26 de janeiro de 2011

Como encontrar uma editora para seu livro, parte 2


onforme o prometido, este é o segundo e último post sobre dicas para chegar a editoras.
Neste post, a idéia é simplesmente detalhar a "carta de apresentação" de um original para uma editora, ou melhor, mostrar um exemplo particular do que é o meu "estado da arte" em cartas de apresentação, compilado a partir de alguns modelos usados no Brasil e exterior e observações colhidas aqui e ali.
Antes do exemplo, apenas um detalhe: algumas editoras têm seus próprios "formulários" para submissão de originais; sempre se informe se é este o caso antes de enviar uma carta fora do padrão esperado por eles! "Não se deve julgar um livro por sua capa... Mas não se esqueça de que é a capa o que primeiro atrai os leitores que não o conhecem!"
 Vamos ao exemplo, no caso, a carta de apresentação de meu novo romance, "As Incríveis Memórias de Samael Duncan", em fase final de revisão:

PROPOSTA EDITORIAL

 Título da obra

As Incríveis Memórias de Samael Duncan

O livro em uma palavra

“Fábula”

Premissa do livro em 33 palavras

Ao sentir a morte se aproximar, senhor de 130 anos decide escrever suas memórias – mas suas pesquisas revelam segredos que o levam a questionar: Teria ele baseado toda sua vida em uma mentira?

 Autor

Alexandre Santos Lobão – mais detalhes ao fim desta proposta
E-mail:  contato@AlexandreLobao.com       -  Site:  WWW.AlexandreLobao.com  

Apresentação

“As incríveis memórias de Samael Duncan” é, na falta de definição melhor, uma fábula, uma narrativa leve e agradável com elementos por vezes quase míticos, mas sempre envolvendo aprendizado e emoção. Envolve momentos de “fluxo de consciência” e diversos flashbacks à medida que o personagem principal relembra seu passado, sempre associado a algum sentimento despertado no presente.
A obra é composta por 17 capítulos, onde cada capítulo leva o nome de um personagem secundário e é dividido em duas partes: o tempo presente de Samael Duncan, um aventureiro que atingiu a casa dos 130 anos (embora esta idade nunca esteja explícita no livro), e um episódio do passado do personagem, com foco no personagem secundário que nomeia o capítulo.
        No presente,... (texto removido para não estragar a surpresa - é de interesse apenas do editor...).

 Características – porque este livro é único

Alguns destaques:
·         Todas as memórias de Samael acontecem em países reais; e tudo o descrito no livro sobre estes países é fruto de detalhada pesquisa histórica, geográfica e de costumes.
·         Samael é apresentado pelo autor como uma pessoa real, na apresentação e fechamento do livro.  Esta ilusão é reforçada por pequenos detalhes fora do livro – por exemplo, “Samael Duncan” aparece nos agradecimentos do livro anterior do autor, “O Nome da Águia”.
·         Um único capítulo deste livro foi tornado público, em 2006, através de participação no concurso de contos do SESC – onde foi premiado como um dos dez melhores contos da seleção.
·         Há poucos livros existentes no mercado com o mesmo estilo (ver item “Competição”, a seguir); e este é o único deles que envolve, em alguns capítulos, momentos históricos no Brasil.

 Competição – livros e outras mídias

Sendo um conjunto de histórias em torno da vida do personagem principal, tendo um quê de mágico e alegórico, os livros que mais se aproximam de “As incríveis memórias de Samael Duncan” são:
·         Peixe Grande”, de Daniel Wallace, lançado em 1998, transformado em filme em 2003 e publicado pela Rocco em 2008.
·         Sonhos de Einstein”, de Alan Lightman, publicado pela Companhia das Letras em 1993 e ainda em catálogo.
Em uma pesquisa preliminar, não foi encontrado nenhum livro de autor nacional que utilize esta mesma estrutura.  Fora do Brasil, temos outros livros semelhantes, a saber: “Paradise News” (David Lodge), “All Families Are Psychotic” (Douglas Coupland), “The Floodmakers” (Mylene Dressler), “The Sitting Sisters” (Martha Randolph Carr) e “Different Roads” (Joyce Sterling Scarbrough) 
Em outras mídias, vale citar o filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”, de 2008, que segue a mesma linha – embora o conto homônimo em que foi baseado, de F. Scott Fitzgerald, siga uma premissa bastante diferente.

 Público-alvo

O público-alvo deste livro é bastante amplo, tendo em vista os livros semelhantes; mas principalmente composto por adolescentes, adultos e jovens adultos.

 Páginas

144 páginas (no original, quantidade de páginas pode variar conforme editoração); em um total de 46.250 palavras e cerca de 230.000 letras.

 Status de Publicação

                Recém-concluído, o livro ainda não tem contrato de publicação.
(currículo omitido neste post por questão de espaço...)
Gostou?  este post!

15 comentários:

FernandesGrue disse...

Conheci o blog agora, mas como pretenso escritor, provavelmente me tornarei leitor fiel deste. Imagino que todas as dicas me serão úteis!

ALVARO O BARDO disse...

Como sempre seu blog está de parabens com otimos artigos !!!!

Albuq disse...

Muito legal a dica, orientadora, digamos! bjssss

sindro disse...

Oi adorei o blog, visite o meu blog de textos, obrigado, até mais ;)

Marcelo Augusto Claro disse...

Grande mestre Lobão. Ótimas dicas.

Kelly disse...

Alexandre, tenho uma dúvida: tenho um blog com artigos e gostaria de reuní-lo em um livro. É possível fazer um livros com artigos que, há tempos, posto na internet?
Obrigada,
Kelly

Alexandre Lobão disse...

Agradeço a todos pelos comentários e pela animação! :)

Quanto à pergunta da Kelly, não há limitações para publicar livros com artigos já publicados na internet, mas normalmente as editoras vão pedir pelo menos algum material inédito adicional. minha única experiência nesta linha foi o contrato um que assinei há dois anos, que dizia que eu só apenas 10% do material do livro poderia já estar ou vir a ser publicado na internet - mas não sei se este percentual é praxe de mercado.

Jorge Bhering disse...

Excelentes dicas. Sem falsa modéstia, considero-me até um bom escritor, apesar de iniciante. Porém nos quesitos apresentação e divulgação, é onde encontro maior dificuldade. Parabens e obrigado.

Alexandre Lobão disse...

Oi Jorge,
Valeu pela força.
Acho que o melhor escritor é aquele que acredita em seu trabalho. Até porque o melhor não é fingir modéstia, mas sim vender seu peixe! :)
[]s!

Marcelo disse...

Boa tarde a todos!!!
Trabalho em uma Editora e caso precisem de alguma ajuda, estarei à disposição.
Sei por vários autores que as Editoras dificultam muito algumas questões quanto a edição, mas é tudo muito simples e prazeroso, para publicar um livro.
Caso queiram visitar o site é www.editorajm.com.br, ou por e-mail: jm_editora@hotmail.com
Abraço a todos e espero estar publicando alguns livros de vocês, nobres autores.
Marcelo
(41) 3224-7343/8406-2811

Alexandre Lobão disse...

Obrigado pelo contato e boa vontade, Marcelo.

Não conheço a JM, você não gostaria de escrever um artigo para a série "palavra de profissional", falando sobre como é seu trabalho e como os escritores podem interagir com você e sua editora.

Veja alguns exemplos da série: http://dicasdoalexandrelobao.blogspot.com.br/search/label/Palavra%20de%20Profissional

[]s!

Valéria Araujo disse...

Li muitas dicas para carta de apresentação, mas nenhuma com tanta peculiaridade. Parabéns pelo post e obrigada por compartilhar!

Alexandre Lobão disse...

Obrigado a você, Valéria, pela contribuição.
Fui montando esta estrutura de carta de apresentação no correr dos últimos 15 anos , ouvindo de outros escritores e de editores; é bom saber que outras pessoas não precisam perder tanto tempo para conseguirem chegar a esta informação! :)

Aproveitando o ensejo: esta e outras dicas do blog, com mais orientações, detalhes e exercícios, estão em meu mais novo livro, "A Bíblia do Escritor". Confira em: http://www.thesaurus.com.br/livro/3293/a-biblia-do-escritor

Sabrina Ferreira disse...

Olá, gostei muito do que fez. Me ajudou muito a montar a minha própria proposta editorial, mas tenho dúvidas. Quando procuro por cartas de apresentação, a sua é a única que tem esse formato. Acha que isso não influencia em nada? Funcionária do mesmo jeito?
E, uma questão talvez um pouco mais boba, porém, na hora de escrever o nome do Autor, eu devo escrever meu nome completo ou escrever o modo como quero que fique a minha assinatura?
Obrigada desde já. Bom trabalho.

Alexandre Lobão disse...

Oi Sabrina,
Nos contratos coloque seu nome completo, é óbvio, mas em tudo o mais reforce seu nome artístico, use sempre apenas os nomes que aparecem na capa de seus livros.
Quanto ao formato da carta, não há um padrão. Gosto de cartas organizadas, estruturadas, porque elas ressaltam os pontos fortes de seu trabalho e ajudam o editor a, rapidamente, ver o que vale a pena de seu trabalho e decidir se quer publicá-lo ou não. Se ele tem que ler uma carta de 10 páginas, cheia de elogios vazios e informações que não interessam para a decisão de publicar ou não o livro, há sempre o risco de ele distrair e não prestar atenção justamente naqueles detalhes que poderiam fazer diferença na decisão.