21 de outubro de 2020

Como criar bons personagens sem esforço

 Uma das grandes dificuldades, principalmente em autores iniciantes, na criação de personagens é saber o que é realmente importante no momento desta criação.  Se você gasta muito tempo e esforço, por vezes chega até a desanimar e parte do trabalho pode ser desperdiçada, se gasta pouco tempo, os personagens podem ficar pouco convincentes.

E não falei "autores iniciantes" à toa: realmente é difícil chegar a este equilíbrio quando não se tem experiência.  
Para tentar diminuir o tempo desta curva de aprendizado, vou destacar alguns pontos que podem fazer diferença neste momento.

Antes de entrar na questão do equilíbrio, vou falar bem brevemente de algumas ferramentas para ajudar a criação dos personagens, e algumas de suas características.

Ferramentas para criar personagens

  • Mapas Mentais: Muito útil para começar a criação, de forma não estruturada. Você escreve o nome do personagem no meio e começa a criar nós no gráfico, com os grupos de características que acha importante para seu seu livro, por exemplo "Características Físicas", "Relacionamentos", "Vida Profissional" etc.. Depois, vai criando os sub-grupos os características. Há várias ferramentas pagas e gratuitas para a criação destes mapas, a que eu uso é uma gratuita, que me atende bem, a Freemind.  Também pode ser utilizada de forma estruturada, caso você tenha um modelo de mapa e o use para criar mapas semelhantes para vários personagens. 
  • Questionários: A ideia dos questionários é oferecer uma visão compreensiva, completa, das características externas do personagem, ou antes "externamente perceptíveis". Assim, um questionário pode ter coisas como "cor dos olhos" e "cor dos cabelos", e também algo como "Meta de vida", "religião" ou "Principal característica psicológica".   
  • Entrevistas: As entrevistas, em oposição aos questionários, servem para explorar o mundo interior do personagem, e ao invés de respostas objetivas a ideia é realizar perguntas cuja respostas sejam pequenas histórias.  Por exemplo, "Conte como foi a primeira vez que você se apaixonou", ou "Conte o que aconteceu, e como você reagiu, na primeira vez que você ...".  Também é possível fazer uma entrevista não estruturada, gerando novas perguntas segundo os pontos que forem aparecendo nas respostas.  O ideal é escrever todas as respostas, mas alternativamente é possível simplesmente gravar as respostas, respondendo cada questão em voz alta porque a verbalização ajuda a definir melhor o perfil do personagem. 
  • Fichas de personagens: A ficha é uma das ferramentas mais comuns para criar personagens, e em essência é um mix entre os questionários e entrevistas, com algumas perguntas objetivas e outras mais subjetivas.

Quando usar cada ferramenta

O grande problema de praticamente todas estas ferramentas (com a honrável exceção dos mapas mentais) é que definir um personagem acaba gerando um esforço grande. Como então chegar ao equilíbrio?  Vamos a alguns pontos importante que você precisa ter em mente:

  • Nem todos os personagens são iguais: Tenha em mente que você não deve detalhar os personagens da mesma forma.  Os protagonistas e antagonistas precisam ser mais detalhados, mais reais; os secundários podem ser mais simples; já os de apoio podem até mesmo ser estereotipados, desde que não de forma exagerada.  Em termos de características psicológicas, os principais devem ter algo em torno de 3 características mais fortes, e um arco de mudança em que estas características evoluem durante a trama; já os secundários funcionam bem com 2 características e, eventualmente, um arco simplificado de mudança.  Os de apoio têm usualmente uma característica psicológica, e não mudam.  Sabendo disso, não perca tempo fazendo entrevistas, por exemplo, para todos os seus personagens! 
  • Nem todos os livros são iguais: O óbvio precisa ser dito: em livros infantis ou infanto-juvenis os personagens são MUITO mais simples; muitos dos personagens que criei para este público são perfeitamente definidos com um mapa mental e uma ficha simplificada.  Mas mesmo entre romances o aprofundamento dos personagens muda; há romances mais realistas ou com foco em personagens que demandam personagens reais, com vida própria e profunda, e para estes você realmente vai precisar deixar a preguiça de lado e escrever muito na etapa de definição para que seu personagem ganhe o coração dos leitores.  Já para romances de ação, estilo "007", os personagens são bem mais simples. Em se tratando de roteiros de longa metragem, é essencial a realização de questionários e entrevistas extensos, para dar ao ator ou atriz toda a bagagem necessária para "entrar no personagem".  
  • Use as ferramentas de forma encadeada e progressiva: Todo personagem merece um mapa mental. Os secundários merecem um questionário simplificado, e talvez uma ou outra pergunta de entrevista a respeito de suas características principais. Os protagonistas e antagonistas merecem questionários e entrevistas mais completos.  De qualquer forma, comece sempre pelos mapas mentais, depois responda nos questionários ou fichas as perguntas que fizerem sentido conforme o contexto de seu livro, e por fim parta para as entrevistas, assim o trabalho fica mais coeso e os personagens mais coerentes.  
  • Defina os personagens durante o correr da história: Se você gosta de "sair escrevendo", monte os mapas mentais e parta para o trabalho. Não é uma boa abordagem para romances, porque assim os personagens ficam meio "chapados" no início, sem muita vida, mas aos poucos eles vão adquirindo profundidade.  Se você for seguir esta abordagem, não esqueça de voltar às suas anotações e registrar respostas nos questionários toda vez que faltar uma informação objetiva sobre seu personagem, e escrever uma pergunta e resposta nas entrevistas toda vez que sentir que determinada situação merece um "background psicológico" para o personagem. Por exemplo, se de repente você percebe a necessidade de seu personagem ter um determinado medo ou complexo para dar origem a uma cena qualquer, volte e escreva a origem deste medo ou complexo. O leitor nunca vai ler esta história (a menos que isso seja significativo para o livro), mas ao escrever seu personagem soará mais verdadeiro se você escrever esta história antes de escrever a tal cena. 
  • Aproveite perfis de amigos e conhecidos, escreva só o diferencial: Bons personagens são verdadeiros, agem como pessoas verdadeiras. Ora, então um bom "atalho" na criação de personagens é utilizar algum conhecido seu como base. Pode ser um amigo, familiar, ou mesmo uma pessoa pública que você acompanhe mais de perto. O importante, neste caso, é NÃO "copiar" a pessoa, mas se inspirar nela, incluindo alguns elementos que diferenciem seu personagem. Já vi amizades acabarem pelo "uso indevido" de uma pessoa, e olhe que ela era retratada um bom personagem! Se for alguém próximo, uma boa ideia é informar a pessoa antes, e já explicar que é mera inspiração, que não é um retrato nem sua opinião sobre ela - pelo menos é o que eu faço!

    Esta técnica de utilizar amigos e conhecidos também pode ser utilizada para dar um "toque final" aos seus personagens, como destaca a escritora norte-americana Cassandra Clare, autora da série Os Instrumentos Mortais:


"Criar personagens é como reunir ingredientes para uma receita. Eu pego características que eu gosto e desgosto em pessoas reais que conheço, ou de quem sei algo a respeito, e as uso para embelezar e definir personagens" 



Como falei, nada substitui a experiência, mas espero que estas dicas pelo menos mostrem o caminho das pedras sobre o qual a experiência poderá ser construída de forma mais rápida. 

E você, alguma dica sobre criação de personagens? Compartilhe!



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15 de outubro de 2020

Como escolher um título para seu livro?

S
ó quem já passou por este drama sabe como é difícil escolher o título de um livro, ou peça de teatro, ou filme. 
E todo este drama não é à toa, afinal, o título e a capa são os fatores que mais influenciam na compra do livro, para leitores que não conhecem o autor.

O pior é que não existe uma regra para criar "bons títulos", até porque muitas vezes os títulos que quebram as regras óbvias acabam chamando a atenção e, com isso, se tornam mais atrativos.
Ou não!
Como falei, não há regras.

Mas se não há regras, de que adianta falarmos sobre isso?  Ora, basta nos inspirarmos nesta frase do romancista estadunidense John Steinbeck,g autor de livros como "As Vinhas de Ira" e "A Leste de Éden", e ganhador do Nobel de literatura em 1962:


"Ideias são como coelhos. Você consegue um par e aprende a lidar com elas, e muito rápido você terá uma dúzia" 


Portanto, ainda que não haja regras para criar o "título perfeito", ainda assim falarmos sobre o assunto com certeza o ajudará a chegar a um título que pode ser o perfeito para seu livro.

E desta vez vou precisar de ajuda de vocês, até para garantir a "variedade genética" destes "coelhos" que estou soltando aqui, o que com certeza tem o potencial de gerar uma descendência mais rica de ideias!

Vamos, então, a algumas coisas que andei pensando a este respeito. Se você está precisando definir o título do seu livro neste momento, sugiro ir anotando todas as palavras e ideias que aparecerem a cada ponto, porque mesmo que a ideia para seu título não nasça agora, tudo isso servirá de insumo para que sua criação, mais tarde. 

Como você resumiria seu livro em 30 palavras? E em 10? E em 5?

Qual é a essência de sua história? Veja bem, a essência não é O QUÊ você contou em seu livro, mas SOBRE O QUÊ se trata a história. Por exemplo, Huckleberry Finn, de Mark Twayn, não é um livro sobre dois amigos que sobem o rio Mississipi em uma balsa, é uma história de amizade e uma crítica á sociedade racista da época; Moby Dick, de Herman Melville,  não é uma obra sobre a caça de uma baleia, é um conto sobre quão longe a fúria e a vingança podem levar um homem.
Desta forma, busque resumir a essência de seu livro em poucas palavras, e vá ampliando este raciocínio até chegar ao coração de sua obra. 
Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, é um bom exemplo de título criado a partir desta ideia. 
Já os outros dois que mencionei são curiosos: O título é meramente o nome de um personagem. Hoje em dia, isto não se usa muito, mas sempre é mais uma ideia para colocar em seu "caldo"...

Qual o sentimento que seu livro desperta no leitor?

Nesta mesma linha da "essência" de que falei, uma outra possibilidade é buscar o sentimento principal que seu livro desperta. Paixão? Medo? Angústia? Anote em sua lista de ideias, e a partir do sentimento busque algum conjunto de palavras que desperte este sentimento no leitor. Por exemplo, a partir de "agonia", "incômodo" ou "dor", seria possível chegar a um título como Navalha na Carne, de Plínio Marcos.

Busque palavras de impacto 

A partir das ideias dos pontos anteriores, e dos próximos, busque sinônimos de alto impacto. Uma ótima ferramenta para isso, que sempre utilizo, é o Thesaurus do Word: Abra um novo documento, escreva a palavra que servirá de ponto de partida, e clique com o botão da direita do mouse sobre ela. Selecione no menu que aparece a opção "sinônimos e "Dicionário de Sinônimos", que o editor de texto irá abrir seu Thesaurus na lateral do documento. Aí, você pode fazer a festa, navegando por todas as palavras relacionadas, e a partir delas para outras, anotando todas as que têm o potencial de impressionar o leitor.  Por exemplo, a partir de "força" você encontra "impacto", "influência", "energia", "violência"... Ao selecionar "influência", você encontra "inspiração", "pressão", e por aí vai.

Use anacronismos e outras técnicas para despertar a curiosidade do leitor

Um título que traga ideias anacrônicas tem o potencial de despertar a curiosidade do leitor deste o primeiro momento.  Veja, por exemplo, Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, de Marçal AquinoA Cor do Invisível, de Mário Quintana, ou Até que a morte nos una, de Jonathan Tropper.
Mas nem só de anacronismos vivem bons títulos. A inglesa Catherine Webb, sob o pseudônimo de Claire North, criou alguns títulos memoráveis neste quesito, justamente por contarem tudo, e não contarem nada, a respeito de seu livros. Em português há dois que merecem destaque: A súbita aparição de Hope Arden e As quinze primeiras vidas de Harry August (aliás, lindamente escritos). E aí, despertaram sua curiosidade ou não?   

Quais os títulos de livros do seu gênero?  

Como em quase qualquer coisa na vida, uma boa e velha pesquisa de campo sempre ajuda a ter novas ideias. Vá a uma livraria, física ou virtual, e procure livros do mesmo gênero que o seu.  Quanto mais específicos para seu nicho, seu público-alvo, melhor.  
Anote todos os títulos que te impressionarem e coloque-os no caldo que estamos fazendo até agora!

Converse com leitores e escritores

Umas das melhores fontes de ideias - e validação do título - são aqueles que lerão seus livros. 
Hoje em dia é muito fácil fazer, inclusive, uma enquete no Instagram, Facebook ou outra ferramenta para que você tenha uma visão estatística sobre quais títulos de trabalho geram o maior impacto dos leitores.
No entanto, acredito que a conversa um-a-um ainda seja a mais rica, justamente porque dá ensejo ao nascimento de novas ideias.
Desta forma, assim que você pensar em algum título (que chamamos de "título de trabalho" até que o livro seja publicado), comece a  conversar e ajustar o título.
Por exemplo, o meu primeiro romance, O Nome da Águia, começou com o título de trabalho "A Guerra dos Filhos da Luz contra os Filhos das Trevas", título do famoso "rolo da guerra" encontrado entre os pergaminhos do Mar Morto, em 1947. Quando conversando com um possível leitor, ele me falou que este título parecia um título de um livro de Cordel, e como não era a associação que eu procurava, mudei o título para "Os 14 Messias", que me pareceu bastante bom até um segundo possível leitor comentar, ainda durante a escrita do livro, que seria interessante ter um elemento que aparecesse em todos os tempos da trama histórica do livro. Daí, um pouco mais de pesquisa me levou à Águia (nas bandeiras ou símbolos do Império Romano, Alemanha Nazista, na França de Napoleão, bandeira da Valáquia e outros momentos), que acabou me levando ao título final.   

Use poucas palavras - ou não!

 Bons títulos são como microcontos: impacto máximo em texto mínimo. Stephen King é mestre em títulos assim, como Louca Obsessão (Misery), Desespero e Insônia.
No entanto, há muitos títulos longos que acabam funcionando muito bem, muitas vezes até por conta da estranheza que causam.  Neste grupo os exemplos são muitos, como A Sociedade Literária da Torta de Casca de Batata, de Mary Ann Shaffer, A peculiar tristeza guardada num bolo de limão, de Aimee Bender, ou O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, de Ransom Riggs.


Voltando então ao que falei logo de saída: Não, infelizmente não há regras fixas para criar títulos impactantes, que despertem a curiosidade do leitor.
O melhor que podemos fazer é juntar coelhos, ou melhor, ideias, a esperança de que deste caldo nasça aquele título perfeito.

Neste sentido, peço que traga seus coelhos para este caldo. 

Como você faz para escolher os títulos de seus livros?



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7 de outubro de 2020

Socorro! O que escrevo para ser um escritor de sucesso?

M

 uitos escritores me procuram para tirar dúvidas, e uma das dúvidas mais comuns é: O que eu devo escrever?  Continuo escrevendo o que gosto, mesmo sendo algo aparentemente "sem mercado", que demanda uma publicação independente, ou seria melhor desistir e tentar algo mais "viável", que tenha mais saída?

Eu, inclusive, fui assolado por ela muitas vezes antes de formar uma opinião a respeito - que, eu reforço, é só minha opinião a respeito, fiquem à vontade para discordar.

Para uma reflexão inicial sobre este tema, vale uma frase do incrível romancista estadunidense William Faulkner:

"Ponha para fora. Arrisque-se. Pode ser ruim, mas é a única forma de você conseguir fazer algo realmente bom"


Falkner, que entre outros prêmios ganhou o Nobel de Literartura em 1949, escrevia romances extremamente complexos, com diversas tramas intercaladas e grande aprofundamento na psiquê dos personagens, através da escrita por "fluxo de consciência".

Saindo um pouco do mundo da literatura, vamos a uma frase de Pablo Picasso:


"O pior inimigo da criatividade é o bom senso"


O que Falkner e Picasso têm em comum? Ambos são hoje reconhecidos como gênios, mas para conseguirem chegar ao sucesso precisaram abrir seus próprios caminhos e ignorar todos os que diziam, à época, que sua arte não era "vendável".

Vamos a um exemplo bem mais próximo de nossa realidade: o escritor brasileiro André Vianco.
Vianco, como a maioria dos escritores nacionais, começou como autor independente, publicando seus próprios livros e levando-os de livraria em livraria de São Paulo, convencendo gerentes a receberem seus livros e os colocarem em destaque, conversando com vendedores e algum eventual leitor interessado.  O que ele mais ouvia era: "não adianta insistir que os leitores de terror não gostam de autores nacionais, só leem Stephen King e outros do gênero".
Teimoso, ele acreditou em seu sonho e persistiu, e atualmente não só é um poucos dos autores nacionais que vivem exclusivamente de escrever, como também pavimentou a estrada para diversos outros autores de terror nacionais.
O primeiro elemento para apoiar a sua decisão sobre que rumo seguir é este: O mundo nunca foi mudado por aqueles que simplesmente seguem as regras.
 
"Ok", você pode dizer, "mas estes exemplos são exceções: a maioria dos autores que escrevem coisas que o mercado não aprova simplesmente não chega a ser conhecido".
Verdade.
Mas não é (só) a possibilidade de mudar o mundo que você deve levar em conta.
 
Um argumento bem mais prático é que você deve levar em conta que a "moda" dos gêneros de leitura é passageira - e passa rápido. Na onda de Harry Potter vieram diversos livros de crianças com magia; na onda de Crepúsculo nasceram múltiplos livros de amores e vampiros, na onda de 50 Tons de Cinza veio toda uma enxurrada de literatura hot.
 Em teoria, você pode ser capaz de navegar por diferentes estilos, mas esta abordagem têm diversos problemas.  Primeiro, os seus leitores nunca saberão o que esperar de você, e sem criar um público de fãs reais, você não consegue manter sua carreira de escritor.  E segundo, e mais importante, não adianta escrever um livro "da moda" quando a moda chega. Entre os tempos de verificar qual a moda, elaborar e escrever a história, conseguir uma editora e chegar às prateleiras são no mínimo 12 meses - e aí a moda já é outra. E isso supondo que você vai achar muito rapidamente uma editora interessada em investir em você e colocar seus livros nas prateleiras.
 
 O último argumento que gostaria de apresentar é o que me convenceu de vez que eu deveria escrever o que gosto, e não o que "o mercado pede". É uma frase do Confúcio, sábio chinês, que muitas vezes repito em minhas conversas:


"Aquele que descobre um trabalho de que ama, nunca mais trabalha na vida"


Ora, pense bem: Se você AMA escrever Ficção Científica, mas sabe que o mercado está no momento ruim para este tipo de livro, e aí decide escrever romances hot ou policiais, porque vendem melhor. 
Digamos (o que é difícil) que apesar de escrever algo que não saia direto de seu coração, ainda assim você consiga escrever bem o suficiente para conquistar alguns leitores.
Digamos ainda (e a incerteza aqui é tão grande quanto qualquer outra) que você faça um sucesso moderado que o estimule a continuar escrevendo, e que daqui duas décadas você já tenha 20 livros publicados e formado todo um público leitor.  
Sucesso?
Depende!
Se sua meta para atingir o sucesso era viver de escrever, parabéns, você conseguiu.
No entanto, se sua meta era escrever porque você AMA escrever, porque tem dentro de si uma necessidade grande de colocar para fora seus sonhos e mudar o mundo... Você poderá dizer que atingiu o sucesso?  Escrever "qualquer coisa" é um trabalho que você ama?
 
Se você escreve com o coração, quem ler vai reconhecer isso, e seus livros irão encontrar seu público. 
 
Persista, porque só existem dois tipos de escritores: os que fazem sucesso, e os que desistem antes!



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11 de junho de 2020

Como dar vida aos personagens antes de começar a escrever seu livro


A meu ver, a forma mais efetiva de se evitar o bloqueio de escritor é conhecer bem o seu paradigma, o seu processo de escrita, e utilizar técnicas que mais são apropriadas para manter a motivação e evitar bloqueios, conforme esta técnica.

Pergunte a 10 escritores como eles escrevem, e cada um vai lhe contar uma coisa diferente.
Independente do processo seguido, uma coisa é essencial, e muito bem expressa nesta frase do escritor H. Jackson Brown:

"Não perca tempo esperando pela inspiração. Comece, e a inspiração vai lhe encontrar."


 Vamos conhecer alguns dos processos seguidos por escritores de sucesso, para ajudar você a entender melhor o seu próprio processo, e quem sabe dar-lhe algumas ideias de como melhorá-lo.
  • Sentar e Escrever, ou "não tenho processo": Processo utilizado por escritores como Stephen King e André Vianco, consiste em definir o conflito central da história, quem são os personagens, a situação inicial, e "sair escrevendo". Para evitar bloqueios neste processo, escreva o mais rápido que puder, sem revisar, sem parar para pesquisar. Coloque comentários no texto sempre que ver a necessidade de revisá-lo mais tarde, mas continue sempre em frente, mesmo sem inspiração. Com personagens com metas bem definidas e conflitantes, não tenha medo: a história vai acontecer.
  • Ir revisando enquanto escreve, "pegadas na areia" ou "pegadas na neve":  Processo utilizado por escritores como Fernando Sabino e Dean Koontz, consiste em avançar lentamente, revisando a cada passo, e por vezes retornando sobre suas pegadas e descartando trechos inteiros que levaram a história em uma direção não desejada. Para diminuir a chance de ficar bloqueado em revisões e perder a motivação, reserve um tempo bem determinado para revisar, e outro para escrever.
  • Detalhamento progressivo: Processo utilizado, por exemplo, pelo escritor Robert Ludlum mais conhecido pelos filmes da série "Identidade Bourne" e outros baseados em seus livros, consiste em fazer uma sinopse do livro, depois ampliá-la para um outline ("resumão"), depois ir incrementando o outline com diálogos, descrições e tramas paralelas. Este processo ajuda a manter a motivação e evitar bloqueios por falta de ideias, por oferecer uma visão geral da história; mas pode gerar histórias muito centradas na ação, com pouco espaço para desenvolvimento dos personagens.
  • Estruturar e escrever: Processo utilizado por autores como Dan Brown e James Patterson (e meu processo preferido de trabalho), consiste em definir as cenas principais da história, depois as cenas intermediárias, e com todas as cenas definidas, escrever o texto (ou roteiro de audiovisual) correspondente a cada uma delas. Como cada cena consiste em duas partes, a parte da ação (interação do personagem com o mundo externo) e a parte da reflexão (impactos na emoção e razão do personagem das ações realizadas), há um melhor equilíbrio entre o desenvolvimento da trama e dos personagens. Este processo, por si só, evita o bloqueio do escritor, porque além de permitir uma visão geral das tramas, evitando a falta de ideias, ele oferece a facilidade de poder escrever o texto correspondente às cenas em qualquer ordem, dependendo da motivação do escritor.
Ninguém escreve bonito o tempo todo e é importante lembrar que todas as partes, digamos, "menos inspiradas", poderão ser revisadas ou cortadas na etapa de revisão de seu livro.

O importante é você se manter escrevendo, ciente de que quanto mais escrever, melhor o fará.



Saiba mais em meu vídeo sobre este assunto no YouTube



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11 de maio de 2020

Paradigmas de escrita para vencer o bloqueio de escritor


A meu ver, a forma mais efetiva de se evitar o bloqueio de escritor é conhecer bem o seu paradigma, o seu processo de escrita, e utilizar técnicas que mais são apropriadas para manter a motivação e evitar bloqueios, conforme esta técnica.

Pergunte a 10 escritores como eles escrevem, e cada um vai lhe contar uma coisa diferente.
Independente do processo seguido, uma coisa é essencial, e muito bem expressa nesta frase do escritor H. Jackson Brown:

"Não perca tempo esperando pela inspiração. Comece, e a inspiração vai lhe encontrar."


 Vamos conhecer alguns dos processos seguidos por escritores de sucesso, para ajudar você a entender melhor o seu próprio processo, e quem sabe dar-lhe algumas ideias de como melhorá-lo.
  • Sentar e Escrever, ou "não tenho processo": Processo utilizado por escritores como Stephen King e André Vianco, consiste em definir o conflito central da história, quem são os personagens, a situação inicial, e "sair escrevendo". Para evitar bloqueios neste processo, escreva o mais rápido que puder, sem revisar, sem parar para pesquisar. Coloque comentários no texto sempre que ver a necessidade de revisá-lo mais tarde, mas continue sempre em frente, mesmo sem inspiração. Com personagens com metas bem definidas e conflitantes, não tenha medo: a história vai acontecer.
  • Ir revisando enquanto escreve, "pegadas na areia" ou "pegadas na neve":  Processo utilizado por escritores como Fernando Sabino e Dean Koontz, consiste em avançar lentamente, revisando a cada passo, e por vezes retornando sobre suas pegadas e descartando trechos inteiros que levaram a história em uma direção não desejada. Para diminuir a chance de ficar bloqueado em revisões e perder a motivação, reserve um tempo bem determinado para revisar, e outro para escrever.
  • Detalhamento progressivo: Processo utilizado, por exemplo, pelo escritor Robert Ludlum mais conhecido pelos filmes da série "Identidade Bourne" e outros baseados em seus livros, consiste em fazer uma sinopse do livro, depois ampliá-la para um outline ("resumão"), depois ir incrementando o outline com diálogos, descrições e tramas paralelas. Este processo ajuda a manter a motivação e evitar bloqueios por falta de ideias, por oferecer uma visão geral da história; mas pode gerar histórias muito centradas na ação, com pouco espaço para desenvolvimento dos personagens.
  • Estruturar e escrever: Processo utilizado por autores como Dan Brown e James Patterson (e meu processo preferido de trabalho), consiste em definir as cenas principais da história, depois as cenas intermediárias, e com todas as cenas definidas, escrever o texto (ou roteiro de audiovisual) correspondente a cada uma delas. Como cada cena consiste em duas partes, a parte da ação (interação do personagem com o mundo externo) e a parte da reflexão (impactos na emoção e razão do personagem das ações realizadas), há um melhor equilíbrio entre o desenvolvimento da trama e dos personagens. Este processo, por si só, evita o bloqueio do escritor, porque além de permitir uma visão geral das tramas, evitando a falta de ideias, ele oferece a facilidade de poder escrever o texto correspondente às cenas em qualquer ordem, dependendo da motivação do escritor.
Ninguém escreve bonito o tempo todo e é importante lembrar que todas as partes, digamos, "menos inspiradas", poderão ser revisadas ou cortadas na etapa de revisão de seu livro.

O importante é você se manter escrevendo, ciente de que quanto mais escrever, melhor o fará.



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27 de abril de 2020

Como escrever um romance de sucesso


No Brasil, segundo a CBL - Câmara Brasileira do Livro, um livro que venda 20.000 exemplares já pode ser considerado um bestseller.
Desanimador?  Com certeza, porque em um país com 200.000.000 de habitantes, temos apenas 30 milhões de leitores, segundo a pesquisa Retratos da Leitura, e destes, menos ainda são os que vão além dos livros religiosos.
Ainda assim, livros como "O Código da Vinci" e outros ultrapassaram a marca dos 10 milhões de livros vendidos no país.

O que faz a diferença entre um bestseller, digamos, comum e estes mega-bestesellers?

Bom, antes de entrar no assunto, para evitar polêmicas, vou deixar claro que o "sucesso" a que me refiro aqui é o número de exemplares vividos - ainda que o significado de "sucesso" seja algo muito particular e que deve ser definido conforme seu objetivo ao escrever. Sobre isso, vamos ver uma frase do escritor Ledo Ivo:

"Uns escrevem para salvar a humanidade ou incitar lutas de classes, outros para se perpetuar no manuais de literatura ou conquistar posições e honrarias. Os melhores são os que escrevem pelo prazer de escrever."


Vamos supor, então, que você é um destes quer escrevem pelo prazer de escrever.  Ainda assim, no mundo real o grande desejo do escritor é que seja lido pelo maior número possível de leitores.
Para isso, há um grande número de técnicas para aumentar a imersão do leitor em sua obra, aumentando suas chances de chegar a este "sucesso" que é vender mais:
  • Pesquise, estude, observe o mundo. Toda boa história tem verossimilhança, e para criar um universo ficcional coerente e convincente é essencial que ele tenha raízes no mundo real. Não interessa se sua história tem mágicos, dinossauros ou discos voadores, ainda assim ela precisa parecer real, os personagens precisam parecer pessoas reais, ou o leitor não conseguirá se identificar.
  • Leia, muito e sempre. Não basta conhecer o mundo, é necessário ter referências na literatura sobre como os autores o representam. Quem lê pouco não consegue dominar os aspectos básicos da arte de escrever.
  • Ler é a arte de cortar: Não basta escrever bem, é importante ter coragem de cortar. Dói, mas sem cortar no mínimo 20% de tudo o que você escreveu, você não terá um livro enxuto o suficiente para apaixonar o leitor do início ao fim.
  • Utilize os sentidos: Ao escrever, usualmente registramos só as descrições do que aconteceu (visão) e diálogos ou barulhos essenciais à narrativa (audição). Quando revisando, busque incluir os outros sentidos, inclusive o sexto sentido (a intuição), em especial nos momentos de maior emoção ou suspense.
  • Cliffhangers: Também na revisão, leia com atenção o final de cada capítulo, e sempre que possível termine não com uma cena de impacto, mas com um momento de suspense, um instante antes desta cena. Deixe o leitor na curiosidade, que ele não conseguirá largar o livro! 
É claro que não basta saber usar boas técnicas, o essencial é saber contar grandes histórias.

Outros fatores, como as ações de divulgação que fazem seu livro chegar a ser conhecido pelo leitor, também são essenciais hoje em dia - vamos falar disso em futuras oportunidades!

Até lá, pergunte, comente, compartilhe o que você sabe com os colegas de profissão, pois juntos somos mais fortes!



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15 de abril de 2020

Dicas essenciais para encontrar uma editora para seu livro

Uma das maiores angústias de (praticamente) todo escritor é conseguir um destino adequado para suas obras.

Hoje estou com 22 livros publicados, mais dois agendados para publicação nos próximos meses. Além do Brasil, tenho livros publicados em Portugal e nos Estados Unidos, além de uma participação em um livro publicado na China. 
Parece muito, falando assim. Mas neste momento estou escrevendo mais um livro de paixão (em oposição a um "livro de patrão", encomendado por alguma editora) e a ansiedade é a mesma.  Qual editora vai querer publicá-lo? E se nenhuma das minhas atuais quiser, como vou fazer? Autopublicar ou procurar outra editora? Em papel, ou e-book?
A vida de um escritor profissional, infelizmente, vai muito além de escrever livros. Isto é bem expresso por uma frase do escritor Salman Rushdie:

"Meu grande sonho é que fosse possível, após concluir um livro, entregá-lo à editora e retornar à minha caverna para escrever o próximo"



Para não estender muito o assunto, vou falar hoje apenas sobre como procurar uma editora, mas retornaremos a este rico tema em outras oportunidades - o assunto é praticamente inesgotável!

Para aumentar suas chances de ser escolhido para publicação em uma editora, é importante que você conheça pelo menos um pouco como funciona, digamos, "do lado de lá".
No Brasil, uma editora de médio porte recebe entre 60 e 100 exemplares por mês, podendo este número duplicar ou até triplicar em época de Bienal do livro.  Mas, apenas para efeitos didáticos, suponhamos que este número seja 60 livros.
Ora, não faz sentido a editora colocar 5 ou 10 pessoas exclusivamente para ler tudo o que chega, não concordam? Então, o que usualmente acontece é que a a seleção dos livros a passa por diversas etapas. Conhecendo estas etapas, fica mais fácil vencer cada uma delas.

A primeira etapa, que corta (acreditem ou não...) cerca de 90% dos livros, é o corte pelo TEMA do livro, ou mesmo pelo visual. Você enviou um livro de poesias para uma editora que nunca publicou poesias? Ou enviou um romance com tema de distopia, para uma editora que publica mais histórias de amor? Ou, ainda, enviou um livro de terror para uma editora que publica livros de terror, mas só de autores internacionais? Então, vai direto para a pilha de descarte!
A forma óbvia de não ser descartado nesta etapa é pesquisar bem nas livrarias quais editoras publicam autores nacionais do gênero que você escreve.

Nesta etapa são descartados, também, todos os livros que chegam "fora do padrão". Exemplo do mais óbvio possível: No site da editora é informado que não recebem originais em papel, só através de upload no site; ou simplesmente informam que não estão analisando originais no momento.
Para não cair nesta etapa, depois de fazer a lista inicial de editoras com a pesquisa nas livrarias, visite o web site de cada um delas e verifique qual o processo de envio de originais, e se estão recebendo no momento.

 Depois desta primeira etapa, sobram, pela média, uns 6 livros por mês a serem analisados. São todos lidos? Ainda não. Pelo menos não inteiramente. Mesmo descartando 90% dos originais na primeira etapa, ainda assim sobram 48 livros a serem analisados por ano, e uma editora raramente vai arriscar publicar 5 novos autores todos os anos... Mas, para simplificar, digamos que sejam 5 a serem selecionados. Portanto, 90% dos que sobraram precisam ser também descartados.

Como sobreviver a esta segunda etapa?
Bom, o leitor que faz a seleção sabe que precisa descartar 9 livros em cada 10, e obviamente tem mais o que fazer dentro da editora. O que ele faz, então, é ler os primeiros parágrafos do livro. Se empolgar, ele separa para ler mais depois. Nesta leitura já são descartados quase todos os que sobraram, porque muitos bons autores esquecem de que o livro precisa empolgar desde as primeira linhas.
Então, antes de enviar a uma editora, tome cuidado de rever com especial cuidado a primeira página. Envie-a a alguns amigos que gostem de ler e colete opiniões, pergunte se eles gostariam de ler um livro que começa assim. E aperfeiçoe sua abertura!

Além disso, para aumentar suas chances, é importante não enviar apenas um livro, mas um Projeto Editorial: O livro, uma carta de apresentação e a proposta editorial.
Na carta, muito curta, você diz do que se trata o livro e menciona que a proposta tem mais detalhes.
Na proposta, que podemos aprofundar em outras oportunidades, você precisa indicar:
  1. Porque seu livro é único, o que tem de especial, e qual seu público alvo.
  2. O que você tem de especial e que garante que é o melhor autor para escrever este tipo de história.
  3. Quais esforços você irá realizar para divulgar seu livro.
 E, acima de tudo, não tenha ansiedade para enviar logo seu livro. Revise, prepare seu projeto, e lembre que você precisa dar o seu melhor para estar entre o 1% restante que efetivamente será lido pelo editor para uma possível publicação.

Fora isso, é com você. Até, porque, no fim do dia o que realmente irá fazer seu livro ser selecionado por uma editora é a sua habilidade para contar histórias!

Pergunte, complete com suas dicas para outros escritores, pois só compartilhando conhecimento é que garantimos um futuro melhor para todos em nossa profissão!


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6 de abril de 2020

O Bloqueio de escritor e a procrastinação

A procrastinação (buscar desculpas para adiar o momento de escrever) é o mais insidioso de todos os tipos de bloqueio de escritor.

Na verdade, ela é um problema que transcende o mundo da escrita, afetando praticamente tudo em nossa vida, seja profissional, seja pessoal.

Você sabe que está procrastinando quando quer fazer alguma coisa, sabe como fazer, mas talvez porque a tarefa seja muito difícil, talvez por ela ser muito longa, talvez por algum medo de não conseguir executá-la ou outro motivo qualquer, o fato é que você fica adiando o início.

E é justamente por isso que falei "insidioso": você não percebe que está bloqueado, acha que está tudo bem. Você tem ideias, sabe para onde a história deve ir, seus personagens já são velhos amigos seus, mas você simplesmente não faz a história evoluir no papel.

Sobre esta questão, Pablo Picasso tem uma frase excelente:


"Só deixe para fazer amanhã as coisas que você quiser deixar incompletas quando morrer"


Façamos um "teste definitivo" para saber se você está procrastinando. Considerando que você quer começar a escrever um livro, ou que já começou a escrever um, mas está sem escrever já faz...
  • Uma semana: Isso acontece, não se preocupe. Por vezes temos semanas complicadas, em que tudo é adiado até que algo se resolva.
  • Duas semanas: Há momentos de crise em que isso acontece. Emergências familiares ou profissionais, viagens, etc. Não se desespere!
  • Três semanas: A menos que realmente haja um motivo de força maior para isso (e você vai saber quando houver), não se engane: você está procrastinando!
Ok, sabendo disso, o que fazer então? Vou listar algumas das técnicas mais comuns para a evitar a procrastinação:
  1. Defina uma rotina diária - e a siga! Não adianta reservar uma hora por dia "antes de dormir", ou "quando der tempo". Defina um horário fixo para começar e para terminar seu trabalho, e neste horário, não veja e-mails, não pesquise nada sobre o que está escrevendo, não responda mensagens no WhatsApp nem olhe nenhuma rede social, só escreva!
  2. Monte seu santuário. Nosso cérebro tem um "modo criativo" que pode ser treinado, acreditem, para ser ativado em horários e ambientes propícios. Ao definir a agenda você fez o primeiro passo, agora, monte um local de escrita, com suas anotações sobre a trama, mapas mentais dos personagens, gráficos e mapas e apoio, e tudo o que você coletou sobre a história que está escrevendo.  Se você não tem um espaço em casa, guarde tudo em uma pasta e espalhe sobre a mesa da biblioteca ou do local onde vai escrever. Além disso o ajudar a entrar no "modo criativo", você terá na ponta dos dedos qualquer informação de apoio na hora de escrever.
  3.  Defina metas. Organize seu trabalho de forma a definir quantas palavras (ou páginas, se ainda não estiver acostumado a trabalhar com palavras) vai escrever por dia, por semana, por mês. Ao atingir suas metas semanais ou mensais, comemore. E, se não conseguir atingir, seu subconsciente vai "cobrá-lo" para esforçar-se mais no próximo período, o que ajuda a combater a procrastinação.
Uma das técnicas mais poderosas para combater a procrastinação, e que facilita em muito o trabalho de escrever um romance ou um roteiro de longa metragem, é seguir uma abordagem estruturada para escrever sua obra.
Ao fazer isso, além de evitar que você não saiba que rumo a trama vai seguir, você saber quando vai terminar a primeira versão - suas metas passam a ser por resultado, não por produtividade na escrita.

Vamos falar sobre isso em outra oportunidade, e até lá, fique à vontade para perguntar sobre qualquer ponto que não ficou claro, ou completar com suas dicas para outros escritores!


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30 de março de 2020

O Bloqueio do escritor e a falta de confiança

Q
Quem nunca sofreu de bloqueio de escritor?

Uma das mais comuns formas de bloqueio é a falta de confiança: achar que "não consegue", medo de que o que escreverá não vai ser bom o suficiente, não saber nem por onde começar, ou como continuar.
Também já passei por isso, e a sensação é terrível: você quer escrever, sente que precisa fazer isso para colocar para fora a angústia que traz no coração, mas simplesmente se sente paralisado.  Lembrei agora de uma frase de Gustave Flaubert, escritor francês autor do famoso "Madame Bovary": 

"Escrever é uma vida de cão, mas é a única vida que vale a pena ser vivida"


Se você tem esta necessidade presa no peito, não tenha dúvida: você é um(a) escritor(a), mesmo que nunca tenha escrito nada.

E se você é um escritor, só há uma forma de resolver esta questão: escrevendo.
 
Para combater a falta de confiança, há algumas técnicas que podem lhe ajudar, mas hoje vamos nos ater a três: o "aquecimento mental", a corrida de velocidade para vencer o "gorila crítico" e o planejamento.

O aquecimento mental é uma técnica bem simples, e pode ser utilizada toda vez que você for começar a escrever. Para "aquecer" e ativar seu modo criativo:
  1. Sente à frente de seu instrumento de escrita (computador, papel e caneta, celular, máquina de escrever...);
  2. Coloque um relógio para despertar em 5 minutos;
  3. Escreva! Escreva sem pensar, sem parar, até que o alarme toque. Se você não souber o que escrever, comece escrevendo "Não sei o que escrever, nada me vem à mente..." e coisas do gênero. Não importa se está escrito certo ou errado, não precisa ter coerência, as ideias não precisam estar conectadas, não é sobre seu livro, nem uma história: apenas escreva. 
Após este exercício (cujo tempo pode sem ampliado, caso você queira), você vai sentir que seu cérebro está já "aquecido mentalmente", pronto para escrever. É hora, então, de começar a corrida de velocidade!

Todos nós temos um "macaquinho crítico" mental que fica empoleirado em nosso ombro, olhando o que escrevemos e dizendo: "Isto não está bom". Muitos de nós (eu, por exemplo) temos um "gorila crítico", muito mais pesado, muito mais crítico.  Se deixarmos nosso símio particular tomar as rédeas de nossa vontade, não vamos escrever nunca.

É aí que entra a corrida de velocidade. Esta técnica é ainda mais simples: Sabendo onde você está em sua história, ou onde quer começar, simplesmente escreva. Escreva sem pensar se está bom ou não, continue a história mesmo que por caminhos que você não esperava. Deixe que os personagens interajam, que as situações aconteçam.

"Mas" - você deve estar pensando - "e se não ficar bom? E se a história não der em lugar nenhum?".
Ora, primeiro, que há muitas técnicas que o ajudam a definir personagens e a estrutura da trama, como já falei anteriormente e falo em detalhes n'A Bíblia do Escritor. Preparando uma base sólida para construir sua história e definindo os rumos principais, o risco de "não dar em nada" é praticamente nulo. O planejamento é essencial para evitar estes bloqueios, então, podem ter certeza de que voltarei a falar dele em futuros posts!

Mas, para este momento, o que você precisa saber realmente é que TUDO o que você escrever vai precisar ser revisado depois. É impossível escrever perfeitamente "de primeira". Trechos serão inevitavelmente melhorados, substituídos por outros ou mesmo cortados.
Se é assim, e realmente é, então não há motivos para perder tempo deixando seu gorila criticar tudo o que você escreve.
Coloque-o para dormir, e acorde-o na hora de revisar seu texto. Saber que ele continua ali, pronto para melhorar seu texto ao final, quando você tiver uma primeira versão e conhecer melhot sua história, é tudo o que você precisa saber para escrever tranquilo, rapidamente.

Há também muitas técnicas para o ajudar a vencer a procrastinação, mas vamos deixar isso para uma futura oportunidade!
Até lá, fique à vontade para perguntar sobre qualquer ponto que não ficou claro, ou completar com suas dicas para outros escritores!

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6 de março de 2020

A Bíblia do Roteiro de Quadrinhos

Amigos!

Na próxima sexta, dia 13 de março às 19h00, estarei na Gibiteca de Curitiba lançando a primeira edição de A Bíblia do Roteiro de Quadrinhos, obra escrita a seis mãos junto com os roteiristas Gian Danton e Leonardo Santana.

No dia seguinte, 14 de março, estarei na Itiban Comic Shop para uma tarde de autógrafos e bate-papo com os leitores. 

A terceira edição de A Bíblia do Escritor também está saindo do forno, revista e melhorada, e se ficar pronta a tempo vou fazer o lançamento em conjunto nestes dias.
E para aqueles que estão sentindo falta das postagem aqui, uma grande novidade: a partir da semana que vem estarei iniciando uma nova série de artigos semanas, acompanhados por vídeos em meu canal do YouTube, onde eu aprofundarei mais cada tema apresentado. Fiquem de olho!

Vale dizer que A Bíblia do Roteiro de Quadrinhos está com uma oferta de 30% de desconto em pré-venda, até o dia 12, então aproveitem para economizar.

Seguem os convites!

https://escritoreasileiros.commercesuite.com.br/a-biblia-do-roteiro-de-quadrinhos