27 de julho de 2017

O que você REALMENTE precisa para ser um escritor?


J
á ouvi isto muitas vezes, de diversos escritores: "Todo mundo pode ser escritor".
Eu mesmo acredito nisso, em uma certa medida.
Todos já experimentamos o prazer de contar histórias que empolgam quem está em volta, sejam momentos interessantes por que passamos ou que presenciamos, histórias inventadas, piadas ou mesmo sucessos ou insucessos no trabalho.
Viver é contar histórias, é assim que as tradições sempre foram perpetuadas e o conhecimento passado entre gerações, desde antes de a língua escrita ser inventada.
Sim, todos contamos histórias.
Todos temos a capacidade, em um maior ou menor grau, de escrever contos e histórias curtas. Esta capacidade, como qualquer outra, pode ser melhorada com treino.
Acredito que qualquer um que deseja ser escritor precisa começar pela escrita de contos ou crônicas.
Este exercício ajuda a aprender a dominar as técnicas narrativas básicas, a começar a entender o que funciona e o que não funciona quando convertendo uma história da voz para o papel.
Afinal, ninguém aprende a andar sem antes engatinhar e se segurar nos móveis.
Todos somos escritores. Só que uns escrevem, outros não.
José Saramago, único escritor da língua portuguesa a ganhar um Nobel de Literatura
Como falei, acredito que todos temos a capacidade de escrever histórias. Mas... e quanto a fazer carreira como escritor?
Trabalhar como escritor demanda mais do que escrever uma história curtas: demanda escrever continuamente, escrever múltiplas histórias curtas ou longas, investir um tempo do dia, todos os dias, em sua carreira.
Eu adoro desenhar. Até acredito que faço alguns desenhos muito bons, no nível de alguns artistas gráficos. Mas não me vejo, nesta vida, aceitando que mereço o título de artista visual.
Da mesma forma, acredito que todo aquele que deseja ser um escritor precisa ter, no mínimo, três "características essenciais":

  • Ser um leitor: É através da leitura que apreendemos os mecanismos básicos da arte de contar histórias. Há excelentes escritores que nunca leram um livro sobre técnicas de escrita, mas não conheço nenhum escritor que não tenha sido, em algum momento da vida, um leitor voraz. Já li, sim, livros de autores cuja base é a cultura pop dos quadrinhos e televisões, e devo dizer: não funcionam. Não é preconceito contra o tema: ADORO cultura pop. Mas escrever um livro sobre o super-homem é diferente de escrever um roteiro de quadrinhos, que é diferente de escrever um roteiro de filme, que é diferente de escrever um roteiro de uma série de TV. Cada formato tem suas regras próprias, e o escritor precisa saber transitar em todos aqueles em que quiser trabalhar.
  • Vontade, ou melhor, Ansiedade para escrever. A vontade é algo passageiro, que vem e vai; a
    Civilizações, de Wallace Horta

    ansiedade é algo que não lhe deixa, que mesmo quando você não está pensando, ela está lá, em seu subconsciente. Quem já se apaixonou sabe exatamente do que estou falando! Para testar esta característica, tente (ou imagine) ficar um mês sem escrever nada, sem levar seu projeto de produzir um livro para frente. Se o pensamento não te incomodar muito, então provavelmente você tem outras prioridades, e escrever um livro provavelmente é um projeto entre muitos, não uma carreira a ser seguida.
  • Persistência: Já conheci e aconselhei muitas pessoas que procuram apoio para escrever um livro, mas pouquíssimos são aqueles que efetivamente levam seu projeto até o fim. Vale, inclusive, o destaque para o colega escritor Wallace Horta, que recentemente lançou o livro "Civilizações". O Wallace é a mais recente exceção à regra que derruba a maioria dos candidatos a escritores: A de que não adianta ter vontade e sonhar, é obrigatório trabalhar duro para escrever um livro. Se você acha que não está pronto dedicar meses (quiçá anos...) de sua vida trabalhando e revisando um livro, burilando a sua joia até o máximo de sua capacidade, então provavelmente sua arte é outra.
  • Eu sei que falei que ia parar em três, mas acredito que há mais uma característica essencial: Humildade. Parece até engraçado de falar, porque os escritores (como a classe artística em geral...) têm a fama de ter um ego gigante. Ok, é tão difícil escrever e publicar um livro, e ainda mais fazer com que ele chegue aos possíveis leitores, que é realmente necessário ter um ego imenso para acreditar que você está à altura da tarefa. Mas nada desagrada mais os leitores do que ler (ou conhecer) um escritor que transparece um ar de superioridade, que tem um ar de "sou muito importante". E se isso não bastar, a humildade é ainda mais importante no início de carreira, para aceitar críticas construtivas e utilizá-las para melhorar seu trabalho, ao invés de pensar (como muitos o fazem...) "na minha arte ninguém mexe", como se cada palavra que escrevesse fosse a expressão da perfeição. A humildade é, provavelmente, a característica mais difícil das três, pois depende de mudarmos algo inerente a todos : Quando criticam algo que fizemos, sentimos que a crítica é para nós, e automaticamente passamos a nos defender, ao invés de avaliar objetivamente o que foi falado.
Então... Todos, sim, temos o potencial de escrever histórias.
Mas nem todos foram talhados para serem escritores.
Nada mais óbvio: As pessoas são iguais para a dor, mas são distintas para o prazer. O que faz o coração de cada um bater mais rápido é único e pessoal. Há quem ame escrever, há quem ame cozinhar, há quem ame organizar, há quem ame dedicar-se a outros...

Descubra o que você realmente ama, e invista nisso como profissão, ou dentro de sua profissão, ou em seu tempo livre. Não interessa quando nem onde, mas não deixe de investir nisso, pois nada fere mais uma alma criativa do que lhe ser negado a capacidade de se expressar.

E se você ama escrever... Não precisa de regras: você já é um escritor! Desbrave seus caminhos, e se precisar de ajuda, já sabe onde procurar!

E você, o que acha que é necessário para ser um escritor? Comente e compartilhe!

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5 de julho de 2017

Pontos de Virada: O que são e como utilizar

A
Acredito que tudo aquilo que fazemos conscientemente acaba sendo mais bem trabalhado do que aquilo que fazemos sem perceber.
O mesmo se dá, é claro, ao escrevermos um livro: se você conhece as técnicas e sabe como e porque utilizá-las, poderá explorá-las melhor.
Pontos de virada são elementos simples da trama, tão simples que parecem ser algo "óbvio" - e, no entanto, há muitos autores que simplesmente não pensam neles, e acabam por não aproveitar ao máximo seu potencial como escritores por conta disso.
Pontos de virada são aqueles momentos na narrativa em que a trama "muda de direção", quando o objetivo do protagonista muda ou começa a mudar. Por exemplo, em uma filme de terror, é o momento em que a vítima decide que, para se salvar, a única forma é deixar de fugir e passar a atacar.
O ponto de virada pode ser algo bem marcado, como uma explosão que mata um personagem, ou sutil como uma breve troca de olhares que mexe com as certezas do protagonista.
Em seu “Poética”, Aristóteles já sugeria uma trama dividia em três atos e com um ponto de virada central
A ideia não é novidade: Três séculos antes da era Cristã Aristóteles já propunha uma trama onde as complicações cresciam até um ponto central, quando o personagem adotava uma postura mais ativa e passava a resolvê-las uma a uma até o fim.
Atualmente, boa parte dos filmes de Hollywood utilizam uma trama com 5 pontos de virada:
  • 1º ponto de virada - Indicação da ruptura: Algo interrompe a rotina, oferecendo ao protagonista a chance de uma grande aventura. Esta aventura poderá ser algo físico, ou simplesmente uma mudança de comportamento.
  • 2º ponto de virada - Obrigação se seguir em frente: O que era apenas uma possibilidade de mudança, agora se torna inevitável. Neste ponto de virada ocorre algo (uma decisão, ou algo físico) que faz com que o personagem finalmente saia de sua zona de conforto e enfrente a mudança.
  • 3º ponto de virada – Todas as pontes estão queimadas: Até este momento, o protagonista ainda via a chance de retornar à rotina anterior com um mínimo de mudanças; mas neste ponto algo ocorre que fica claro que não há como tomar outro caminho: ele precisa seguir até o fim para conseguir resolver a mudança que ocorreu em sua rotina.
  • 4º ponto de virada – Complicações chegam ao extremo: Neste ponto, tudo parece ir contra o protagonista, e não é possível ver nenhuma solução viável para os problemas. Neste momento o protagonista sai de uma posição passiva, de sofrer com os problemas conforme aparecem, para uma posição ativa, de buscar proativamente soluções.
  • 5º ponto de virada – Clímax e resolução: É quando a história chega ao clímax e o problema trazido pela mudança se resolve – de uma forma ou de outra!
Este modelo de trama, ainda que seja bastante flexível e permita escrever desde comédias românticas até thriller de ação desenfreada, está longe de ser consenso.
Em boa parte dos filmes europeus, usualmente mais centrados em personagens, o que vemos é uma estrutura simplificada, com dois pontos de virada: 
  • 1º ponto de virada - Ruptura da rotina : Ponto em que a rotina do personagem é abalada por algum acontecimento qualquer, que inicia uma série de mudanças em sua vida.
  • 2º ponto de virada - Conclusão do aprendizado : Ponto em que as mudanças provocadas pelo ponto 1 se concluem, deixando o personagem com a escolha de (tentar) retornar à sua rotina anterior ou assumir uma nova posição frente à vida.
O conceito em si é bastante simples, e TODA história precisa ter pelo menos um ponto de virada - afinal, ainda que possam haver exceções, uma história é sobre "algo que aconteceu", e não uma mera descrição da rotina de um personagem.
O "pulo do gato", neste caso, é pensar os pontos de virada da trama ANTES de começar a escrever qualquer coisa.
Se você já definiu a premissa estruturada (mesmo que seja centrada em personagens), já sabe o ponto de partida e, usualmente, o ponto final de sua trama.
Com os pontos de virada definidos, a história "se desenha" em sua mente, e você passa a ter uma visão bem melhor sobre por onde a trama irá passar, o que ajuda imensamente o processo de produção de sua obra.
É uma ideia simples, mas como todas (boas) ideias simples, extremamente útil!

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5 de junho de 2017

A turma dos quatro Fantásticos, inspirações e séries juvenis

H
á dois anos, em conversas com a Franco Editora, percebemos que eu tinha livros para alunos do Ensino Fundamental I e do Ensino Médio, mas não para o Fundamental II.
Combinando com o editor a futura edição, fui procurar inspiração para escrever para esta faixa etária.
Sempre gostei de escrever coisas fantásticas, sejam místicas, mágicas ou simplesmente malucas; o que já era um bom ponto de partida.
Desde os 12 anos eu aprendi a mexer e programar computadores, e como a tecnologia continua sendo palavra de ordem para este grupo, já tinha um segundo ponto a explorar.
Faltavam os protagonistas da história.
Capa - O mistério do Facebook do FuturoLembrei das aventuras de grupos de amigos que eu lia nesta idade, e percebi com um certo saudosismo que não conhecia nada parecido nos livros de hoje em dia.
Daí para trazer para a ficção parte de minhas memórias, de minha própria "turminha" do mundo real, foi um pulo.

O primeiro livro, "A Turma dos Quatro Fantásticos em: O Mistério do Facebook do Futuro" conta a história de um grupo de quatro amigos, cuja rotina vira de cabeça para baixo quando o Facebook de um deles, após cair um raio perto de sua casa, começa a mostrar postagens de coisas que ainda não aconteceram. E a arte do Nestablo fez o livro ficar ainda mais divertido.

Obviamente que o que parece a princípio uma grande oportunidade acaba na verdade gerando muitas dores de cabeça! Não vou dar spoilers, mas vale destacar que o livro também trata, de uma forma bem interessante, a questão do bullying.

O segundo livro já está pronto, em etapa de revisão.  Enquanto ele não sai, confiram as respostas que gravei para os alunos do sétimo ano do Colégio Equipe.


Sempre que posso visito escolas para falar com alunos de turmas que leram meus livros, mas como no momento estou morando meio longe de tudo, estou respondendo as perguntas por email ou vídeo. Se você é professor(a) ou aluno(a), entre em contato, porque ler é bom, mas trocar ideias com quem também leu - ou com que escreveu - é ainda melhor!

Esta é uma lição que todo escritor deve aprender: fique sempre em contato com seu público. Esteja disponível.  "Venda" não um livro, mas uma experiência de vida.
Confie que o mestre Milton Nascimento sabia o que estava falando quando disse que "todo artista tem que ir aonde o povo está".

Visitar escolas, participar de feiras, ter canais de conversa online... E você, o que faz para conhecer seus leitores ?
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E não esqueça A Bíblia do Escritor (disponível em versão impressa ou
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) vai além das técnicas para escrever livros e roteiros, tendo capítulos dedicados à procura de editoras e à divulgação - inclusive no mundo digital.


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19 de abril de 2017

Como gerar suspense (ou outras emoções...) em seus textos com a técnica do Palco

m 2011 publiquei aqui no Vida de Escritor um post com este mesmo título, onde eu apresentava algumas dicas de como trabalhar emoções em seu texto, em especial a geração de suspense. O post continua sendo bem interessante, confira aqui.
Atendendo a pedidos, retomo o assunto com uma dica mais, digamos, "profissional", para aprofundar o assunto. Mais especificamente, vou falar sobre a técnica do "palco", que pode ser usada para aumentar o suspense ou para gerar uma emoção crescente no leitor, começando com dicas sutis que evoluem de forma crescente até algo explícito.  
Para entender melhor esta técnica, imagine que a forma como você escreve a história cria um "palco" na mente do leitor, como se fosse um palco de teatro onde ele observaria a história se desenrolando.
O palco tem diversos níveis de profundidade, e quanto mais perto do leitor, mais o leitor se lembra de "ter visto" (ou lido, no caso) a cena em questão.
“No palco criado por sua história, o que está em primeiro plano se ressalta. Coloque no fundo os detalhes que quer esconder do leitor.”
O bom escritor utiliza o palco colocando ao fundo as primeiras pistas de algo que vai ocorrer mais para frente, e em primeiro plano algo para "distrair" o leitor destas pistas.  Por exemplo, quando o criminoso está ao fundo, em primeiro plano você coloca um suspeito que se destaque. Ou, ainda, o interesse amoroso que vai culminar em uma relação ardente aparece em segundo plano, enquanto à frente colocamos alguém que distrai a atenção do leitor e do protagonista. 
E como fazer isso? A forma mais simples de fazer isso é simplesmente dar mais destaque, dar falsas pistas e escrever mais sobre o que será a distração, que assim vai parecer mais chamativa ao leitor. Esta técnica é conhecida como "Red Herring", ou "arenque vermelho": algo que se destaca do cardume. Se você fala inglês, veja um pouco mais sobre isso no artigo da Wikipedia sobre Red Herring.  Basicamente, neste caso, estamos falando de um palco criado pelo conteúdo que você escreve, e que tem duas profundidades: O arenque vermelho e todos os demais arenques.
O maior "segredo", no entanto, é como fazer isso de forma eficaz, na maneira como você escreve, indo além do conteúdo. Com a forma você consegue quatro "níveis de profundidade" no palco:
  • Primeiro plano: Ações. O que o personagem FAZ fica marcado fortemente na memória do leitor.
  • Segundo plano: Diálogos. O que o personagem DIZ fica marcado na memória do leitor, mas um pouco menos do que suas ações.
  • Terceiro plano: Narração.  Quando o narrador MOSTRA a história acontecendo, descreve algo, isso fica menos marcado na memória do leitor que os diálogos.
  • Quarto plano: Listas. Quando o narrador CONTA o que aconteceu, sem mostrar, usualmente na forma de uma lista de acontecimentos que decorreram em outro lugar, ou mesmo uma lista de objetos ou personagens envolvidos em algo, o leitor irá lembrar menos ainda.
Utilizando todos os níveis de profundidade do palco, você consegue muito mais sutilmente "enganar" o leitor e esconder, à plena vista, as pistas que quiser. 
Para tornar mais clara esta técnica, vejamos um exemplo:
Digamos que você deseja escrever uma cena onde um detetive se aproxima do local de um crime e precisa passar por uma multidão.  Você quer que o detetive "esbarre" no criminoso durante esta passagem, mas não quer que isso fique explícito para o leitor.
  • Quarto plano: O detetive se aproxima do local do crime, e vê que a multidão é composta por curiosos de todos os tipos: um jovem negro com um skate na mão, uma senhora beirando os oitenta anos, com um chapéu com penas, um homem engravatado com uma mochila vermelha nas costas, uma freira encurvada sobre um terço...
  • Terceiro plano:  O detetive entra na multidão e avança passo a passo. Pensando que o criminoso sempre retorna ao local do crime, começa a observar se alguém se destaca. Vê um sujeito com uma barba espessa esticando o celular acima da multidão, tentando tirar uma foto do cadáver.
  • Segundo plano: Quase chegando à grade de contenção colocada pela polícia, o detetive para alguns momentos à frente de um cadeirante para observar a multidão. O cadeirante reclama: "Com licença, o senhor poderia chegar um pouco para o lado?".  "Me desculpe, não percebi que estava bloqueando a vista. Já estou saindo".
  • Primeiro plano: Ao tentar chegar perto do portão, o detetive pisa no pé de um homem alto e gordo. O grandalhão o empurra de encontro à grade. "Ei, mermão, qualé a sua? Quer chegar por último e ficar na área VIP? Sai da frente!". O detetive coloca a mão no casaco para sacar o distintivo e o homem segura seu pulso com força, dizendo: "Você não é louco de puxar uma arma no meio da multidão, é?".  O detetive responde que é da polícia e vai mostrar o distintivo, e o outro libera sua mão, pedindo desculpas.
Quando o leitor chega ao primeiro plano, ele nem recorda mais sobre o que aconteceu no quarto plano; mas mais tarde, quando um terço for encontrado perto da segunda vítima, ele vai recordar que havia uma freira no meio da multidão, lá no quarto plano do palco...

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30 de março de 2017

7 coisas que aprendi, com cinco autores compartilhando suas experiências!

"7 Coisas que aprendi" é uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, onde T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores e outros profissionais do mercado livreiro e literário para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje. 
Sempre é bom lembrar que lançamos um e-book com 61 contribuições de escritores e profissionais do mercado.  E estamos agora juntando contribuições para a próxima edição!  Então, se você é escritor iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, se é editor, capista, ilustrador, revisor, agente literário ou mesmo um leitor ávido com algo para compartilhar sobre o mercado literário, não perca tempo e envie sua contribuição para esta série de artigos!
Estou me organizando para retomar as publicações aqui no Vida de Escritor, com algumas novidades, e enquanto isso gostaria de divulgar as contribuições mais recentes para este série, publicadas no Escriba Encapuzado:
  • Paulino Júnior, autor do premiado livro de contos Todo maldito santo dia e do livro-conto Bife a cavalo.
  • Matheus Arcaro, professor, artista plástico e autor do livro de contos Violeta velha e outras flores (Patuá, 2014) e do romance O lado imóvel do tempo (Patuá, 2016).
  • Kátia Mello-Gerlach, autora dos livros Colisões Bestiais (Particula)res, Forasteiros e Forrageiras de Jade.
  • Alexandre Brandão, autor de livros de crônicas e de contos e vencedor do “Bolsa do Autor”, da Funarte, em 2000.
  • André Roca, jornalista e escritor publicado no livro Onisciente Contemporâneo.
Entre os próximos posts, atendendo a pedidos feitos por email e em comentários aqui no blog, estarei falando sobre como gerar tensão, pontos de virada e outras diferenças entre histórias focadas no personagem (character-driven) e na trama (plot-driven), e como criar personagens com níveis de profundidade. 
Lembro que estes e outros assuntos, com muito mais profundidade, podem ser vistos no meu livro A Bíblia do Escritor, disponível em  versão impressa ou para ler em seu Kindle.

* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.

Veja a opinião de outros autores no  Vida de Escritor e no Escriba Encapuzado.
Até o post que vem - e enquanto isso pensem em SUAS 7 coisas e enviem suas contribuições

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25 de janeiro de 2017

Como construir uma carreira de Escritor

C
aros, sei que estou sumido aqui do Vida de Escritor, mas a meu favor devo dizer que estou vivendo um período sabático, de reestruturação de minha vida e meus rumos, de redescoberta de meu amor e de minha família, depois de um período muito grave de perda e dor.

Hoje, acredito que cada um deva descobrir seu próprio caminho para o sucesso, até porque o sucesso é algo que deve ser definido por cada um. "Fama" e "Dinheiro" não apenas não são equivalentes a sucesso, como também não representam o que a maioria das pessoas, inconscientemente, acredita ser o sucesso. São, quando muito, consequências, mas nem todo sucesso vem seguido de fama ou de fortuna.

Sucesso, para mim, é fazer o que acredita, o que gosta. É acreditar do fundo do coração que você está dando o melhor de si para tornar o mundo um lugar melhor. É lutar contra qualquer tipo de preconceito, é batalhar para que todos tenham as mesmas oportunidades, é expor e lutar contra as maldades do mundo, contra aqueles que só se realizam ganhando dinheiro ou rebaixando os outros para que se sintam maiores ou mais importantes.

Em um mundo em que cada vez mais parece haver uma reação contra os direitos daqueles que têm cores diferentes, ou que rezam de forma diferente para o mesmo Deus (até porque acredito que haja um só...), contra aqueles que têm orientações sexuais diferentes ou que, simplesmente, pensam diferente, é obrigação de todos os que têm a mente mais aberta de lutar por um mundo mais justo.

Quando digo "lutar", não quero dizer que seja levar isso ao extremo da luta armada - embora esta por vezes se torne inevitável - mas sim dizer que devemos usar nossas armas: as palavras.

Paus e pedras quebram ossos, mas apenas palavras transformam pessoas.

Se você quer construir uma carreira como escritor, no meu estado atual de maturidade, só posso lhe dar dois conselhos:

1) Estude e pratique, muito. Aqui no Vida de Escritor dou muitas dicas de como se profissionalizar como escritor, e no livro A Biblia do Escritor dou um passo a passo, com exercícios, para aqueles que desejam levar a sério esta profissão.  E qualquer dúvida estou sempre disponível por comentários aqui no blog ou e-mail.

2) Seja verdadeiro. Escreva sobre o que você acredita, com todo seu coração, toda sua alma. Você pode estar escrevendo Ficção Científica, Fantasia, Romances com cunho histórico ou Comédia; mas se você for verdadeiro, suas palavras irão trasnformar as pessoas e ajudar a criar um mundo melhor.

Contra o fogo, só a água ajuda. Contra a ânsia de dominação e de busca pela superioridade (racial, social, sexual ou o que quer que seja), só o exemplo de respeito e igualdade ajudam.
Porque não é só questão de respeitar o diferente.
É questão de entender que PRECISAMOS do diferente, de louvar o diferente, pois a riqueza de qualquer sociedade está justamente nas diferenças que ela abriga.


Vale reforçar que apesar de estar publicando pouco por aqui, tenho respondido a todas as dúvidas, sejam em comentários no blog ou por email. Não se calem! ;)