "X", que publica uma edição de 10.000 exemplares de seus livros. Você faz uma forte campanha pessoal e consegue vender, digamos, mil livros em um ano. Se no segundo ano a editora vender apenas trezentos livros, você acha que ela irá comprar um outro livro seu? Pior: você acredita que OUTRA grande editora irá comprar um livro seu, sabendo do "fracasso" do primeiro? Seu livro precisa se encaixa r em um dos dois moldes: Ou ele é um bestseller, que vende muito em pouco tempo, ou ele faz parte da backlist da editora, vendendo pouco, mas de forma constante ao longo do tempo. E adivinha quem é o responsável por mantê-lo sempre visível, para garantir que será, pelo menos, um livro da backlist?
 Leia com calma os pontos acima e pense em todas as suas implicações.
Se após isso você ainda quiser continuar escrevendo, Parabéns! Você já tem tudo o que é necessário para ser um escritor: inspiração, persistência em, principalmente, um grande ego.
Se você desanimou, me desculpe. Neste caso, recomendo que você publique um livro - para mim, isto sempre funciona para fazer o ego crescer! :)

16 de outubro de 2009

Auto-Publicação - vale a pena?

O colega Hernani, em um comentário sobre meu post sobre a produção de diálogos, levantou a questão: Vale a pena pagar para publicar seu livro? A primeira questão é o orçamento para a publicação, que irá variar largamente dependendo do número de páginas, número e cores das ilustrações, região do país, tipo do papel, e muitos etc. Mas prepare-se para gastar algo entre 3 e 10 mil reais, para livros entre 100 e 300 páginas. O segundo ponto a levar em conta é a procura da "casa" ideal para sua obra, pois há uma série de coisas que uma editora irá fazer que uma gráfica não faz. Cuidado com isso: Existem editoras com programas de "novos autores", que arriscam seu nome em trabalhos específicos, pagos por novos autores mas avaliados antes por profissionais da casa; existem gráficas que se dizem editoras, e existem gráficas. Busque sempre as primeiras, e verifique os trabalhos anteriores da empresa para ter certeza de estar entregando sua obra a uma editora que irá garantir a qualidade que você espera e merece. Publicar seu livro desta forma é razoavelmente fácil; mas este é o menor dos problemas. Muitos escritores iniciantes acham que após a publicação o livro irá "se vender sozinho", e que eles podem partir para escrever o próximo. Ledo engano: uma das maiores dificuldades para novos autores é a distribuição. Como fazer para que seu livro chegue às livrarias? Ele será distribuído nacionalmente? Levante estas perguntas junto à editora que irá publicar seu trabalho, e se a editora for pequena, busque verificar a veracidade das respostas. Estes são apenas dois dos vários problemas da auto-publicação - podemos comentar outro futuramente... Mas e quanto à pergunta do Hernani: Vale a pena? Sim, vale a pena. Meu primeiro livro foi auto-publicado, na editora Thesaurus, de Brasília. André Vianco, hoje autor consagrado pelo público, disse-me certa vez que publicou três ou quatro livros por conta própria, até conseguir emplacar o "Sete" na Novo Século. Além da óbvia vantagem de ser visto - como alguém quer "ser descoberto" por uma grande editora sem ter nada no currículo? - ter um livro seu nas mãos dispara algo mágico: você se descobre escritor, fica motivado a publicar mais, percebe que seu sonho é possível! E depois de publicar o livro, e conseguir que ele seja distribuído nas livrarias, sua carreira de escritor já decolou, e nada pode derrubá-la, certo? Sinto dizer que não é bem assim - ainda resta muito trabalho a fazer, mesmo (ou especialmente...) se você conseguir ser publicado por uma grande editora! Mais sobre isso em um futuro post...

9 de outubro de 2009

Sobre o livro "Marketing para escritores", de Julis Orácio Felipe

Um post breve: Li o livro completo em menos de vinte minutos; além de poucas páginas ele abusa do tamanho das letras, espaçamentos e etc. Isso não seria um problema se o conteúdo fosse de grande relevância, mas muitas páginas são simples citações da Wikipedia sobre o que é o marketing e eventuais comentários do autor. Acredito que como uma apostila introdutória ao assunto, se custasse metade do preço, valeria à pena. Normalmente, não "desrecomendo" nada, só comento sobre o que gostei. Mas neste caso, como me senti meio "traído" porque achei que o livro não entregava o que prometeu, resolvi abrir o verbo.
* * *
Sim, eu sei que estou devendo um post que me pediram sobre o que acho da "auto-publicação", o autor custear seus próprios livros. Tenho excelentes exemplos sobre como isso pode ser bom (e ruim), creio que semana que vem conseguirei falar sobre isso!

6 de outubro de 2009

Para quem deseja publicar no exterior

Caros amigos: Divulgo abaixo um chat com James McSill e Mardeene Mitchell, que fazem coaching de autores da língua portuguesa para os mercados americano, inglês e outros. O chat é gratuito, e uma excelente oportunidade para aqueles que têm como meta publicar algum dia no exterior!
Imperdível! Publicar no exterior: chat com Mardeene Mitchell and James McSill Mardeene Mitchell vai estar outra vez conversando com autores e agentes brasileiros, portugueses e espanhóis. Venha participar conosco. “Se você quer publicar no exterior você precisará de contatos no exterior: como podemos ajudar você a quebrar as barreiras e se publicado no mercado americano (em em qualquer outro grande mercado mundial).” Traga para o chat as suas perguntas sobre agentes, agências, editoras e sobre técnicas e estilos que poderão alavancar a venda de seu livro no exterior, se já publicado. CHAT GRATUITO! Para se inscrever, vá a pagina http://www.mcsill.net/chat.php , salve o link em seu browser , crie um “apelido” e envie-o juntamente com seu nome para james@mcsill.com pedindo que lhe reserve um lugar na sala de bate-papo. Ao confirmarmos a sua participação, enviaremos mais detalhes. Data do chat: 16 de outubro Hora do chat: 9 da manhã, hora do Brasil; 13:00, hora de Portugal; 14:00, Espanha. Abraços, James & Mardeene http://www.mcsill.com/

5 de outubro de 2009

"Para ler como um Escritor" - ou - Sobre a profissionalização do escritor

Amigos! Descoberto o mistério - por engano, publiquei este post em outro blog, da Casa de Autores (visitem!), grupo de escritores do qual faço parte. Segue o post, como deveria ter sido publicado na sexta passada. Até o fim da semana tem mais!
Como já falei aqui, estou lançando um livro ("Uhuru") depois de amanhã, neste sábado. Quem já passou por isso sabe como é: uma correria louca nos últimos dias, para deixar todos os detalhes certos, convidar a todos que devam ser convidados e muito mais; tudo isso regado a muito stress no estilo "pré-dentista", aquela agonia de ficar esperando pelo inevitável, que todos conhecem bem. Em suma: eu tinha tudo para adiar as postagens no blog, mas não resisti: Eu simplesmente PRECISO falar com todos que puder do livro que estou lendo, "Para ler como um escritor - um guia para quem gosta de livros e para quem quer escrevê-los", de Francine Prose, da editora Zahar. O livro é denso, por vezes até um pouco difícil de ler, no sentido que você quer reler o que acabou de ler para ter certeza de que entendeu bem, que apreendeu tudo o que podia. Mas é um dos livros mais gratificantes que li nos últimos anos! Vejam bem: Se você quer ser artista plástico, você ingressa em uma graduação de Artes Plásticas. Idem se você quer ser músico. No entanto, se você deseja ser um escritor, não há cursos superiores para isso. Ou melhor: Não havia cursos superiores para isso no Brasil. Não "havia", porque agora temos cursos na PUC-Rio e na Unisinos, no Rio Grande do Sul. E "no Brasil" porque, em outros países, cursos como estes são tão tradicionais quanto cursos de graduação para artes plásticas e música. E Francine Prose foi mestra nestes cursos em universidades como Harvard, Columbia e Iowa por mais de duas décadas, além de ser escritora. "Para ler como um escritor" é um curso para escritores desde a primeira página; e meu coração salta excitado cada vez que leio Francine formalizando aspectos da leitura e da escrita que sempre segui, de maneira intuitiva! Se você realmente deseja ser um escritor, a regra geral sempre foi ler muito, o tempo todo, e aprender com os erros e os acertos de outros escritores, ilustres ou nem tanto. Mas de todas as leituras que você pode realizar, acredito o livro de Francine provavelmente é a mais importante de todas!

4 de outubro de 2009

Falha no blog?

Estranho... Publiquei um novo post na sexta, e agora sumiu... Errei, ou erraram? Bom, esperem esta semana novos posts!

21 de setembro de 2009

Como escrever diálogos

Acredito que uma das coisas mais difíceis para o autor iniciante é escrever bons diálogos. Na verdade, confesso que recentemente li alguns autores já reconhecidos que tem problemas com isso. Portanto, esqueçamos o "iniciante" na frase anterior. Há diversos "crimes" que podem ser cometidos contra um bom diálogo. Assim, de cabeça, vou tentar lembrar de alguns que realmente me incomodam quando estou lendo um livro:

  • Lecturing: Perdoem o estrangeirismo, mas é que a palavra mais próxima em português para isso seria "lecionar", e ela não representa bem o sentido original, quando falando de diálogos, que é algo mais perto de "apresentar palestra" ou, quem sabe, "panfletar". Fico bastante incomodado quando um personagem fica apresentando explicações que não se enquadram no texto! Se você sente necessidade de colocar um personagem explicando alguma coisa (seja a resolução de um mistério, um dado técnico de alguma coisa ou uma lição de moral), tome cuidado: há uma grande chance de seu texto estar com algum furo, pois de forma ideal o leitor entende um livro sem necessidade de palestras! Por vezes, uma ou outra explicação pode ser necessária, mas cuidado, evite colocar um personagem perguntando mil coisas para o outro, que vai explicando, explicando, por páginas a fio, apenas interrompido pelo indagador, que volta e meia faz alguma pergunta para permitir que a explicação continue. Além de quebrar o ritmo da narrativa, esta abordagem passa a impressão de que o personagem que pergunta é um tolo ou um chato...
  • Monólogos a dois: Nada é pior que um diálogo onde todos os personagens tem a mesma “voz”! Defina bem o background de seus personagens, tenha sempre em mente quem cada um deles é, seu passado, sua forma de agir. Há duas formas para estes monólogos: Quanto ao conteúdo, quando um personagem fala uma coisa, e o seguinte continua a idéia, e assim por diante, mostrando uma homogeneidade muito grande de idéia; e quanto à forma, onde todos os personagens “soam” iguais, mesmo com idéias diferentes. Uma criança usa palavras diferentes que um idoso, e pessoas do Nordeste vão usar termos diferentes de um sulista, atenção para estes detalhes!
  • Clichês, jargões e outros bichos: Cuidado ao escrever os diálogos! Evite colocar seus vícios de linguagem, ou pior, de escrita, na boca dos personagens. Advogados, médicos e analistas de informática são célebres por utilizarem uma “linguagem própria” no seu dia a dia; e isso não se restringe a estas profissões. Lembre-se: um personagem só deve utilizar jargões e clichês ou um vocabulário pouco usual em um diálogo se isto fizer sentido na história!
  • Ninguém é um só: Uma última dica: ninguém é um só! Uma pessoa gozadora tem seus momentos de tristeza e seriedade, e mesmo uma pessoa com depressão patológica se permite alguns momentos de felicidade e esperança. Não transforme seus personagens em estereótipos – exceto, talvez, se você desejar dar-lhes um efeito cômico!


Para fechar: Sábado passado estive com os autores da “Casa de Autores” em Unaí, MG, apresentando a palestra “Formando os escritores de amanhã”, sobre como formar leitores, formando escritores. Sábado que vem, estarei com a “Casa de Autores” falando com leitores em um evento no Shopping de Valparaíso, GO. Como já falei antes, “o gado só engorda sob o olhar do dono”.

Mais sobre isso em futuros posts!

14 de setembro de 2009

Agora no twitter...

Dois dias depois da postagem abaixo, fui "forçado" a entrar no twitter, levado pelos comentários de uma nova agente literária com quem troquei idéias... Pois bem: estou no twitter agora, acompanhando algumas coisas interessantes. Não devo piar muito (os "problemas técnicos" continuam...), mas quem desejar me seguir, o meu endereço é http://twitter.com/AlexandreLobao. Volto aqui em breve, com alguns comentários interessantes sobre o mercado editorial nacional...

11 de setembro de 2009

Vida de escritor... e Uhuru!

Se eu estivesse no twitter - ainda não estou por alguns problemas técnicos e, confesso, pura falta de vergonha na cara... - ficaria fácil explicar a demora desta nova postagem. Nas últimas semanas, praticamente terminei de escrever o livro "Como escrever um romance de sucesso" (título provisório), conversei por horas com três agentes literários, dois editores, diversos gerentes e coordenadores de livrarias, muitos escritores - alguns famosos e outros que ainda chegarão lá - distribuidores de livros, soube que "Uhuru", meu novo livro, será lançado em breve, e vários etc. Além de tudo isso, Ed, meu mini-schnauzer, faleceu, modificando toda a rotina da família com bastante tristeza. Como disse, se eu estivesse no twitter, estaria piando a cada cinco minutos. De todas as conversas que levei nestes dias , restaram muitas páginas de anotações, e muitos questionamentos e respostas que devo postar por aqui eventualmente, principalmente em torno da questão: Como fazer sucesso no Brasil, dada a nossa (falta de) política editorial de incluir uma verba para marketing no orçamento de cada livro?

Enquanto não organizo e passo a limpo estes novos pensamentos e opiniões, segue uma "avant-première" do lançamento de meu novo livro, "Uhuru". O convite oficial vai acontecer em breve! "Uhuru" é um menino magrelo, bom de bola e com um nome estranho, que à medida que cresce e enfrenta problemas na sua rotina de pré-adolescente, descobre aos poucos a história de seus antepassados e o segredo por trás de seu nome. Apesar do foco ser o público jovem, Uhuru é uma história para todos, que fala sobre superação, amor e coragem, e sobre o verdadeiro valor dos seres humanos, que transcende nomes ou raças. Vale o destaque para a bela arte de E.C.Nickel, ilustrador e desenhista de quadrinhos, que completou de maneira brilhante a emoção do livro! E tudo isso no estilo de "O Nome da Águia", com muita pesquisa histórica, ação e emoção! O livro estará em breve nas redes de livrarias Siciliano/Saraiva e Leitura, além do site da editora http://www.lgeeditora.com.br/. O lançamento será na livraria Cultura de Brasília, a partir das 16:00h do dia 03 de outubro. Vejo vocês lá!

26 de agosto de 2009

Motivação para novos escritores - Por que continuar escrevendo?

Curiosamente, recebi nestas últimas semanas diversas mensagens e comentários aqui no blog falando sobre motivação. Para ser mais claro, sobre falta de motivação. Estes escritores que entraram em contato falavam justamente como é difícil manter-se motivado, tendo em conta que tudo parece conspirar contra o autor estreante. Mas será que isso é verdade? Vejamos alguns números: uma editora de médio porte recebe de 3 a 4 originais para serem avaliados por dia, editoras grandes chegam, por vezes, a receber 30 exemplares em um único dia. Para simplificar as contas, imaginemos que você envie seu original para uma editora que receba 10 novas submissões por dia (afinal, você quer ser publicado por uma grande editora!). Considerando Dez livros por dia, 20 dias úteis por mês (descontando os feriados), 12 meses por ano; seu livro irá concorrer com 2.400 outros originais recebidos no mesmo ano. Se este número parece desanimador, é porque você não conhece a realidade editorial no país! Simplificando, basta dizer que 90% destes livros são descartados porque não se enquadram na linha editorial da editora (por exemplo, livros de poesia enviados a editoras que nunca publicaram poesia...), e 90% dos 240 que restam são descartados após a leitura das primeiras páginas (normalmente, os avaliadores das editoras lêem dez, no máximo vinte páginas para ter uma idéia da qualidade do livro). Em outras palavras, se você escreve bem e envia seu livro para a editora certa, concorrerá apenas contra 24 novos autores. Aí, é a sua qualidade é que conta! Vejamos outros números, da recente pesquisa da FIPE, "Produção e vendas do mercado editorial 2008", realizada a pedido da Câmara Brasileira do Livro e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros: Em 2008 foram lançados mais de 50.000 novos títulos, um crescimento de 13,3% em relação ao ano anterior. Deste total, foram 19.174 títulos em primeira edição, um crescimento de 4,46% em relação a 2007. A pesquisa mostra outros resultados interessantes, inclusive um aumento de faturamento do setor e uma diminuição do preço para os leitores. Em poucas palavras: o mercado nunca esteve tão receptivo para novos autores! Independente disso, apresento minha filosofia de vida pessoal: se você acredita no que faz, continue fazendo! Acredito firmemente que há dois tipos de pessoas no mundo: aquelas que acreditam no que fazem, e continuam em frente até atingirem seus objetivos (sejam eles quais forem!); e aquelas que simplesmente desistem antes de conseguir. Continue escrevendo e se aperfeiçoando! Para fechar, uma frase que ouvi da Lya Luft, em uma palestra proferida em Brasília (tirada de memória): Há mais porcarias publicadas do que obras perdidas de gênios incompreendidos. Se você continua escrevendo, um dia será descoberto!

11 de agosto de 2009

Pequenos ajustes...

Caros amigos escritores e afins: Alterei o blog principalmente para oferecer novas funcionalidades. Agora, do lado esquerdo da tela, é possível assinar o feed de RSS, para receber as novidades direto no seu leitor de e-mails ou RSS preferido! Outras sugestões de melhoria são sempre bem vindas!

6 de agosto de 2009

Enquanto isso, na noite de autógrafos...

Então, você finalmente realizou seu sonho e conseguiu publicar um livro! Agora, vem a hora mais temida: a noite de autógrafos! Alguns problemas são facilmente resolvidos. Por exemplo: como evitar aquela situação constrangedora de ter um livro para autografar em mãos, olhar nos olhos daquele amigo da época do segundo grau, e quer seja por nervosismo, quer seja pela idade ou outra desculpa qualquer, não lembrar do nome dele? Nada mais fácil: O responsável por vender os livros pergunta o nome de cada comprador, e o escreve em um pequeno papel, que deixa dentro do livro - por mais que a pessoa insista que "não precisa, pois sou amigo do autor"! Mas nem tudo se resolve tão simplesmente. Se você acha que escrever um livro é difícil, experimente escrever dezenas (com sorte, centenas) de frases espirituosas em uma única noite! Normalmente, eu invento algumas frases, e escrevo dedicatórias com variações delas, seguidas de uma saudação mais ou menos calorosa dependendo do grau de intimidade com o leitor. Com um detalhe importante: para amigos próximos ou pessoas da mesma família, as frases precisam ser diferentes, pois com certeza eles vão comparar as dedicatórias! Como precisei pensar um monte de frases estes dias, para uma camiseta que uma empresa de camisetas está fazendo com frases de escritores, seguem algumas idéias para suas noites de autógrafos - lembrando que, caso usem ipsis literis, por favor mencionem a fonte! :) • “Escrever é construir pontes entre a mente do autor e o coração dos leitores” • “Escrever é construir pontes entre a alma do autor e a imaginação dos leitores” • “Escrever é a arte de cativar sonhos com tinta e papel” • “Escrever é a arte prender sonhos em tinta e papel” • “Um bom livro se lê nas entrelinhas” • “Um bom livro se lê nas entrelinhas, no espaço entre a alma do autor e a imaginação do leitor” • “Escrever é capturar sonhos e prender no papel, como quem faz uma coleção de borboletas. Já ler é pura magia: você as revive e liberta!” • “Todos sabem contar histórias, o escritor é apenas aquele que sabe transcrevê-las para o papel” • “Escrever é arte e ofício. A arte dá a alma da obra, mas só um bom ourives a materializa sem maculá-la” • “Escrever é mais que arte, é mais que ofício: é a soma de ambos. Sem inspiração, o livro fica sem alma; sem técnica, a alma não aparece no livro.” • “Todo autor deve sempre buscar se aperfeiçoar, pois escrever é mais que arte, é mais que ofício: é a soma de ambos. Sem inspiração, o livro fica sem alma; sem técnica, a alma não aparece no livro – e nestes casos, ou o livro não representa o autor, ou não agrada o leitor” Em breve, um post sobre motivação! Fiquem ligados!

28 de julho de 2009

Rodrigo Capella prepara lançamento virtual

Amigos! Hoje farei uma pequena pausa para divulgar o trabalho de Rodrigo Capella, escritor e incentivador da arte da escrita. O Rodrigo tem uma comunidade no Orkut com dicas para autores, e um de seus próximos lançamentos é justamente uma coletânea de dicas sobre o mercado editorial. Fiquem de olho no o lançamento (virtual)! Data e hora: 04 de agosto, das 18h30 às 20h00 Local: http://www.ustream.tv/clubedeautores! Forte Abraço, segue o convite oficial do Rodrigo!
O escritor e poeta Rodrigo Capella, 28 anos e autor de seis livros, entre eles “Transroca, o navio proibido”, que está sendo adaptado para o cinema pelo diretor Ricardo Zimmer, prepara o lançamento virtual de mais três obras inéditas, publicadas pelo Clube de Autores. São elas: “@ntologia online” (reúne textos dos escritores que participam da comunidade do Orkut “Dicas para publicar um livro”, criada por Capella); “Loucuras de um escritor” (traz textos sobre a viagem do escritor a Europa); e “Dicas para escrever, publicar e vender um livro” (com cinquenta orientações para quem quer entrar no mercado editorial). O lançamento virtual será no dia 04 de agosto, das 18h30 às 20h00, com chat, power point e vídeo, no endereço
http://www.ustream.tv/clubedeautores

13 de julho de 2009

Profissionalização do autor brasileiro

Olhando para o mercado americano, encontramos algumas dezenas de livros cujo público-alvo são os escritores; além de pelo menos duas revistas de circulação nacional. A realidade no Brasil é ainda bastante diferente, mas aos poucos as editoras vão percebendo que este é um nicho importante. Já li uns quatro livros a este respeito (todos que conheci no mercado nacional...), de cabeça lembro de dois deles: "Você já pensou em escrever um livro?", Sônia Belloto - http://www.ediouro.com.br/vocejapensou, Ediouro Com uma linguagem dinâmica e cativante, Você já pensou em escrever um livro? é um trabalho para quem lida com a escrita no dia-a-dia e para quem deseja se tornar um escritor de sucesso. O livro ensina métodos valiosos para romper bloqueios e produzir textos originais. Ensina também como arranjar tempo para escrever, os estilos pessoais, como dar vida aos textos e como desenvolver o potencial criativo de cada um, além de trazer orientações especiais sobre criação de personagens, diálogos e cenas que cativam os leitores. "Guia para Autores", Andrey do Amaral - http://www.andreydoamaral.com, ed. Ciência Moderna. Depis de terminar o original é que o escritor se dá conta das dificuldades da publicação. Entrar no mercado editorial é possível! Basta conhecer os segredos deste universo. Neste livro, você diminuirá os caminhos da tão sonhada publicação. Descrevemos os erros mais comuns e a forma correta de enviar sua obra para a editora certa. Há ainda os endereços das principais agências literárias do Brasil e do exterior, além das melhores editoras com a linha editorial definida. Facilitar é a nossa proposta. Este manual é bastante eficaz para quem deseja se destacar no concorrido mundo dos livros. E você irá conseguir! E para quem está começando, toda ajuda é boa. Então, dê uma pesquisada também na internet, que há muitos sites interessantes. Por exemplo:

Material não falta para quem deseja se profissionalizar. E não adianta ficar reclamando que o mercado é difícil, que não oferece condições para iniciantes, ou coisas do gênero.

Sobre isso, sempre lembro da resposta da Lya Luft a uma pergunta da platéia, em um evento literário aqui em Brasília (tirado de memória, com certeza as palavras dela não foram estas, mas a idéia sim):

"Como você conseguiu fazer sucesso tão rápido?"

"Trabalho com traduções, escrevo artigos e colunas para jornais e revistas e escrevo livros a 28 anos. De repente, o meu trabalho atingiu uma massa crítica, e meu livros começaram a ser lidos em todo o Brasil. Para quem só me conheceu quando cheguei à grande mídia, foi rápido. Para mim, foi a consequência de uma vida dedicada à escrita."

Resumindo, mais uma vez: não há fórmula mágica, nem caminho garantido para o sucesso. O que existe é o mercado, um ecossistema onde os mais fortes e persistentes conseguem se destacar.

Ou, em outras palavras: da próxima vez que for reclamar, não reclame: aja! Continue escrevendo e trabalhando para melhorar as condições de quem está começando, que todos juntos somos mais fortes!

29 de junho de 2009

Frequência, rotina e disposição

Depois de passar tanto tempo sem atualizar o Blog, o assunto só poderia ser este: Frequência, rotina e disposição. Um dos maiores inimigos de um escritor, a meu ver, é a preguiça. É o "amanhã eu faço". Muitos amigos meus me perguntam como consigo levar a rotina que levo e ainda conseguir um tempo para escrever.Minha resposta é sempre a mesma: O segredo está todo na frequência com que se escreve. Escreva uma página por dia, e ao fim do ano você terá 365 páginas escritas - isso se o ano não for bissexto! A matemática é simples; se escrever meia página, são ainda 182,5 páginas, um livro por ano. Agora, quando você escreve uma página hoje; outra daqui a uma semana, vai ter que contentar com 52 páginas no final do ano. Estabeleça uma rotina, aproveitando pequenos espaços em sua agenda. Eu acordo cedo todo dia, e antes do trabalho sempre sobra uma hora, às vezes meia, para adiantar um pouco mais meu próximo livro. Se não consigo escrever de manhã, durmo meia hora mais tarde, e o problema da falta de tempo está resolvido. Uma coisa que ajuda muito é escrever mentalmente, especialmente se você vive em uma cidade que tem muito trânsito. Ao invés de ficar escutando noticiários com as mesmas notícias do dia, ou ouvindo as 10 músicas da moda, que as rádios tocam à exaustão, pense como se estivesse escrevendo. Elabore o texto, vá descobrindo falhas, formas melhores de dizer as coisas, vá elaborando a história. Não precisa se incomodar em gravar sua voz ou escrever algo; mais tarde, quando você sentar para escrever, as melhores idéias retornaram, e com certeza as piores serão substituídas por algo que seu inconsciente elaborou no processo de esperar o momento de escrever. Esta rotina de "escrever mentalmente" ajuda em muito a resolver o último problema: a falta de disposição para escrever. Quando estamos sintonizados com um livro, com as idéias circulando na mente, pedindo para serem escritas, sempre conseguimos um espaço em nossa agenda! Um notebook, obviamente, ajuda muito nisso, pois permite que possamos escrever em qualquer lugar. Creio que já mencionei isso anteriormente, mas Isaac Asimov, um dos mais prolíficos escritores de Ficcção Científica, começou a escrever quando trabalhava na pequena loja do pai, anotando suas histórias no espaço que sobrava entre atender um cliente e outro. Siga este exemplo e revise sua agenda, você irá se surpreender com a quantidade de tempo que é possível dedicar à Nobre Arte! Ou vai dizer que aqueles 15 minutinhos que você retorna mais cedo ao trabalho, depois do almoço, são melhor gastos fazendo seu chefe um pouco mais rico? ;)

28 de maio de 2009

13 dicas para quem quer - de verdade - ser escritor

Aos amigos que acompanham o Blog, seguem minhas desculpas pela demora deste post. Minha expectativa atual é atualizar o blog duas vezes por mês, até porque estou na correria de acompanhar meus livros já lançados enquanto escrevo o próximo, que tem o título provisório de "As incríveis memórias de Samael Duncan". Mais sobre isso um outro dia... Para hoje, pensei em listar, de maneira solta, algumas "boas práticas" para quem quer ser escritor.
1. Leia, sempre e muito. Já ouvi alguns escritores famosos dizendo que quanto mais escreviam e se tornavam conhecidos, menos liam, por falta de tempo. Espere, portanto, ser rico e famoso para parar de ler - antes disso, você precisa de conteúdo!
2. Escreva todo dia, nem que seja meia página. Meia página por dia significa, ao final do ano, cento e oitenta e três páginas - pense nisso!
3. Não tenha medo de jogar fora o que você escreveu. Só guarde o que você realmente gostou! Lembre-se que você será avaliado sempre pela qualidade do que escreveu, e não pela quantidade!
4. Releia o que você escreveu, rabisque e escreva de novo. Eu tinha um certo preconceito quanto ler meus escritos depois de terminados, mas depois descobri que raramente o que escrevemos fica bom na primeira tentativa!
5. Quando tiver uma boa idéia, escreva desordenamente, o que vier à mente, em frases soltas. O que importa é não perder a idéia.
6. Aprenda a ser interrompido e continuar seu trabalho depois. Isaac Asimov, o mais prolífico dos escritores de Ficção Científica, começou sua carreira enquanto ajudava o pai no balcão de sua loja; sendo interrompido a cada cliente. Ele dizia ser capaz de parar uma frase no meio de uma palavra, e depois retornar exatamente ao mesmo ponto.
7. Deixe um pequeno bloco ao lado da cama, e anote seus sonhos imediatamente após acordar. Tenha certeza que você os esquecerá cinco minutos depois - assim funciona nosso cérebro -; e os sonhos são uma fonte riquíssima de idéias!
8. Leve este bloquinho com você, e anote as idéias quando aparecerem.
9. Organize seus pensamentos e anotações em listas ou mapas mentais (se não sabe o que é isso, procure na internet...). Esta é a forma mais prática de transformar pensamentos soltos em histórias coesas.
10. Escreva com a mente. Sempre que possível, imagine as continuações possíveis daquela história que você está escrevendo; pode ter certeza que isso ajudará muito na hora de efetivamente colocar as idéias no papel.
11. Interaja com outros escritores, pintores, artistas de teatro, pessoas criativas em geral. Criatividade é uma arte que se aprende, e que cresce em contato com outras criatividades!
12. Faça uma lista do que você acha importante para ajudar em sua carreira de escritor, priorize e pendure em sua mesa de trabalho. Trabalhe mentalmente e oriente seus esforços em direção aos pontos de sua lista.
13. Divulgue sua lista em nosso blog! :)
Forte Abraço, espero seus comentários e sugestões!

12 de maio de 2009

Pós-Publicação, ou "O gado só engorda sob o olhar do dono"

Uma das maiores dificuldades para o escritor, após conseguir uma editora que publique seu original, é a distribuição dos livros e a venda do que foi distribuído. "Mas isso é preocupação da editora", certo? Errado! Se você publicou por uma pequena editora, pode ter certeza que será distribuído, com sorte, apenas às pequenas livrarias, e apenas em sua cidade. Neste caso, a atuação do escritor é fundamental! Apenas para citar alguns exemplos, conheço três escritores que publicam apenas localmente (em Brasília) e que vivem de suas obras - justamente porque sabem que este esforço de divulgação é necessário. Dois deles vendem seus livros em bares, restaurantes e eventos culturais da cidade; sendo que um destes já montou uma livraria apenas com o rendimento de suas obras! O terceiro circula dioturnamente pelas livrarias da cidade, negociando consignações e apresentando seu livro para gerentes, vendedores e leitores que porventura estejam na loja no momento... Parece um esforço que tem pouco a ver com o perfil de escritor, e há muitos escritores que não gostam de, ou não têm perfil para, atuar como "vendedores". Mas há outras formas de divulgar seu trabalho! Se você conseguiu publicar por uma editora de médio ou grande porte, seu livro chegará às livrarias de duas formas: Ou através de uma distribuidora, ou diretamente pelos canais de distribuição das grandes livrarias. De qualquer forma, sua presença ainda é necessária. As grandes redes de livrarias e os distribuidores dão destaque aos livros que estão vendendo mais e, especialmente, aos livros que estão na grande mídia. Qualquer importância que sua editora tenha dado ao livro se perde no meio do caminho, pois raramente qualquer material promocional chega às livrarias.E é neste ponto que o autor deve atuar: tornar as livrarias cientes de seu livro existe. Os caminhos para isso são muitos, e passam por:
  • sensibilizar a livraria: lançamentos e tardes de autógrafos, palestras em eventos organizados pela livraria.
  • sensibilizar a mídia: escrever artigos para jornais ou revistas, buscar espaço em programas dedicados à literatura na TV e rádio, etc
  • entrar em contato com seu público leitor: postar comentários no twitter, dar palestras em escolas e cursos superiores, criar vídeos no YouTube, participar de eventos literários, criar um site para entrar em contato com leitores, participar de grupos de leitura, reais ou virtuais, escrever um blog...

Formas de divulgar seu trabalho há muitas, e todas são válidas. Enviem seus comentários - aceito sugestões!

27 de abril de 2009

Pausa cômica - você tem perfil para ser um escritor?

Que no Brasil todo artista precisa ter um ego gigantesco, todos sabemos. Afinal, precisamos ser extremamente "confiantes" (para dizer o mínimo) para continuarmos animados a continuar com nossa arte. Para ajudar aqueles que ainda não se decidiram se irão se aventurar na carreira de escritor, fiz um pequeno teste, baseado em idéias tiradas, de lembrança, de um antigo número da revista americana "Writer's Digest". Vamos a ele: 1. Em uma festa, alguém por acaso menciona um fato curioso sobre algum momento histórico - por exemplo, a Inconfidência Mineira. Você: a) Muda de assunto, soltando algum comentário sobre futebol. (-1 ponto) b) Faz uma anotação mental sobre o fato, para o caso de algum dia escrever sobre isso (1 ponto) c) Anota o fato em um bloquinho que traz sempre à mão, usado para guardar idéias para futuro uso (2 pontos) d) Além de anotar, você entra na conversa e conta detalhes sobre a vida de Tiradentes ou de Tomás Antônio de Gonzaga, chegando a citar trechos de "Marília de Dirceu", até que todos fiquem te olhando estranhamente ou saiam de perto, de fininho (5 pontos) 2. Você vai a um cinema e se identifica com o protagonista do filme. Este protagonista é: a) Um ex-policial ou soldado que derrota, sozinho, centenas de terroristas (-1 ponto) b) Um advogado ou detetive que decifra enigmas de maneira inteligente (1 ponto) c) um escritor ou contador de histórias (2 pontos) d) Um profeta iluminado por Deus (5 pontos) 3. Ainda no cinema: Você vê um filme com recursos narrativos ou roteiros que chamam a atenção, como Amnésia, Magnólia ou Peixe Grande. Você: a) Não entende nada, e dorme, ou sai reclamando (-1 ponto) b) Gosta da história e sai comentando sobre os recursos narrativos (1 ponto) c) Gosta da história, sai comentando sobre os recursos narrativos e possibilidades de narração de histórias em diferentes mídias, como o cinema, quadrinhos e literatura (2 pontos) d) Sai quieto, imaginando como seria transpor e ampliar os recursos narrativos que viu para um livro (5 pontos) 4. Apesar de saber que menos de 1% das centenas de livros que chegam à uma grande editora no Brasil todo mês são efetivamente lidos, e que destes 1%, apenas 2 ou 3 chegam efetivamente a ser editados; e que dos livros que chegam a ser editados menos de 0,01% chegam a ser best-sellers, ainda assim você acredita que seu próximolivro será um best-seller... a) SIM (5 pontos) b) NÃO (Retorne ao seu emprego anterior - você não tem ego suficiente para ser um escritor!) Resultado: Menos de 8 pontos: Volte e releia, você deve ter se enganado na leitura, ou está no blog errado! 8 a 10 pontos: Você vai bem, mas leia e filosofe mais se quiser chegar lá! 11 ou mais pontos: Muito bem, você está no caminho certo! Só precisa parar de perder tempo fazendo este tipo de testes, e começar a escrever de verdade! Idéias para outras questões em nosso teste? Comentem! :)

13 de abril de 2009

Escrevendo seu primeiro romance

Um romance não é um conto comprido! Joaquim Nabuco disse, certa vez, que o “Romance é a imaginação abrangendo e modelando a vida”. Já M. Paulo Nunes falou que “A função do romance é ser a expressão maior e diríamos homérica, ou seja, épica, da vida contemporânea” Indepenente de sua definição, o romance é a sua oportunidade para explorar melhor personagens, locais, tramas, tempo, formas narrativas, e tudo aquilo que não pode ser explorado em um conto, que em sua essência é uma narrativa de tamanho mínimo e impacto máximo. Vários autores com quem conversei começam a escrever seus romances da mesma forma como escrevem contos: sabem como a história começa, tem um idéia, mais ou menos precisa, de onde ela levará e qual o fio condutor de cada trama e personagem, e simplesmente saem escrevendo, da primeira à última página. O detalhe importante, aqui, é que todos com que conversei sempre sabem como a história irá terminar, ou pelo menos tem uma idéia vaga sobre isso. O que acontece na verdade é que este final pode, eventualmente, ser modificado conforme a narrativa vai se desenrolando, mas sempre se inicia com um final em mente.Saber onde a história termina é o que dá rumo a cada um de seus passos! Dito assim, isso pode até parecer óbvio, mas começar a escrever sem saber o final é um erro comum entre autores iniciantes.Já fui consultado algumas vezes por escritores que têm uma excelente idéia sobre como começar uma determinada história, mas pedem sugestões sobre como terminá-la. A questão é que, se você não sabe onde a história termina, você não sabe se ela é boa! Existem dicas que ajudam a desenvolver a história e facilitam ao próprio autor "descobrir" como sua história termina, para poder escrevê-la!Falaremos disso no próximo post!

7 de abril de 2009

O que é leitura crítica?

Antes de entrarmos no processo de produção e organização das tramas do livro, após a etapa de gestação que validou que sua idéia "merece ser escrita", faremos uma pequena pausa para falar sobre Leitura Crítica, seguindo a sugestão de um colega escritor.
O que é a Leitura Crítica

Avaliar um original, seja um quadro, uma composição musical ou um livro, é sempre uma tarefa subjetiva. Por mais que tentemos objetivar a análise, dividindo a obra e analisando-a sobre diferentes aspectos, ainda assim sempre resta uma grande dose de subjetividade, sendo portanto o resultado, em última instância, uma visão pessoal do avaliador. O que torna uma leitura crítica valiosa é ter uma posição de um leitor que não dará sua opinião simplesmente para agradar o autor, pelo contrário, ele estará procurando falhas que possam comprometer original. Obviamente, as opiniões do leitor crítico se baseiam em sua experiência como leitor e, inevitavelmente, podem ser influenciadas por seu gosto pessoal; de forma que sua opinião não é um atestado de qualidade (ou de falta desta); mas sim pontos de partida para que o autor veja sua obra por outros olhos e possa, caso desejado, burilá-la para torná-la mais palatável ao leitor.

Como funciona a Leitura Crítica

1 de abril de 2009

O valor e o conteúdo da pesquisa...

  senso (mais ou menos) comum que uma pesquisa de qualidade pode fazer toda a diferença quando produzindo um romance, uma vez que permite ao autor dar densidade à obra e profundidade aos fatos e personagens.
O que gera polêmica, muitas vezes, é o que pesquisar, ou melhor, o que efetivamente utilizar do resultado de suas pesquisas.
Por exemplo: em "O Código Da Vinci", o cerne da história é a possibilidade de Jesus Cristo ter tido filhos com Maria Madalena. Creio que posso falar isso sem problemas de "estragar a surpresa" de ninguém, uma vez que cerca de 10% da população leitora do país (segundo a pesquisa do institudo "Viva Leitura") já leu o livro... Por absurdo que pareça, este ponto tem uma base "factual": um fragmento de um evangelho apócrifo que diz que “Jesus Maria de Madalena”, onde , em hebraico, é um termo que significa ser amigo, irmão, esposo, companheiro ou qualquer outro relacionamento. Como o hebraico antigo era uma língua muito pobre, este tipo de "termo amplo" é bastante comum. Ora, há diversas correntes de historiadores e curiosos se debruçando sobre textos antigos, e é inevitável que um deles chegasse à "brilhante" conclusão, mesmo que sem outros fatos para apoiar a tese, de que este fragmento indica que Jesus era casado com Maria de Madalena. O que o autor fez foi simplesmente escolher a versão que melhor embasava sua história fictícia.
Um outro exemplo, de autor brasileiro, é "O Nome da Águia". O "Rolo da Guerra", um dos manuscritos encontrados na região de Quram (próximo ao Mar Morto) em 1947, conta a história da luta dos Kedoshim, chamados de "filhos da Luz", contra os Kittim, "os filhos das Trevas". Os Kittim, 'cujo símbolo é a águia', são 'seres terríveis, crianças e mulheres se escondem de medo quando eles se aproximam', e etc. Há diversas correntes de historiadores que defendem que os Kittim são os romanos; outras que defendem que eles seriam um povo rival dos hebreus, e outros ainda dizem que eles seriam, apenas, uma outra seita judaica, rival dos Kedoshim. No livro, escolhi a versão mais adequada à história. Da mesma forma, no livro é mencionado que o símbolo do partido Republicano americano, quando foi fundado, era uma águia. O símbolo atual é um elefante, mas como isso não é relevante para a história, o fato não merece destaque! Resumindo: Pesquise de tudo, e muito. Ao fim, selecione os fatos que melhor embasem sua história - desde que sejam verdadeiros, não precisam ser os mais conhecidos ou reconhecido academicamente. E para concluir uma dica mais óbvia, com foco no mercado: As versões mais polêmicas sempre geram histórias melhores, mais instigantes e com mais possibilidade de despertarem o interesse dos leitores e da mídia. Fuja do escândalo, mas aproxime-se sempre que possível do polêmico - desde que isso não fira sua arte!

24 de março de 2009

Uma questão de estilo...

E
stilo, segundo entendo, é a alma do escritor, é a forma única e inconfundível como ele escreve seus textos. É como uma impressão digital: você pode até achar semelhanças entre dois estilos, mas nunca encontrará dois iguais.
Dito isto, vale ressaltar que todo escritor, principalmente os iniciantes, pode se beneficiar e evoluir seu estilo "apreendendo" o estilo de outros. Vejam que falei apreendendo, prestando atenção, e não "aprendendo", pois suponho que o estilo não é algo a ser aprendido, mas sim desenvolvido.

Apenas para dar alguns exemplos, vou tentar "simular" aqui o estilo de dois escritores que admiro bastante: Stephen King e Neil Gaiman.

A situação: À noite, um homem (que chamaremos de Neil King) dá um beijo na esposa, sai de casa e encontra um gato morto.

Versão Stephen King: Neil aproximou-se da esposa e envolveu sua cintura com o braço, dando um beijo caloroso. O beijo deixou-lhe um estranho gosto de despedida na boca, como se aquela fosse a última vez que a veria. E realmente era. O rangido da porta soou como um gemido agudo de alguma casa abandonada, embora ele tivesse novamente colocado grafite nas dobradiças no dia anterior. Do lado de fora, a lua o encarou como um olho amarelo e doentio, enquanto ele cruzava a distância que o separava da calçada. A noite estava impossivelmente silenciosa, como se o ar estivesse tão pesado que o próprio som de suas passadas não conseguisse chegar aos ouvidos. Na calçada, seus olhos foram desviados para um estranho montículo, que não estava ali quando chegara, poucas horas antes. Sua nuca se arrepiou quando viu o gato morto. Não porque estivesse morto, desde criança Neil estava acostumado a ver animais mortos na rua em frente à sua casa; mas algo estava definitivamente errado com aquele gato, algo que ele não sabia precisar. Seu estômago pesou e suas mãos começaram a suar, quando ele se aproximou do animal e descobriu que...

Versão Neil Gaiman: Neil – ou King, como seus amigos o chamavam – se moveu fluidamente pela casa, quase como uma dança, enquanto pegava suas coisas e se aproximava da esposa, na cozinha. Ela retribuiu seu beijo com aquele sorriso entre maroto e ingênuo que sempre o deixava imaginando como uma mulher como aquela havia se interessado por um cara como ele. Ainda dançando, Neil abriu a porta e saiu para a noite. Enquanto vencia a distância até a calçada, ele sentiu sobre si os olhares de mil deuses antigos, espiando o mundo dos homens através de suas estrelas particulares. Seu olhar foi atraído por um gato morto, no canto da calçada. Sem saber exatamente porque, o gato lhe lembrou Bubastis, deusa-gato que ele havia conhecido anos antes em um documentário sobre o Egito antigo. Neste momento, uma das estrelas que o espiavam brilhou mais intensamente, apenas por meio segundo, tempo suficiente para que...

Tamanho das frases, uso de metáforas, uso de palavras e referências mais ou menos usuais, voz passiva ou ativa, forma de narração, inclusão de mais ou menos detalhes, quebra dos parágrafos, concentração mais nos sentimentos e personagens ou mais nos detalhes que os envolvem... São mil os detalhes que compõe um estilo.
Releia os textos acima e tente decifrar estes elementos. Semana que vem conversamos mais! :)

16 de março de 2009

Gestação: Incrementando sua ideia

Temos até 2012 para remover o acento de "idéia", mas para acostumar, vamos deixar sem acento pelo menos no título ... :)
Antes de mais nada, "Gestação" é um nome cunhado por mim; até onde eu sei outros autores que escreveram sobre este assunto ("a arte de escrever"...) eventualmente mencionam esta etapa da produção literária, mas não a "batizaram" desta forma. O nome "gestação" vem justamente da forma que trabalhamos para fazer a idéia crescer, evoluir, até se tornar uma história completa. Atenção para este ponto, que é bastante importante: uma idéia não é uma história! A idéia, também chamada de "premissa" ou "tema", é o cerne da história, é aquilo que os leitores irão responder quando alguém perguntar: "sobre o que é a história?". Já a história é um conjunto complexo que envolve ambiente, personagens, tramas, e muitos detalhes mais - inclusive outras idéias - que se unem para desenvolver aquele tema. Para transformar a idéia em história precisamos, basicamente, saber mais sobre ela. Nesta etapa de gestação, as principais dicas seriam:
  • Pesquise sobre sua idéia. Leia diversos livros sobre o assunto, até ter sua opinião própria, e sempre, sempre tenha um lápis e um papel à mão nestas leituras. Por exemplo, para os 5 capítulos de "O Nome da Águia" que envolvem de alguma forma o ditador Adolf Schicklgruber Hitler, um dos livros que li foi "Albert Speer: sua luta pela Verdade", de 1008 páginas; que resultaram em 3 páginas de anotações: a música preferida de Hitler, condições climáticas da Alemanha na época do fim da Segunda Grande Guerra, diversas referências geográficas, etc.
  • Entreviste ou converse com especialistas. O fim do livro "O Nome da Águia" mudou três vezes antes que eu começasse a escrevê-lo (ainda na etapa de gestação...), pois minhas conversas com estudiosos da história Judaica e pessoas que passaram por experiências de quase-morte me levaram a modificar algumas das concepções que eu tinha para o livro.
  • Conte sua idéia! Sempre que possível, reuna seus amigos (de preferência, escritores ou leitores contumazes...) e conte a idéia em seu ponto atual, indicando o que ainda não está claro e o que você acha que pode ser melhorado. As idéias coletivas que surgem sempre são excelentes pontos de partida para incrementar sua idéia, ou eventualmente descobrir que ela não vale à pena! O curioso é que, cada vez que você conta sua idéia (mesmo que ninguém contribua com nada), sua mente se exercita para povoar com detalhes o esqueleto básico que está se formando, assim, a idéia vai evoluindo naturalmente.
  • Anote, rabisque, desenhe, lembre. Eu, particularmente, não esqueço de uma história quando estou trabalhando nela, e até o fim da etapa de gestação só tenho anotadas as referências dos livros e conversas. Mas conheço autores que anotam as idéias principais, os "pontos focais" da(s) trama(s) de diversas formas. Uma forma particularmente interessante de registro é na forma de grafos, onde um ponto se liga a outro por setas - com a vantagem que você consegue anotar de maneira visual diversas possíveis variações da história que está tomando forma, antes de decidir qual seguir.

Em algum momento, você irá perceber que a idéia começa a se tornar uma história completa. Obviamente ainda há muito a burilar, mas neste ponto você já poderá avaliar se a história que tem em mãos efetivamente vale à pena ser contada, ou se é melhor abandoná-la e começar tudo do zero.

E não se intimide em recomeçar quantas vezes for necessário: além disso ser normal, é muito melhor do que continuar investindo tempo em uma história na qual você não acredita 100%. Se você não está empolgado com sua quase-história ao fim da gestação, então como vai conseguir empolgar seus leitores?

2 de março de 2009

Escolhendo uma (boa) idéia para seu livro

Como saber se uma idéia é "boa"? Desnecessário dizer que "boa" é um conceito altamente discutível, mas vamos nos ater aqui a um "boa" que significa "boa o suficiente para criar um livro que seja mais facilmente aceito pela público leitor". E mesmo isso é discutível, uma vez que não há uma fórmula certa para o sucesso... Mas deixemos a filosofia de lado e vamos em frente! Comece avaliando sua "idéia candidata" com duas perguntas simples: Esta idéia é única? Por que vale a pena contá-la? Uma idéia só vale à pena ser contada, a meu ver, se tiver um "quê" de original. Se vou escrever uma cópia do Harry Porter, por que as pessoas comprarão meu livro, ao invés do livro original? Detalhe: o diferencial de sua idéia pode ser, por exemplo, o ponto de vista do personagem ou a forma de contar a história. Por exemplo, se quero escrever um livro sobre um homem que vira uma barata (como em "A Metamorfose", de Franz Kafka), posso ser original se minha idéia for escrever a história do ponto de vista das baratas... ;) Quanto à segunda pergunta, ela se refere a avaliarmos o cerne a idéia, a mensagem que a idéia passa, e não apenas a história em si. Voltando ao nosso exemplo, "A Metamorfose" não é na verdade uma história sobre um homem que vira barata, mas sim uma história sobre a desumanização das pessoas frente a uma sociedade industrial e um sistema burocrático e opressor. Assim, volte àquela sua idéia para escrever um romance e se pergunte: O que eu quero dizer com isso? Esta idéia é realmente original? Por vezes, ajuda pensar no que os leitores dirão quando alguém lhes perguntar "sobre o que é a história?" e "a história se parece com o quê?". Se você está confortável com as respostas, e acha que sua idéia vale à pena, não se afobe que há um longo caminho a percorrer antes da idéia "virar uma história"; começando pela pesquisa. Semana que vem falamos sobre isso!

26 de fevereiro de 2009

Autores na Flipiri - Festa Literária de Pirenópolis

Vou pedir aos leitores do meu blog uma pequena pausa para falar da Flipiri - a Festa Literária de Pirenópolis, que ocorreu nos dias 13 e 14 de fevereiro.
Para quem não conhece, Pirenópolis é uma cidade pequena, com um centro estilo colonial (como Ouro Preto, Mariana e outras), que fica em Goías, a 140 quilômetros de Brasília. A cidade tem uma vocação cultural inata, com uma agenda de eventos bastante extensa e que neste ano foi acrescida da Flipiri.
A Flipiri, na falta de palavra melhor, foi realmente uma Festa! Muitas palestras lotadas, com leitores, curiosos, locais e turistas, se misturando para conhecer escritores e cineastas. Num clima intimista, após as apresentações os autores se juntavam à platéia nos restaurantes da cidade para bate-papos informais. Eu tive a felicidade de conhecer o admirável Ignácio de Loyola Brandão, e a oportunidade (ou seria a audácia?) de autografar um livro lado a lado com ele, na coletiva de autógrafos que ocorreu no fim da tarde.
Creio que isso é algo que todos escritores deve buscar: conhecer, conversar, observar e trocar idéias, sempre que possível, com os escritores que vieram antes deles. Observar o Ignácio de Loyola falando por 15 minutos me trouxe mais idéias e aprendizado do que a leitura de muitos livros teóricos poderia conceder. E não falo isso por falar, não. A postura, a facilidade de falar com o público, a forma de colocar de maneira extraordinária determinadas situações que ditas de outra forma poderiam parecer banais... Por tudo isso e mais um pouco é que digo que vê-lo falar foi uma lição de conhecimento, de técnicas de apresentação e de escrita, e mesmo de humildade, pois mostrou-me que há ainda muito caminho a percorrer!
Segue, então, minha dica: procurem seus colegas de profissão! Entrem em contato, troquem idéias, aprendam e ensinem! É raro o prazer de conversar com pessoas apaixonadas pela escrita, e depois que você o descobre, fica difícil largar! E é justamente neste quesito que julgo que Flipiri conseguiu vencer a sua irmã maior, a FLIP, pois sem o excesso de eventos e pessoas, criou mais oportunidades para escritores e leitores se conhecerem e efetivamente trocarem idéias. Espero vocês na edição do ano que vem! Semana que vem, curada a ressaca da Flipiri e do Carnaval, voltamos a conversar!

9 de fevereiro de 2009

Técnicas para organizar sua escrita

Já conversei com diversos autores sobre como eles escrevem seus romances. Vou mencionar alguns aqui "de memória", pedindo desde já aos autores desculpas por alguma eventual incorreção . Jean Angelles, por exemplo, autor da série Jack Farrel entre outros livros, disse-me certa vez que passa um longo tempo pesquisando, organizando as idéias mentalmente e em anotações, e que, tendo a trama mais ou menos ordenada na cabeça, começa a escrever os capítulos, sequencialmente (sem trema...). O famoso André Vianco segue uma linha parecida, sabendo onde a história vai chegar, mas deixando o rumo dela variar conforme o ritmo da história pede. Por conta disso, inclusive, é que "O Vampiro Rei" acabou saindo em dois volumes, pois a história acabou se estendendo tanto que não coube em um só livro... Já o processo de Lya Luft, segundo ouvi em uma de suas palestras, é a "vagabundagem literária" (palavras dela...): "A cabeça está sempre trabalhando, até que o personagem se destaca, seus problemas aparecem, as relações com sua família e a origem destes problemas...", "e em algum momento, eu percebo que a história está madura para ser escrita.". A autora não anota nada, segundo ela, "se a idéia for boa, ela voltará depois". Eu, particularmente, quando escrevendo romances gosto da abordagem que chamo de "top-down": defino a idéia e, após um período de pesquisa e amadurecimento, escrevo um parágrafo, dois, uma página no máximo com as idéias de cada capítulo. No caso d' "O Nome da da Águia", por exemplo, os 84 capítulos "couberam" em cerca de 15 páginas. Depois, com estes resumos escritos, é hora de revisar e reorganizar a ordem dos capítulos, verificando se tudo está no lugar ou pode ser melhorado. Por fim, é possível escrever cada capítulo já sabendo onde ele se encaixa na trama, incluindo referências cruzadas para trechos que virão (em outras postagens falaremos mais sobre estas tais "referências cruzadas...) e que já passaram com mais facilidade. Curiosamente, neste livro, eu detalhei primeiramente os capítulos da "trama histórica" (com tempo passado), e depois os das duas tramas que acontecem no presente; o que foi uma experiência curiosa para meu lado escritor. Mas creio que estou me adiantando, ao falar da técnica, porque na verdade tudo começa pela escolha de uma (boa) idéia... Como saber se uma idéia é boa? Semana que vem a gente fala disso! :)

30 de janeiro de 2009

Artigo na revista "Conhecimento Prático - Literatura"

Pablo Neruda disse, certa vez, que “Escrever é fácil: Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca idéias.”. No entanto, eu acredito mais nas palavras de Samuel Johnson: “O que é escrito sem esforço, geralmente é lido sem prazer”. Ora, o escritor, como artista, deve ter toda a liberdade para expressar suas idéias. Mas como todo bom artista sabe, o corpo e a mente são feras a serem domadas, sob a pena de o artista não conseguir expressar aquilo que realmente desejou expressar. Aí é que entra a técnica, que dentro de cada arte orienta a liberdade do artista. Não há uma única técnica, nem uma única forma de organizar as diversas técnicas... Mas na próxima semana falaremos sobre isso! Esta semana, gostaria de convidá-los a comprar a revista "Conhecimento Prático - Literatura" (anteriormente conhecida como "Discutindo Literatura"), da editora Escala, onde foi publicado meu artigo "Como Escrever um Romance de Sucesso". O artigo ficou muito bom, e apresenta uma boa visão geral sobre as técnicas envolvidas na criação de um romance "blockbuster"! Comentários, dúvidas e críticas sobre o artigo são bem vindos aqui no Blog!

22 de janeiro de 2009

Como Escrever um Romance de Sucesso

O romancista, contista e autor de peças teatrais William Somerset Maugham (1874-1965) disse certa vez que “Existem três regras para saber escrever ficção. Infelizmente ninguém sabe quais são elas”. Provavelmente ele estava certo – pergunte a dez escritores sobre seus processos de escrita, e você ouvirá dez respostas diferentes – mas ainda assim é possível perceber determinados padrões em romances de leitura rápida e que tiveram grande aceitação pelo público. Os americanos têm um nome para este tipo de romance: “page-flippers” ou “page-turners”, literalmente, “viradores de páginas”. E embora o mercado americano seja abundante em obras que analisam as técnicas usadas pelos autores destes romances, o Brasil ainda carece de livros que detalhem mais profundamente este assunto. Vale destacar uma motivação adicional para analisar estes romances: enquanto um romance que vende entre 15.000 e 20.000 unidades já pode ser considerado um “best-seller” no Brasil, segundo a CBL (Câmara Brasileira do Livro), o “Código da Vinci” de Dan Brown passou da marca de oito milhões de cópias vendidas. Portanto, seja por mera curiosidade, seja por um desejo de entender e quem sabe aproveitar-se das técnicas deste tipo de romance, vale o estudo de algumas de suas características comuns.Teve sua curiosidade despertada?Semana que vem começamos a explorar estas características, começando pelo ponto mais básico: como escolher uma idéia que vale à pena.Até lá!

12 de janeiro de 2009

A Arte de escrever e o ego do escritor...

Eu acredito firmemente que qualquer um consegue realizar seus sonhos, desde que seja persistente o suficiente para continuar tentando. O sucesso não é resultado apenas de talento e suor, mas também, e principalmente, de persistência. Faço minhas as palavras da escritora Lia Luft, tiradas de memória de uma antiga entrevista sua: "Existem mais porcarias publicadas do que gênios incompreendidos". Portanto, se você se considera um "gênio", continue tentando que um dia sua vez chegará! E se você não acredita ser um gênio, não acredita que seu trabalho é único e genial... então desista de ser escritor e volte ao seu antigo emprego, pois para ser escritor é necessário, antes de tudo, ter um ego do tamanho necessário para criar mundos, e se orgulhar deles! ;) Este blog é um registro das pedras em que tropecei e dos buracos em que caí para chegar até onde cheguei. Ainda não é longe, mas sei que realizarei todos meus sonhos - e quero ajudar outros escritores a realizarem os seus, com menos sofrimento, se possível! Vejo vocês por aqui!