22 de fevereiro de 2012

Distribuição e Divulgação para escritores independentes e pequenas editoras - parte 1

R
etornando aos nossos posts "normais", vou hoje falar do primeiro dos "dois Dês", Distribuição e Divulgação, os maiores calos dos escritores.
Escrever é fácil, mas como fazer o livro chegar às livrarias? E, vencendo esta barreira, como fazer com que os leitores se interessem por seu livro, escutem sobre ele e/ou descubram seu livro entre as dezenas ou centenas de milhares de livros da livraria?

Quisera eu ter uma resposta fácil ou pronta para vocês. O fato é que existem muitas respostas, nenhuma delas plenamente satisfatória.
Mas uma das poucas coisas que posso dizer com certeza é: se você não tem dinheiro para investir na distribuição e na divulgação, então vai precisar gastar tempo: Bons resultados estão diretamente associados à quantidade de dinheiro e de tempo que você está disposto a investir.
Quanto à distribuição, o primeiro ponto a definir é o "suporte" de seu livro: seu livro será impresso ou virtual? Estou incluindo aqui os áudio-livros, que podem ser vendidos impressos em CD, ou virtualmente para download.

Se for virtual, a sua distribuição estará diretamente associada à plataforma que você escolher. Se o livro for para Kindle, será vendido pela própria Amazon, fabricante do dispositivo (detalhes em https://kdp.amazon.com/). Se for para iPad, você precisará de um publisher que venda seu livro, como a IndiaNic (detalhes em http://www.indianic.com/publish-books-on-ipad.html) ou a FastPencil . Se for vendido para tablets com Android, ainda assim você precisará de um publisher como a Kobo (detalhes em http://www.kobobooks.com/companyinfo/authorsnpublishers.html) como o ou uma editora comum, como a Siciliano.  Se você lè em inglês, há um interessante artigo de Michael Ashley para o Gizmodo sobre este assunto.
"Não se limite - publique em múltiplos formatos em cada canal!"
Michael Ashley, autor e fundador da FastPencil
A grande vantagem de escolher este suporte é que você provavelmente não gastará nada com a produção, mesmo que opte pela auto-publicação, e o problema da distribuição deixa de existir - você estará atingindo apenas os leitores de livros digitais, é claro, mas esta é uma fatia do mercado que está crescendo assustadoramente, e com a entrada da Amazon no Brasil com um Kindle com custo provável abaixo de 200 reais, a tendência é que cresça ainda mais rápido. Em compensação,
 o problema da divulgação aumenta muito - afinal, ao invés de competir com algumas dezenas de milhares de livros em uma livraria, você irá competir com milhões de livros na internet, desde os clássicos até os milhares de livros criados todo mês por aspirantes e curiosos - muitos deles de baixíssima qualidade.

Se você decidiu pelo livro físico, a próxima decisão é: seu livro será distribuído localmente ou nacionalmente? A tendência de todos é querer uma distribuição nacional, mas uma distribuição local pode ser até mais lucrativa, dependendo de seu perfil e de suas metas como escritor. 

O que vocês precisam saber é que a distribuição de livros é realizada basicamente de duas formas: por distribuidores (como a Boa Viagem, de BH, ou a Arco-Íris, de Brasília), que enviam os livros às pequenas livrarias, ou diretamente pelas livrarias, no caso das grandes redes de livrarias (como a Cultura, Leitura ou Saraiva). Alguns destes distribuidores e redes de livrarias aceitam negociar com autores independentes, e usualmente cobram entre 60% e 70% de "desconto", que é como chamam a parcela que lhes caberá do preço de capa.  Se você for um autor independente, sobra 30% para você, mas se uma editora custeou a edição o valor usual de seus royalties gira em torno de 10%.  Caso você consiga negociar com um distribuidor ou uma rede de livrarias, ainda assim isso não é garantia de que seu livro estará nas livrarias.  Normalmente, as livrarias recebem os livros que pedem, e eventualmente alguns "lançamentos" (onde seu livro vai se enquadrar).  Neste caso, elas tentam vender o livro por um período de alguns meses (três meses é o comum nas grandes redes); se o livro não vender o suficiente, ele simplesmente é retornado à central, ou ao distribuidor, para dar espaço aos novos lançamentos.  É aí que entra a divulgação: você precisa vender os livros que chegam às livrarias em pouco tempo, ou eles simplesmente não estarão mais lá (embora continuem nos catálogos e nos sites das livrarias) quando o leitor for procurá-los. Mas isso é assunto para o próximo post!
E existem alternativas para fugir da ditadura (e dos altos percentuais de desconto...) das distribuidoras e grandes redes de livrarias?
  • Criar um site onde os leitores possam comprar diretamente seu livro - como fez o Leonardo Born para seu livro "O Enigma da Bíblia"
  • Distribuir você mesmo os livros de livraria em livraria em sua cidade - como fez o André Vianco, que começou realizando ele mesmo a distribuição de seus livros nas livrarias de São Paulo, até que a Novo Século se interessou por seu trabalho e sua carreira decolou.
  • Vender de porta em porta - Sério! A venda de porta em porta já representa quase 22% do mercado livreiro nacional (fonte: Folha de SP). Ou, quem sabe, fazer parcerias com a Associação Brasileira de Difusão do Livro para aproveitar uma fatia deste mercado, com a ajuda de quem já tem 25 anos de experiência no assunto.
  • Use sua imaginação - e compartilhe suas ideias nos comentários!
A vantagem destas abordagens alternativas é que como você ai negociar diretamente com quem vende ou mesmo com quem compra seus livros, a sua margem de lucro pode ser bem acima dos parcos 10% usuais do mercado editorial.  É aí que autores que tem um perfil mais, digamos, empreendedor, decidem pela distribuição apenas local, conseguem vender alguns milhares de cópias e ganhar um bom dinheiro.  Apenas como ilustração, conheço um escritor que vendeu livros suficientes, apenas em Brasília, para abrir sua própria livraria. 

Muita informação?  Então se segure, pois como já adiantei, a distribuição não é nada se não tivermos uma divulgação adequada!
Esteja aqui na semana que vem, quando falarei sobre isso!



ATENÇÃO! 
Estão abertas as inscrições para o II Workshop de Escrita de Ficção, oferecido por Alexandre Lobão e Oswaldo Pullen. Vagas limitadas - corra e inscreva-se já no site do evento!
  Gostou?  este post!



13 comentários:

Ronperlim disse...

Lendo seu post, lembrei-me da dificuldade que tive de vender minha primeira edição independente. Mesmo assim consegui vender todos, através de um bom diálogo; expondo a importância dos livros para a vida das pessoas.

A divulgação é importantíssima e não importa o meio. Mas o maior problema desse comércio é o hábito da leitura e o hábito de se comprar livros.

Valeu pelo post.

Até mais!

fabiano disse...

Muito legais as dicas... Realmente escrever é legal e dá prazer, o difícil e desafiante ganhar dinheiro.

lucaS chagaS disse...

Olá Alexandre. Muito boas as dicas. Pretendo publicar meu primeiro livro esse ano, e sei bem que vou ter que participar diretamente da divulgação dele.
Espero a parte II.
Obrigado, e parabéns pelo site.

Alexandre Lobão disse...

Caros Ronperlim, Fabiano e Lucas,
Obrigado pelos comentários. Há muito mais a aprofundar sobre este assunto (por exemplo, na questão da venda de porta-em-porta que já é expressiva em todo o Brasil), então quando puderem contem suas experiências pessoais!
[]s!

Extras Linhas disse...

Gosto muito das suas dicas e principalmente da gentileza em partilhar com todos informaçõe simportantes para todos que desejam aventurar-se no mundo da literatura.
Gostaria de saber a sua possição sobre a questão de publicar o Livro por uma editora não conhecida e sem um selo especifico para títulos infantis ou permitir que a publicação seja feita por uma editora de porte médio que já possui algumas publicações neste seguimento. O fato é que os gastos triplicam. Seria válido arriscar. Pois este é seria a minha primeira publicação

Alexandre Lobão disse...

Oi Ennis,
Pergunta difícil, a sua. Eu levaria em consideração duas coisas: o quanto quero me tornar um escritor profissional, que vive de escrever, e o quanto posso dispor de dinheiro.
SE o valor a pagar à editora de médio porte não for falir você, acredito que valha o investimento. Mas antes, confira se ela tem distribuição nacional ou pelo menos para algumas regiões, e cmo será o esquema de distribuição de seu livro.
Só vale a pena pagar mais se efetivamente seu livro for chegar a mais pessoas.
Lembre-se, também, que o dinheiro "economizado" caso você escolha a editora menor pode (DEVE) ser usado na divulgação do seu livro - desde que, obviamente, as pessoas que ouvirem falar de seu livro consigam encontrá-lo em algum lugar para comprar.
Cada caso é um caso, sempre, então infelizmente não há uma "resposta certa". Boa sorte, e depois conte como foi! :)

Extras Linhas disse...

Caro Alexandre

Graça e Paz!

Vou avaliar o fator de distribuição e divulgação, vou procurar me informar melhor sobre este detalhe. Por outro lado vou entrar em contato com livrarias da minha região (Manaus) sobre a possibilidade divulgação.

Alexandre Lobão disse...

É por aí mesmo, Ennis.
É cansativo, é trabalhoso, mas o autor que quer ver seu trabalho sendo lido precisa botar o pé na rua e os dedos no teclado e correr atrás disso - até porque se ele não o fizer, ninguém mais o fará!

Anônimo disse...

vou dar minha opinião, também. Posso? É sempre bom trocar ideias e opiniões, aumentando o debate. Atualmente não vivo exclusivamente de escrever livros, pois tenho outras atividades profissionais, e escrever tornou-se para mim apenas hobby, catarse e obsessão.Aliás, nem sei se tenho esse talento todo que meu ego faminto diz ter, mas escrever é divertido e isso me basta. Mas tenho um amigo que vive exclusivamente de escrever livros, a maioria infanto-juvenis e infantis.Sempre viveu de escrever. Ele também dá palestras em escolas particulares.Os livros dele são publicados por editoras comerciais, isto é, elas pagam pelo que ele escreve. Só que tem um porém, ele tem que escrever dia e noite, é um trabalho duro, trabalha como um mouro. Sem contar que essas editoras atrasam o pagamento, ou o fazem de seis em seis meses, e os livros, publicados e bem distribuídos, não garantem que sejam campeões em vendas.Na verdade contou-me ele que a maioria não tiveram grandes vendas, pelo menos segundo o que diz os editores dele. Pode ser uma jogada dos editores, ocultando essa prestação de contas , para explorar o autor, sabe-se lá!Mas ele me disse que vive de escrever sim, mas são as palestras que lhe dão uma grana razoável porque seus livros são bem aceitos em escolas, já que tidos como "politicamente corretos" sem ser chatos...
Quanto a vender o livro, acho que enviar a uma lista de e-mails ou contatos, quando o autor publica por conta própria pode ser uma boa opção para vender, principalmente se a tiragem for baixa, tipo uns 100 exemplares.Mas o e-mail enviado tem que ser bem feito e escrito e se tiver um site do livro melhor ainda.Bom também ter uma versão para vender livros em formato kindle e tablet.

Alexandre Lobão disse...

Obrigado pela contribuição, "anônimo" (assine na próxima vez! :) )

Hoje vivo uma realidade parecida com a de seu amigo: ganho algum dinheiro com royalties, mas a maior parte de meu rendimento como autor, que ainda não é muito, vem de palestras e oficinas que apresento; algumas que eu mesmo organizo, outras para as quais sou convidado; além do pagamento de cachê para ser jurado com concursos literários.

É isso aí, para cometer um pecado mortal para qualquer escritor e utilizar um clichê batido, a vida de escritor é como rapadura: é doce, mas não é mole não! ;)

Wanderson Sabino disse...

Olá, muito bom post! Realmente existe certa dificuldade para os escritores independentes. É preciso muito trabalho e criatividade para vender cada exemplar.
Abraços,
wandersonsabino.blogspot.com.br

Marroquino disse...

Gente das letras...obrigado pelas dicas. Lancei minha "Semente" na data que eu queria e agora inicio a divulgação. Ainda estou perdido para fazer meu trabalho conhecido. Optei pela ficção numa mistura com ativismo humanitário e reverter parte da venda do livro a uma causa pouco conhecida tb. Isso acaba restringindo um pouco a forma de negocio e sumenta s criatividade para se chegar ao público alvo. Se tiver sugestões sobre segmentação, agradeço...grande abraço e parabéns pela dedicação e ideias para nós, iniciantes...rrrsss

Alexandre Lobão disse...

Oi Marroquino,

Acho que este assunto merece um novo post, com informações atualizadas e algumas dicas de como divulgar seu trabalho usando a internet.
Basicamente, não sei se já falei isso aqui, a equação é simples: Quanto mais tempo e dinheiro você tiver para divulgar, mais leitores. Sem dinheiro (a situação de quase todos escritores...), resta fazer um plano para divulgar seu trabalho o FaceBook, Twitter, Skoob e outros locais,e dedicar MUITO TEMPO para compensar a falta de dinheiro.
O que é muito tempo?
Se você conseguir fazer um bom plano de comunicação e dedicar (apenas) uma hora todos os dias, você quase com certeza vai atingir seu público alvo ao fim de alguns meses.
O problema é que poucos tem a energia, a paciência e a persistência para fazer isso!
[]s e boa sorte - e divulgue suas conclusões aqui! :)