2 de outubro de 2014

A arte de conquistar editores - e leitores!


Os dois maiores desafios de um escritor, pelo menos no que se refere àqueles que estão dentro de sua capacidade de atuação, são conseguir uma editora para seu livro e, depois de publicá-lo, fazer a divulgação adequada para que os leitores saibam que seu livro existe.
No caso de livros auto-publicados, em papel ou digitais, você escapa do primeiro desafio - mas o segundo (acreditem!) torna-se proporcionalmente maior. 
Curiosamente, "o caminho das pedras", ou pelo menos um deles, é o mesmo para superar estes desafios: conversar, aparecer, dar-se a conhecer, networking, relacionar-se...  Chame como quiser: O escritor não pode escrever seu livro e voltar para sua caverna e começar a escrever o próximo, ele precisa ter uma vida social ativa, nem que esta vida seja estritamente profissional."Escrever um livro é fácil! Os difícil é, primeiro, chegar à editora, e depois aos leitores."


Vamos aprofundar a questão com dois exemplos, começando com o lado das editoras.
Felipe Colbert e eu
Felipe Colbert e eu
No último mês estive com o escritor Felipe Colbert, em São Paulo, trocando experiências e aprendendo muito (Obrigado, Felipe!). Nossa conversa confirmou algo que eu já sabia faz tempo: quem faz contato direto com editores consegue um retorno bem maior do que quem faz este contato remoto, mesmo que seja por telefone.

Belleville, de Felipe Colbert
Belleville, de Felipe Colbert
Conseguir uma editora é, obviamente, algo que depende da qualidade de seu trabalho, mas até mesmo receber um "não" às vezes é difícil quando a editora não lhe conhece.  Pode parecer um absurdo falar isso, mas este mercado ainda é movido muito por contatos e paixões particulares dos editores. Não é que falte profissionalismo, mas se você está na gestão de uma editora e precisa apostar em um livro (uma publicação é quase sempre uma aposta...), especialmente de um autor que ainda não é reconhecido, obviamente você vai escolher a aposta com mais chance de ganhar.  E entre os muitos bons livros que chegam todas as semanas, se você vai apostar, é claro que você apostará em um autor que conheceu e em quem percebeu a postura de alguém que vai ajudá-lo a vender seu livro.

Chocolate Literário na EC02 de Ceilândia
Chocolate Literário na EC02 de Ceilândia
Como fazer isso? O melhor lugar para encontrar editores é nas bienais e em grandes feiras de livro (como a Flip). Prepare seu portfólio, imprima uma cópia de seu trabalho, treine seu discurso de apresentação, e bom trabalho!
Na hora de vender seu livro não é diferente.
O Felipe esteve todos os dias no stand da Novo Conceito na Bienal de São Paulo, autografando e apresentando seu trabalho para qualquer possível leitor que tivesse a curiosidade de folheá-lo. Resultado? Seu livro Belleville foi o segundo mais vendido da Novo Conceito, ficando atrás apenas de um best-seller internacional cujas boas vendas já eram esperadas. (Em tempo: Li o Belleville e recomendo, é um livro bem escrito, emocionante e imaginativo, vale a pena!).

Fliníquel - Feira Literária de Niquelândia
E se você não tem como viajar para a bienal ou estas grandes feiras?  Comece em sua cidade!  Visite escolas, feiras literárias em sua região e encontros de escritores. Monte sua base de leitores aos poucos, mas continuamente, se você realmente pretende viver de escrever algum dia.
Ainda mês passado estive na Escola Classe 02 de Ceilândia, que promoveu a nona edição de seu "Chocolate Literário". Além do delicioso chocolate para os autores convidados, passamos uma manhã assistindo apresentações dos alunos e acompanhando os trabalhos que eles fizeram, nos diversos murais espalhados pela escolha.   Foi muito divertido e emocionante, vejam as fotos em meus álbuns públicos, junto com outras dezenas de eventos de que participei nos últimos anos.
E aproveitando o ensejo: Estarei participando da Fliníquel, a Feira Literária de Niquelândia, no fim deste mês e início do próximo. Se você mora por perto, apareça para trocar ideias!
Afinal, não basta escrever: há que relacionar-se para ser um escritor completo!  :)

E você, o que tem feito para divulgar seu trabalho? Alguma outra dúvida? Compartilhe com seus colegas escritores!

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9 comentários:

Ulisses Alves disse...

Adorei o post. Eu já estava suspeitando que ficar recluso dentro da caverna tornaria bem mais difícil vender meus livros. Mas eu tenho muita dificuldade e pouquíssima empolgação para interações sociais. Queria muito apostar na imagem do autor fantasma. Daquela figura quase literária que todos conhecem o nome, mas poucos conhecem a fisionomia. Será que não há mesmo chance de apreciarem as minhas histórias e embarcarem nas aventuras das minhas ideias sem levar em conta a minha pessoa?

Obrigado por compartilhar sua experiência.

Abraços,
Ulisses Alves

Alexandre Lobão disse...

Oi Ulisses,
A meu ver, só há uma alternativa a "mostrar a cara" em interações sociais: mostrar a alma em interações digitais. De qualquer forma, você precisa fazer seu trabalho chegar para o possível público leitor, ninguém vai "descobrir" você em meio a milhões de escritores na web, ou a milhares nas livrarias. Eu mesmo não sou muito dado a interações sociais, ou melhor, não era. À medida em que você vai fazendo isso, vai ficando mais fácil e - acredite! - divertido.


Veja o caso concreto: o da E.L.James, que escreveu "50 tons de cinza": ela escrevia fan-fics da saga Crepúsculo e continuamente divulgava seu trabalho (conta a lenda que eram diversas horas por dia...) entre fans da saga. Quando chegou a algumas centenas de milhares de leitores de seus textos, um editor se interessou em publicar o trabalho, com a ressalva de que ela precisaria tirar lobisomens e vampiros e deixar só a 'sensualidade' (entre aspas porque é bem mais que isso).
Então, se você preferir, pode até ficar na caverna, mas precisa ativamente divulgar seu trabalho via web.
Boa sorte, e conte suas experiências e resultados por aqui!

Eduardo Prazeres disse...

Oi Alexandre. Sou o Eduardo, do livro Crispim e a Sétima Virgem. Realmente, publicar o livro apenas no sentido de "imprimir" não é o bastante. Aqui em Teresina tenho vivido a experiência maravilhosa de vender centenas de exemplares do meu livro visitando as escolas da cidade. Enquanto as livrarias vendem 4 ou 5 exemplares por mês (quando vendem, rs)eu chego a uma média de 100 exemplares dentro do mesmo período. Dá trabalho, é verdade. Mas é muito gratificante, e as energias acabam sendo recarregadas pelo próprio resultado desse trabalho. Sonho muito, como todo escritor ainda não renomado, em conseguir uma editora que publique meus livros a nível nacional. Mas confesso que a nível local já tenho um sucesso bastante satisfatório, e, o que é melhor - estou vivendo de literatura. E isto não tem preço.

Anônimo disse...

Ola Alexandre, há tempos eu venho acompanhado e até salvando seus posts no HD do meu computador. Eu particularmente tenho a opinião de que os escritores não são plenamente livres para publicarem aquilo que vem em suas mentes porque se fizerem isto correm o risco de serem até processados cível ou criminalmente. As editoras conhecem o perfil dos consumidores de livros e guardam estratégias para atrair mais consumidores, os escritores às vezes trabalham sobre a demanda do mercado caso contrário eles não atrairão atenção nem vão vender.
Aí que está um mistério que os novos escritores ignoram: confundem liberdade com desenvoltura. Um exemplo disto está na supervisão dos textos pelos editores no trabalho impresso e jornalístico onde seu chefe considera o texto publicável, porém pedem para você alterar respectiva parte.
Somente os escritores de peso e renome tem uma liberdade absoluta para escreverem o que desejam sem muitas restrições. Gostaria de conhecer sua opinião e que falasse mais sobre isto.
Abraço! FFJr.

Alexandre Lobão disse...

Oi Eduardo,

É MUITO por aí: cada escritor precisa descobrir seu espaço, porque só imprimir o livro não adianta.
Só como um segundo exemplo: Há um escritor aqui em Brasília que escreveu um livro de humor ("Como atormentar sua sogra" ou algo assim), imprimiu por conta própria e vendeu mais de 40.000 exemplares (!!!) nos barzinhos da cidade. Com o dinheiro ele bancou um sonho antigo e montou uma livraria.
E parabéns pela realização do sonho! Continue assim e em breve seu sucesso irá além de seu estado, tenho certeza!
[]s,
Lobão

Eduardo Prazeres disse...

É o que eu desejo, Alexandre, e estou buscando com toda a dedicação. E que impressionante essa venda de 40.000 exemplares viu! Nossa Senhora! Do meu livro anterior, Balada Suburbana, vendi mais de 2.000 exemplares, por conta própria também. O Crispim e a Sétima Virgem, depois de um ano de lançamento, está chegando aos 1.000 exemplares vendidos. Mas 40 mil é realmente uma marca invejável, rs. Principalmente na carreira independente. Para o meu novo livro estou pensando em tentar aquela parceria com a Novo Século, todo mundo fala tão bem do serviço de distribuição da editora que eu me entusiasmei. Além disso, acho que, pra mim, que moro mais afastado dos grandes centros, é uma grande alternativa para chegar ao mercado nacional. Se eles se interessarem pelos meus originais, claro. Vc tem algo publicado pela Novo Século, Alexandre?

Alexandre Lobão disse...

Oi FFJr,


Obrigado pela contribuição, a questão da liberdade de expressão realmente é instigante.
Acredito que o escritor deve ter sempre em mente seu público alvo, afinal, ele escreve para este público.
Nesta linha, o escritor, mesmo famoso, só é totalmente livre se seu público alvo for composto apenas por uma pessoa: ele mesmo. Se não, ele sempre vai pensar no QUE DEVE ou não deve escrever; em COMO DEVE ou nçao deve escrever; no QUE INTERESSA este público, e por aí vai.
Se você escreve um livro estilo biografia para sua familia, ele pode ser chato para outras pessoas e interessante para a família, que conhece os personagens ao vivo.
Se você escreve um livro para acadêmicos, ele pode ser complexo, difícil de ler, e ainda assim ter grande aceitação.
E se você escreve para "o grande público", então cai nesta linha que você falou: o filtro inicial vai ser o editor; e se você publicar sem editor, então o próprio publico será o filtro. O editor sugere o que acha que vai aumentar a chance de seu livro interessar mais gente, então não deve ser visto como um "castrador", mas como um "orientador".
Pelo menos é o que eu penso. Afinal, livros são feitos para serem lidos, e como escritor quero que meus trabalhos sejam lidos pela maior quantidade possível de pessoas!

Abração!

Alexandre Lobão disse...

Oi Eduardo,
A primeira edição de meu "O Nome da Águia" saiu pela Novo Século, e deve sair uma segunda edição até o fim do ano pela Franco.
A distribuição da Novo Século realmente é nacional, em todas as grandes redes de livrarias.. A qialidade das capas e da diagramação e impressão também está entre as melhores do mercado. No entanto, para publicação custeada pelo autor (linha "novos autores") o valor que eles cobram é muito alto, então não sei se vale a pena fazer com eles, a menos que seja nas linhas custeadas pela editora.
Veja aí, e depois compartilhe sua experiência conosco!

Eduardo Prazeres disse...

Valeu Alexandre.
Vou preencher o formulário, aguardar a análise deles e ver no que é que dá. Estou só terminando de editar o texto, buscando chegar à versão definitiva do meu novo livro. Depois compartilho aqui o resultado.