1 de novembro de 2012

A Coisa mais Importante (para um Escritor) - Parte 2

If you can't read Portuguese, check out Wendy Lawton's original post here: The most important thing.

E
stamos de volta com a segunda parte do post "A coisa mais importante (para um escritor)", com os comentários da agente literária americana Wendy Lawton.
O artigo original pode ser consultado em http://www.booksandsuch.biz/blog/the-most-important-thing, e foi traduzido com a autorização da autora.  Se você lê inglês, sugiro que leia os comentários do post original, que completam o artigo maravilhosamente.
Com vocês, "A Coisa Mais Importante" segundo Wendy Lawton!

Estou de voltaaaa!  
Primeiro deixem-me dizer que, se vocês querem sabedoria de verdade, leiam os comentários abaixo (do artigo original e daqui). Faça uma lista a partir destes comentários e então você terá um plano sólido para o sucesso. Especialmente todos aqueles que lembraram do elemento invisível – a parte divina do que fazemos. Recentemente cheguei à conclusão que não há coisa mais verdadeira que isso.
Também há aqueles de vocês que falaram sobre perseverança e flexibilidade. Beth Szabo sumarizou lindamente este ponto: “Tenha uma pele grossa, não desista de seu sonho, aprenda as regras, então aprenda como quebrá-las para apresentar uma voz inovadora, seja flexível sem abandonar o que você é”.  
Depois de ler todas suas sábias e maravilhosas opiniões, eu sinto que a minha é muito prosaica, muito focada no mercado. Eu gostaria de dar todo tipo de desculpas mas vou evitar isso porque minha opinião não é menos verdadeira.  
Aqui está o que eu observei como a coisa que diferencia aqueles que são super bem sucedidos: Estes escritores forjaram um espaço único para eles na indústria. Eles dominam seu espaço e ninguém faz melhor o que eles fazem.
Os escritores mais bem sucedidos são aqueles que conseguiram forjar um espaço único para si na indústria literária"
Wendy Lawton, escritora e agente literária
 Para não-ficção, são as pessoas que se tornaram “a voz de [qualquer coisa]” ou “quem consultar a respeito de [qualquer coisa]”.
Para ficção são aqueles com uma combinação única de voz e assunto ou época ou categoria.  
É difícil de explicar mas eu com certeza identifico isso. Estes são escritores que nunca falharam em dar aos seus leitores o livro que eles querem. Estes são os escritores que fizeram crescer a sua base de leitores a cada livro lançado por conta da excitação promovida no boca-a-boca por estes leitores.  
Analisando meus clientes mais bem sucedidos (e estes são apenas poucos de um grupo maior), cada um tem seu próprio nicho. Lauraine Snelling domina o espaço de inspiradoras sagas de família de imigrantes Escandinavos.  Julie Klassen domina sagas de famílias reais. Debbie Macomber tem sua narca registrada em ficção emotiva para mulheres. Ann Gabhart domina um subconjunto de ficção Amish (Shaker) enquanto Judy Miller domina um outro (Amana).  Jill Eileen Smith  ressuscitou a ficção Bíblica na CBA (a associação americana que gerencia vendas no varejo de produtos católicos) e continua a ganhar leitores. Seus leitores os amam e sabem exatamente que tipo de leitura esperar deles.
Na área de não-ficção Pam Stenzel é a referência obrigatória em se tratando de problemas de adolescentes e aquela que sempre é chamada para programas de entrevistas quando o assunto surge.  

O que isso significa para quem já publicou um livro?
Se você ainda está na fase exploratória, não apresse as coisas, mas entenda que para ter sucesso você eventualmente vai ter que escolher sua área predileta, por assim dizer. Não há como escrever para diversos públicos e construir o tipo de base de leitores que vai levá-lo até o topo.

Sobre a autora: Wendy Lawton é uma agente na muito respeitada agência literária Books & Such. Ela representa alguns dos melhores escritores da indústria americana, incluíndo vários autores líderes em vendas. Wendy saboreia todos os aspectos de seu trabalho - especialmente ajudar os clientes dela a desenvolverem suas ideias e planejar suas carreiras. Ela ajudou a organizar várias grandes conferências para escritores, venceu a famosa competição Bulwer-Lytton e é autora de treze livros.

E quanto à minha opinião?
Este artigo, para mim, foi um dos mais esclarecedores dos últimos tempos. Não que Wendy tenha falado alguma coisa que eu já não soubesse, mas explicitar o assunto, e ainda mais, considerá-lo "a coisa mais importante" fez com que eu realmente revisasse toda minha carreira até agora. 
Digo isso pois senti-me totalmente enquadrado na "fase exploratória" que ela menciona: após publicar meu primeiro livro (de contos), escrevi cinco livros sobre programação de jogos para o mercado americano (o último foi traduzido para o português), depois retornei ao mercado brasileiro e publiquei um livro infantil, um infanto-juvenil e o thriller de ação com alta pesquisa histórica "O Nome da Águia". Nesta brincadeira de escrever para públicos diferentes, ficou bem claro para mim que não consegui criar um público leitor tão grande eu gostaria.
Um exemplo bem claro de autor nacional que criou um nicho para si é o André Vianco, que escreve histórias de terror e suspense, tendo vários livros com vampiros. Reforçando as palavras da Wendy, os livros do André que vendem mais são justamente os que têm vampiros, pois "entregam ao leitor o que ele espera".
Obviamente, por enquanto há muito mais "nichos" no mercado americano - basta ver pelos exemplos da Wendy, que incluem autores que fazem sucesso escrevendo ficção sobre um subgrupo específico dos Amish (um braço tradicionalista cristão nos Estados Unidos).
Mas isso não invalida o ponto: estabelecer-se em seu nicho ainda é um fator crucial de sucesso também no mercado brasileiro.

E você, já sabe qual seu nicho? Concorda com a opinião da Wendy?

Em tempo:  O site Submarino está com uma hiper-oferta de "O Nome da Águia", o livro está por um terço do preço, estou chocado!

Gostou?  este post!

5 comentários:

Luiz Cézar disse...

De fato, Alexandre.
Este artigo foi realmente esclarecedor para mim que, como escritor independente, autor de livro-blogs como o Cruz de Fogo (http://acruzdefogo.blogspot.com.br), no fundo, já tinha uma idéia a esse respeito, mas foi muito bom ver outra pessoa falando a mesma coisa.
Abraço.

Alexandre Lobão disse...

É, Luiz César, o grande lance de trocar experiências com outros escritores é esse: por vezes, um olhar diferente sobre algo que já temos noção nos ajuda a entender melhor a questão, e redefinir os rumos de nossa carreira!
[]s!

Carlos Alexandre Silva disse...

Com certeza! Ainda estou na página dezessete de um que estou tentando escrever e sempre tive medo de ter que "congelar" minha criatividade seguindo uma sequencia pre-determinada. Serviu para eu notar que era inocente e imatura essa visão. Pretendo realmente estudar e colocar categoricamente meus personagens e imagens. Meus escritores favoritos são: J.R.TOLKIEN, HAROLD HOBBINS, FIOR DOSTOIÉVSKI e alguns outros. Abraços

Carlos Alexandre Silva disse...

Realmente esclarecedora essa análise sobre a maneira de escrever. Achava que não devia seguir uma sequencia "congelada", mas percebi que isso era imaturidade e inocencia.

Vou procurar me interar sobre essa área melhor, pois tenho um livro que está na pág. 17 e quero dar continuidade. Tenho algumas publicações em livros de poesia mas gosta da prosa em si.

Abraços e obrigado pelas dicas

Alexandre Lobão disse...

Oi Carlos Alexandre,
O importante, a meu ver, é o escritor conhecer as diversas técnicas e ferramentas que podem ajudá-lo a organizar suas ideias; e a partir daí escolher a que achar mais produtiva. O que não dá (como você emsmo falou) é sair escrevendo sem técnica nenhuma e, ainda por cima, achar que qualquer técnica pode "atrapalhar sua arte". Todo artista tem como se aperfeiçoar, e o escritor não é diferente.
Obrigado pela contribuição, e qualquer coisa, estou à disposição!