9 de novembro de 2012

Por que os escritores escrevem? (ou "qual é a recompensa do escritor?")

Pergunte a dez escritores porque eles escrevem, e muito provavelmente você ouvirá dez respostas diferentes.
Não vou entrar no mérito de todas as respostas, mas não posso deixar de falar sobre a pior delas: "para ganhar dinheiro". Curiosamente, conheço  muitos escritores e nunca ouvi esta resposta de um escritor que já tenha realmente ganhado algum dinheiro com seus livros...
Vou confessar o que me move ao fim deste post, mas antes gostaria de falar sobre as recompensas.
Até porque, se o objetivo é o que faz com que você comece a escrever, as recompensas é que o mantém motivado.
Se eu precisar escolher os três momentos mais emocionantes, mais recompensadores da minha carreira como escritor, eles seriam:
1. Em 2000, o momento em que tive meu primeiro livro em mãos.  Sempre costumo dizer que este é um momento mágico para um escritor, quando ele percebe que é um escritor de verdade.
“Uns escrevem para salvar a humanidade ou incitar lutas de classes, outros para se perpetuar nos manuais de literatura ou conquistar posições e honrarias.  Os melhores são os que escrevem pelo prazer de escrever"
Lêdo Ivo
2. Em 2008, a tarde de autógrafos de "O Nome da Águia" na Bienal de SP, quando o pai de um adolescente disse-me que seu filho praticamente o obrigou a dirigir quase 300 quilômtros para que ele pudesse conseguir meu autógrafo no livro que havia adorado.

3. Em 2012, nesta semana, no Café Literário do CEFA, Centro de Ensino em Arapoanga. Alunos e professores leram e trabalharam vários de meus livros durante o ano e, além de preencherem todos os corredores da escola com redações, estudos, desenhos, quadros e poesias baseadas em meus livros, ainda apresentaram peças de teatro e outras atividades focadas em minhas obras.  Vejam algumas fotos em meus álbuns públicos, e se eu pareço sério em várias delas, confesso: é porque chorei quando os alunos representaram o último capítulo de O Nome da Águia, que sempre mexeu comigo.

Antes de falar porque escrevo, gostaria de divulgar meu mais novo artigo na revista "Conhecimento Prático - Literatura.  No número 45 da revista, saiu o artigo: "Tecnologia e Futurologia nas Histórias em Quadrinhos", onde faço algumas digressões sobre as "previsões de futuro" nas histórias em quadrinhos, onde a tecnologia parece estar sempre à frente da de nosso mundo.
Ah! E se você ainda é um daqueles que torcem o nariz quando se fala em quadrinhos, me desculpe, mas você está um pouco desatualizado: quadrinhos são coisa séria, no mínimo, desde 1992, quando Art Spiegelman ganhou um prêmios Pulitzer com sua Graphic Novel "Maus", retratando a história de judeus que lutam para sobreviver durante o holocausto nazista.

Para concluir e cumprir a promessa: Porque eu escrevo?
Gostaria de dar uma resposta elegante e informativa como a de Lêdo Ivo, mas não posso me furtar à verdade: escrevo porque não sei viver sem escrever.
E você? Escreve porque?


Gostou?  este post!


16 comentários:

Emanuel disse...

Oi Alexandre. Compartilho da sua emoção quando peguei meu primeiro livro. Ali, bonitinho, impresso, chegando às minhas mãos como chegou às mãos dos leitores. Era parte de mim à parte de mim.
Eu não sei por que escrevo. Na verdade, sou muito cético em relação à escrita. Como eu escrevo nã-ficção, enquanto houverem diálogos acho que estou no caminho certo... e continuo escrevendo.
Forte abraço!

ÁLVARO O BARDO disse...

Adoro criar mundos e escrever histórias é o meu ar e o ato de criar nos aproxima de Deus!

Pedro Augusto disse...

Hoje escrevo porque me ajuda a conhecer mais de mim mesmo, meus poemas possuem um caráter quase de psicólogo.

Ananda Santos disse...

Esse post mexeu comigo, especialmente numa época como agora em que meu ego está "machucadinho" e enfrento grandes decisões.
Os momentos importantes da sua carreira que você citou são exemplos de momentos que um dia eu gostaria de viver. Ser reconhecida, não importa em qual escala, pelo meu trabalho é minha maior motivação em continuar escrevendo.
Imagino que deve ter faltado espaço no peito nessas horas mesmo, saber que tudo valeu a pena :)
Fiz uma escolha ruim e fracassei (já assumo o fracasso ainda no começo do mês) no NaNoWriMo, mas mantenho a proposta de terminar meu conto até o fim do mês, e esse post me ajudou a lembrar porque mesmo tropeçando nas coisas desse jeito eu ainda deixo o Word aberto no notebook pra que ele seja a primeira coisa que eu vejo quando o abro... :)
Obrigada por mais um post incrível!

Thais Campos disse...

Porque tem uma história dentro de mim que precisa sair e que se não sair irá pipocar por todos os lados em forma de ataques alérgicos.

lucas luciano disse...

Escrevo pois escrever me faz vivo, escrevo por que é onde posso expressar tudo que penso e que muitas vezes não falo... Escrevo pois é uma forma que sinto que posso mudar o mundo que não conseguiria mudar com força bruta... Escrevo para mostrar que os adolescentes, as crianças de seus 14 anos, como eu... Também podem fazer algo importante... Escrevo por que escrever é minha terapia, escrever é minha força, é o que eu sei fazer de melhor, é o que eu amo e é o que eu preciso fazer... Escrevo por que Escrevo, por que sinto prazer em escrever...

Alexandre Lobão disse...

Oi Emanuel,
O grande lance é continuar escrevendo, mesmo sendo cético! :)
Valeu!

Alexandre Lobão disse...

Oi Álvaro,
Concordo 100% com você. Quem escreve por amor, quando fica muito tempo sem escrever, se sente agoniado, sem ar, vazio!
[]s

Alexandre Lobão disse...

Oi Pedro,
Escrever é SEMPRE uma catarse. Costumo dizer que toda ficção é auto-biográfica; assim como toda biografia tem muito de ficção!
[]s

Alexandre Lobão disse...

Oi Ananda,
Nem entrei no NaNoWriMo porque sabia que não ia conseguir, já que trabalho 8 horas por dia... O lance para não desanimar é definir metas ousadas mas possíveis!
E não desista, pois o reconhecimento é esporádico, mas sempre aparece para quem persiste!
[]s!

Alexandre Lobão disse...

Oi Thais!
Boa contribuição! :)
Não chego a ter ataques alérgicos, mas com certeza tenho ataques de ansiedade quando não escrevo!
[]s!

Alexandre Lobão disse...

Oi Lucas,
Meu primeiro livro "solo" (já tinha participado de algumas coletâneas) saiu em 2000, quando eu tinha 31 anos: o "Caixa de Pandora e outras histórias", um livro de contos.
Vale dizer que entre os contos que selecionei para o livro havia um que escrevi aos 14 anos; então assino embaixo em tudo o que você disse.
Detalhe: ganhei experiência, mas minha cabeça, meus valores e as coisas de que realmente gosto mudaram bem pouco dos 14 aos 43!
[]s!

Pat Kovacs disse...

Olá!
Venho aqui exclusivamente para te convidar para participar do sorteio que estarei realizando juntamente com o blog Daily of Books, em comemoração ao 1º aninho desse super blog que é um grande parceiro dos novo autores nacionais.
O sorteio acontecerá dia 15 de dezembro e valerá meu livro "Raptores 2" e os ebooks "Tempo Paralelo" e "Romances em Fragmentos" - tá muito fácil de concorrer ^^
Acesse: http://patkovacs.blogspot.com.br/2012/11/promo-1-ano-do-blog-daily-of-books.html
E boa sorte \o/

Fernanda Coelho disse...

Oi Alexandre, tudo bem?
Essa coisa dos porquês é realmente difícil. Acho que uma boa parte das pessoas que escreve o faz por não ver outra maneira de ser. Esse é o meu caso. As palavras começam a se sacudir, vão virando pensamentos repetitivos e geram uma angústia que só passa quando as letras tomam forma de texto.
Escrevo também pra deixar algo que minhas filhas possam ver depois. É como se eu pudesse fotografar pequenos ângulos de minha alma e deixar pra elas. Escrevo porque gosto, porque preciso, porque é uma forma de viver, entre outras coisas.
As palavras é que me acharam, não o contrário.
Tenho pensado a esse respeito e há lá no blog algumas reflexões nesse sentido. Uma delas está nesse texto aqui ó: http://aencantadoradepalavras.blogspot.com.br/2011/11/escrever-deus-do-ceu-eu-faco-isso.html
Beijo grande
Fê Coelho

Alexandre Lobão disse...

Valeu pelo convite, Pat!
[]s!

Alexandre Lobão disse...

Oi Fernanda,
Obrigado pela contribuição, acho que tenho muito disso que você falou em mim, também. Inclusive escrevi um livro só sobre isso: "Amar é Simples e Necessário", ainda não publicado; onde eu falo muito sobre o que se passa em minha alma e tudo o que aprendi com as agruras da vida, em especial quando achei (sinceramente!) que ia morrer duas vezes no mesmo ano, em 2001.
Valeu, Abração!