11 de agosto de 2016

Leitura crítica, agenciamento literário, revisão, editoras, distribuidoras... Conheça mais do mercado editorial!




L
eitura crítica, agenciamento literário, revisão, editoras, distribuidoras, livrarias...
Para quem está começando a escrever, são tantos os papéis e serviços envolvidos na criação, impressão, divulgação e venda de um livro que a confusão é certa.

 Seguindo, então, a sugestão de uma colega, neste post vamos dar uma visão (muito) simplificada de alguns dos profissionais e serviços envolvidos nos processos de criação, divulgação e venda de um livro. Qualquer dúvida, fiquem à vontade para perguntar!
Além destes papéis, há também clubes, associações e agremiações variadas de escritores e de leitores, coaches literários, empresas que promovem ações de storytelling corporativo e muitos outros indivíduos ou grupos que atuam de forma mais ou menos relacionada com o mundo literário; mas espero que o que apresento sejam aqueles papéis mais úteis para o escritor.
Escrever pode ser uma atividade solitária, embora não necessariamente o seja. Produzir um livro é obrigatoriamente um esforço conjunto
  • Leitor Crítico: O leitor crítico é, basicamente, um leitor profissional que vai ler seu texto à procura de problemas que possam atrapalhar sua aceitação pelos editores e leitores. Ele não vai consertar seu texto, e dependendo do leitor a crítica pode ser mais ou menos precisa, indicando pontos específicos a serem ajustados ou falando, de maneira geral, quais os grandes problemas da obra (como, por exemplo, "diálogos pouco convincentes"). A dica é: se você está pagando por este serviço, você tem o direito de entender bem a avaliação realizada; se não entendeu, retorne ao leitor crítico quantas vezes for necessário para que os problemas estejam claros em sua cabeça. Ele é o profissional, portanto ele tem a responsabilidade de gerar uma avaliação que seja útil a você!
  • Copidesque: O serviço de copidesque é um pouco mais "completo" (e, portanto, mais caro) que o realizado pelo leitor crítico: além de detectar problemas, o profissional de copidesque vai efetivamente alterar seu texto, o quanto for necessário, para adequá-lo aos "padrões de mercado" ou da editora. O autor continua sendo somente você, mas o texto pode ser radicalmente transformado neste processo.
  • Revisor:  O trabalho do revisor, usualmente, se resume a corrigir os erros de português de sua obra. Bons revisores vão também sugerir ajustes como diminuir frases muito longas ou tornar mais claros trechos que estejam obscuros, mas o mais comum é que não alterem seu texto neste caso.
  • Diagramador: O diagramador é quem vai pegar seu texto final e formatá-lo adequadamente para o tamanho de página, tamanho de letra, espaçamento entre linhas, tamanho das margens, detalhes nas aberturas de capítulo, ilustrações etc; conforme o livro a ser impresso. A dica aqui é: Um livro bem diagramado é bem mais fácil de ler e tem uma apresentação bem mais profissional; portanto não ache que você consegue fazer este trabalho sozinho. Economizar dinheiro com um diagramador é um dos erros mais comuns quando autopublicando.
  • Ilustrador: Se seu livro é infantil, a ilustração deve completar o texto, não simplesmente
    Saiba mais na Bíblia do Escritor
    repetir o que está sendo escrito. Se é um livro adulto, a ilustração muitas vezes serve meramente para quebrar um pouco a dureza de muitas páginas de texto. Uma dica: As editoras usualmente têm ilustradores cadastrados e que seguem o padrão visual da editora; então, não gaste dinheiro pagando um ilustrador antes de enviar o livro para editoras, pois eles podem simplesmente descartar o trabalho, por melhor que seja.
  • Capista: A capa é o primeiro elemento que chama a atenção do leitor, além de ser um elemento decisivo na compra. As dicas aqui são óbvias: Economizar dinheiro (quando autopublicando) fazendo sua própria capa é um enorme erro, pois o resultado é sempre visivelmente amador. E gastar dinheiro fazendo uma capa antes de enviar às editoras é desperdício de dinheiro.
  • Gráfica: É quem imprime o livro, apenas. Uma gráfica não irá realizar nenhuma das outras atividades desta lista.
  • Editora: Uma vez aprovado seu original, a editora vai realizar vários ou até todos os serviços desta lista, além de registrar na Biblioteca Nacional (sim, você pode registrar antes...), solicitar um ISBN para cada edição, montar a ficha catalográfica e muitos etc.
  • Editor: Dentro da editora, é o profissional responsável por selecionar os livros conforme as linhas editoriais que seja responsável. Este é o cara que você precisa impressionar.
  • Agente Literário: É o profissional que conhece bem o mercado, tem contato com editoras, conhece as leis que regem os direitos autorais, e que irá fazer a ponte entre o autor e a editora, gerindo a lado legal da carreira do autor, e encontrando editoras que desejem publicar seus livros. Ele poderá indicar serviços, por exemplo, de assessoria de comunicação e marketing, mas não está nas suas atribuições normais fazer tais serviços. Uma dica importante: O agente literário usualmente recebe um percentual dos royalties do livro destinados ao autor. Se um agente quiser lhe cobrar uma taxa mensal para lhe representar, ou se garantir que vai conseguir uma editora (ou até uma produtora de filmes...) para seu livro, desconfie muito. E fuja!
  • Assessor de marketing e/ou imprensa: São os responsáveis por procurar espaço para divulgação de seus livros na imprensa, internet e outros locais. Uma dica importante é avaliar a proposta de trabalho e verificar se o assessor tem experiência com divulgação no mundo virtual e como vai fazê-lo; este é um espaço que poucos profissionais têm experiência verdadeira.
  • Distribuidor: Os distribuidores fazem a ponte entre as editoras e as livrarias que não fazem parte de redes. As grandes redes de livrarias, como FNAC, Cultura, Leitura, Saraiva e outras, têm sua própria rede de distribuição.
A regra de ouro é a mesma para todos os serviços: nunca pague nada a ninguém sem antes 1) Conhecer que outros trabalhos foram realizados por aquele profissional e 2) Fazer uma pesquisa de mercado para saber se o preço sendo cobrado é justo.
Infelizmente neste mercado há muitos iniciantes e muitos profissionais que cobram muito acima da média de mercado, então todo cuidado é pouco!

E você, gostaria de completar com alguma informação? Esqueci algum serviço importante? Tem alguma dúvida? Comente e compartilhe com os colegas!

Gostou? este post!

5 comentários:

Tereza Marluce disse...

As dicas são importantes para um escritor iniciante que está buscando caminhos para entrar no mercado,

Fabio disse...

Sucinto e esclarecedor, sempre é bom relembrar que o autor não é o único responsável por uma obra bem feita.

Renata disse...

Olá, Alexandre!
Como sempre, dicas valiosíssimas!
Ficaria muito feliz se você esclarecesse uma dúvida: é comum um agente literário cobrar por uma primeira conversa com o escritor, na qual ele analisará se tem o interesse em representá-lo?

Alexandre Lobão disse...

Oi Renata,
Olha, eu acho BEM estranho este tipo de coisa. Já conversei com um monte de agentes, no Brasil e no exterior, e o mais comum é te cobrarem depois de acertar algum serviço; por exemplo, uma consultoria jurídica para avaliação de um contrato ou uma consultoria de carreira para lhe sugerir rumos a partir do que você colocar como suas pretensões e trabalhos.
Não acho que faça sentido lhe cobrarem apenas para uma primeira conversa, se você nem ao menos conhece o profissional. Afinal, não é só o agente que te escolhe, você também tem que escolher ele!
Qualquer coisa me procure em particular, por email, passando o nome do profissional e as condições que ele colocou, que posso lhe passar algo mais preciso.
[]s

Renata disse...

Alexandre,
Acabo de lhe enviar um email com os pormenores da situação.
Muito obrigada!