4 de fevereiro de 2013

O que torna um personagem inesquecível?


D
entre os posts mais acessados aqui no Vida de Escritor sempre aparecem aqueles em que falo sobre personagens, mas o assunto é tão amplo – desde a escolha de nomes até os diálogos, passando sobre qual a melhor forma de apresentar um personagem e como (ou se) descrevê-lo.  Vamos então dedicar não apenas um, mas dois posts ao assunto!
Antes, no entanto, vamos conhecer as mais recentes contribuições de escritores para a série "7 coisas que aprendi".

Em uma iniciativa conjunta* entre os blogs Escriba Encapuzado e Vida de Escritor, T.K. Pereira e Alexandre Lobão convidam escritores para compartilharem suas experiências com os colegas de profissão, destacando sete coisas que aprenderam até hoje. 

Não interessa se você é iniciante ou veterano, se escreve poesias, contos, romances ou biografias, envie sua contribuição para esta série de artigos!

Nesta última semana o blog do Escriba Encapuzado publicou dois novos artigos da série!  Então, visitem agora o Escriba Encapuzado para saber quais as 7 coisas que aprenderam:
* Projeto inspirado pela coluna “7 Things I’ve Learned So Far”, da revista Writer’s Digest.
Veja a opinião de outros autores no  Vida de Escritor e no Escriba Encapuzado.

Voltando, então, ao assunto "personagens".
Bem, como quase tudo no mundo da literatura (ou, me arrisco a dizer, no mundo real), não há uma resposta certa sobre como criar personagens inesquecíveis – há várias.
Desta forma, resolvi então pinçar alguns pontos que a meu ver são cruciais para dar autenticidade aos seus personagens, e abrir a questão a vocês: enquanto leem, vão pensando: o que torna um personagem inesquecível?
''Um personagem realmente bom é como um amigo distante de quem recebemos notícias. Sofremos quando as notícias são ruins, exultamos quando são boas, e torcemos continuamente pelo seu sucesso.''
Despertar a empatia do leitor – Para mim, este é o ponto mais importante: se o leitor não se interessar pelo destino do personagem, por melhor que seja a trama a história não convence. O protagonista pode ser “do mal”, como um assassino serial? Pode ser uma pessoa completamente comum, com uma vida chata? TUDO pode, desde que cative o leitor, desde que o leitor queira saber como o personagem irá resolver seus dramas pessoais, como ele irá atingir suas metas.
Permitir a identificação com o leitor – Todo personagem deve ter algo que o leitor consiga enxergar em si, alguma qualidade que seja admirável. Um personagem que seja mau e sem caráter precisa ter, por exemplo, uma grande capacidade de raciocínio, ou quem sabe um conflito interior que o faça constantemente questionar o que faz e lutar para vencer seus vícios e defeitos, quaisquer que sejam.
Ter credibilidade – O leitor precisa acreditar que o personagem poderia ser um ser humano real. Para isso, suas escolhas precisam ser coerentes, ele não pode ser grosseiro o tempo todo, e de repente tomar uma atitude muito gentil, sem nenhuma justificativa; ou quem sabe ser um personagem que nunca teve educação formal e usar palavras sofisticadas e mostrar conhecimento avançado sobre algum ponto. Obviamente, havendo justificativa crível, tudo vale. Mas o mais importante é que não haja contradições que saltem aos olhos do leitor.
Ter autenticidade – O leitor precisa acreditar que o personagem realmente é quem ele diz ser. Para isso, é essencial que o autor conheça o assunto sobre o que escreve. Assim, se o personagem é um advogado ou um médico, são os pequenos gestos inconscientes, o uso de jargões na linguagem e outras pequenas idiossincrasias comuns a profissionais destas profissões que farão com que o leitor acredite no personagem. Se você não tem experiência de vida para escrever sobre um personagem que é surfista, por exemplo, que tal passar umas férias na praia e conhecer as gírias e o jeito de agir deste grupo?
Não ser perfeito – Perfeição é chata! O leitor não quer ver um personagem que seja bonito, tenha dinheiro, seja inteligente, simpático, divertido, forte, que vença todas as lutas ou supere todos os desafios sem dificuldade nenhuma. Todo super-homem precisa ter um lado Clark Kent! Inclua dúvidas existenciais, dificuldades físicas, traumas de infância, qualquer coisa que quebre a perfeição de seu protagonista e, com certeza, seus leitores gostarão muito mais dele!
E talvez a dica mais importante: para que todos estes pontos aconteçam naturalmente, é necessário deixar seu personagem criar vida, e uma vez que ele o faça, deixe-o conduzir sua história.
O segredo aqui é que TODO personagem “cria vida” depois de certo tempo, e a partir daí as reações e falas do personagens soam naturais, a história ‘se escreve sozinha’. Conforme minha experiência, isso ocorre quando o personagem passa a ser uma pessoa real em nossa mente; e isso só ocorre depois de “convivermos” com ele por mais tempo - normalmente, após pelo menos 50 páginas escritas...
Podemos encurtar este tempo e ganhar qualidade no primeiro tratamento da história trabalhando mais fortemente na etapa de detalhamento dos personagens, sendo que o objetivo é chegar a um ponto em que possamos responder a questões sobre o personagem tão facilmente quanto responderíamos a questões sobre nós ou sobre nossos parentes e amigos mais íntimos. O assunto merece mais detalhe, então deixemos para falar mais sobre isso no próximo post!

Por hora, quero ouvir de vocês: O que, de seu ponto de vista, faz com que um personagem seja inesquecível?

Mais dúvidas? Deixe seu comentário e seja mais um labutando nesta Vida de Escritor!

Gostou?  este post!

8 comentários:

Brenno Itajahy disse...

Um personagem se torna inesquecível, para mim, quando me identifico com seus. problemas e suas crises e quando, de algum jeito, me sinto aflito por elas, como de fosse eu no lugar dessas personagens

Brenno Itajahy disse...

Parabéns pelo blog e pelas dicas. Achei as suas dicas super valiosas para mim, que sou mega iniciante. Muito obrigado!

Alexandre Lobão disse...

Valeu, Brenno!
E se quiser mais detalhes sobre qualquer ponto, é só falar!

[]s

Kr.insano disse...

Olá, estou escrevendo um livro, e na verdade eu tinha terminado ele. Só que eu perdi quase todos os capítulos, consegui recuperar apenas 7 e voltei a reescrever o projeto. Agora, tô com 11 capítulos prontos, bastando apenas a revisão. Minhas perguntas são:

1 - Rescrever uma história (no meu caso que perdi quase tudo) tem um ponto positivo? Se sim, quais?

2 - Quais pontos devo prestar mais atenção na hora da revisão?

É isso amigo. E queria saber se você poderia dar uma lida no 1º capitulo do meu projeto... gostaria muito de saber sua opinião.

obrigado ! ^^

Alexandre Lobão disse...

Oi "Kr.insano",
Com certeza reescrever uma história tem um ponto positivo: o resultado vai com certeza ser melhor na segunda vez que na primeira. Toda vez que terminamos um livro ou um conto nós aprendemos com isso, e não é raro olharmos para trás e pensarmos: se eu tivesse que fazer de novo, faria diferente e ficaria bem melhor. Sei que precisar refazer todo um livro é frustante, mas posso garantir que o resultado é um livro melhor!
Quanto aos pontos de revisão... São TANTOS que vou deixar isso para um próximo post, daqui a uma semana ou duas, ok?

Ah, envie-me o primeiro capítulo que dou uma olhada e te respondo em particular: contato @ alexandreLobao . com.

[]s

Kr.insano disse...

Que atencioso, pode deixar que mandarei sim! Obrigado, e vou aguardar pelo seu post hehe!

Anônimo disse...

oi Meu nome é Cesar queria dizer primeiro que gosto demais desse blog não faz ideia do quanto gosto de suas dicas. Bem gostaria de pedir dicas para criar personagens femininos como homem sinto dificuldade para criar personagens do sexo oposto.

Alexandre Lobão disse...

Oi Cesar,
Infelizmente não há resposta mágica ou fácil: para criar personagens femininos, é necessário observar vários modelos (mulheres dentro do perfil do personagem), fazer anotações, experimentar, tentar, errar e acertar. Uma outra boa ideia é ler livros escritos por mulheres, com personagens femininos, prestando atenção nos detalhes que elas incluíram em seus personagens.

E boa sorte! :)